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Liberdade sempre

Atualizado: Mar 24

Nota analítica:


A ala liberal foi pega em calças curtas com a declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Youtube de que o país poderia criar um novo AI-5 [decreto presidencial do período militar que cassou direitos civis e políticos e instituiu a repressão aos comunistas] caso a esquerda "radicalizasse". É inadmissível que alguém, que foi eleito sob a plataforma do liberal-conservadorismo, seja saudosista em relação àquele período tão delicado para o Brasil.


Ao trazer à tona tal argumento, Eduardo abalou as estruturas do governo do pai, que já estavam sob ataque da oposição. Primeiro, porque sugere que ele fala em nome do governo — já que ato institucional para restrição de liberdades foi, historicamente, prerrogativa do Executivo, não do Legislativo. Segundo, que dá munição à oposição e aos independentes no parlamento para que criem entraves às próximas reformas, que são de suma importância para a retomada do crescimento. Por último, cria constrangimento a quem defende as medidas liberais de governo, porque passam a receber o rótulo do autoritarismo.


Eduardo tentou dar algumas explicações sobre sua fala. Disse que se referia a o que está acontecendo no Chile e o que pode ocorrer no Brasil. "Antes da coisa acontecer, a gente tem que tomar medidas preventivas. E medidas preventivas não é [a volta do] AI-5. É abrir os olhos da população para que, se alguém impedir do trabalhador ir trabalhar [...] para que a polícia não permita que isso aconteça". Mas, se era isso, por que citou AI 5? Será se atualmente o governo não dispõe de medidas para impedir que baderneiros iniciem uma guerra civil sem afetar as liberdades individuais e políticas de todos?


Embora os governos militares que se sucederam de 1964 a 1985 foram cruciais para que o Brasil não se tornasse a União Soviética - URSS da América Latina, alguns excessos praticados desqualificam o discurso de bom êxito [até porque os ditos "sociais-democratas" e os "socialistas dos trabalhadores" chegaram ao poder logo em seguida]. Vale ressaltar que o regime comunista naquele conglomerado de países da URSS levou a população à extrema miséria, isso sem falar do massacre promovido contra os oposicionistas.


As duas situações — da URSS e do regime militar brasileiro — foram recheadas pelo maniqueísmo, que divide pessoas em apenas duas castas: o bem e o mal. Este argumento de combate a um mal maior foi preponderante na narrativa de privação de liberdades.


Foto: James Donavon

A liberdade não pode ser negociada. A história prova que uma sociedade baseada na proteção do direitos individuais, cujo objetivo é a soberania do indivíduo sobre o estado, levou os Estados Unidos ao topo da economia global com a elevação dos indicadores sociais. Recente estudo da ONU corrobora com este pensamento ao apontar que o grau de desenvolvimento humano está diretamente ligado à liberdade econômica. O levantamento aponta que os ideais de liberdade econômica estão associados a sociedades mais saudáveis, ambientes mais limpos, democracia e eliminação da pobreza.


Não podemos aceitar discursos na contramão desse desenvolvimento. Liberdade sempre!


(por Fellype Sales)



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