Entidades estudantis choram caraminguás na Comissão de Educação da Câmara

Atualizado: Mar 24

Com o plenário 4 praticamente vazio, a Comissão de Educação da Câmara Federal realizou hoje, 24, audiência pública para "debater" — com cerca de 15 pessoas — a Gestão Democrática e Participação Estudantil nas Universidades. Convocada pela deputada Rosa Neide (PT-MT), subscrita pelos deputados Sóstenes Cavacante (DEM-RJ) e Professor Israel (PV-DF), a reunião discutiu com mais ênfase a gerência do atual governo no tocante à educação pública do que o tema principal proposto. Porém, alguns pontos de vista precisam ser expostos e discutidos sob a cosmovisão do estudante universitário não-militante de movimentos socialistas.


A diretora da União Nacional dos Estudantes - UNE, Denise Soares, definiu que a ampliação da participação dos alunos nos conselhos deliberativos para que se faça justiça às diversas intempéries vividas pela maioria é a melhor definição para gestão democrática nas universidades. Fez também duras críticas aos discentes, nos Conselhos Universitários, que não vivem ou conhecem a realidade dos mais pobres."A gestão democrática [do ensino superior público] tem que ser debatida com quem está na universidade. Não simplesmente com aquelas pessoas que estão sentadas com seu computadorzinho, dialogando sem ter vivido a realidade de uma universidade pública", disse Denise Soares, estudante de instituição privada, de frente a um computador, explicando o que acha ser gestão democrática das universidades públicas.



Soares criticou ainda a falta de participação democrática estudantil nas instituições privadas. Segundo ela, muitas vezes o dono da instituição é o reitor ou diretor acadêmico e impõe sua vontade aos alunos. Ora, em se tratando de uma instituição privada, estaria o dono errado ao impor seus métodos e diretrizes aos alunos? Calma, o absurdo vem na fala seguinte, quando Denise diz: "e nós ainda pagamos por isso". Há uma grande expectativa deste redator para que Denise tenha se matriculado no Enem 2019 e obtenha êxito em alguma instituição pública que propicie a ela a participação estudantil tão almejada na gestão universitária.


A sequência foi de fazer o ouvido sangrar. Adércia Hostin, coordenadora da Secretaria de Assuntos Educacionais da Confederação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino - Contee, chegou a afirmar que o Brasil vive num estado de exceção por conta da aprovação, em diversas câmaras de vereadores, do Escola sem Partido.


O estado de exceção, neste caso, não é no sentido constitucional, mas sim literal. Ou seja, vivemos durante anos sob a égide comunopetista dos governos de esquerda em que estudantes eram apresentados a uma única realidade e versão dos fatos históricos. Bem, há alguns anos, dissidentes começaram a expor nas redes sociais o que realmente acontecia em sala de aula sem a pré-ciência de pais ou responsáveis. Cada vez mais à tona nos debates, com novos casos toda semana, uma providência urgente foi tornar regra a "exceção": não se debate política com viés nas escolas.


Além disso, Hostin chegou a afirmar categoricamente que o descontingenciamento nos recursos da educação foi fruto da pressão popular. A pergunta que não quer calar é: que pressão foi essa na última semana que obrigou o governo a liberar os recursos bloqueados às universidades?


Veja bem, o contingenciamento de recursos aconteceu em maio deste ano. De lá para cá se passaram cinco meses. No primeiro mês de bloqueio houve dois grandes protestos (porque juntaram-se aos estudantes os movimentos sindical, social e político de esquerda). O governo deu de ombros, manteve a restrição do orçamento e ponto final.


A liberação ocorreu na semana passada e, deste a última manifestação, não se houvia mais o assunto (até porque outras questões como vazamento ilegal de mensagens da Lava Jato, Venezuela, Amazônia e óleo no nordeste foram o foco do agendamento midiático nos últimos meses). Esta é mais uma tentativa deste movimento em frangalhos de ter um protagonismo que não existe.


Ludimila Brasil, também da UNE, resolveu reclamar da falta de recursos da instituição depois da Medida Provisória 895, que tornou gratuita a emissão da carteira estudantil e criou versão digital do documento. A arrecadação da união de estudantes foi para o pré-sal, bem como a do PCdoB, dono do movimento (nas últimas décadas todos os presidentes da UNE têm sido filiados a este partido). Segundo Brasil, esta medida, ao desfinanciar, proíbe os universitários da discussão política de seus direitos.


Eu vivi para ver isso. A comunista reclamando da gratuidade da carteirinha, que privilegia, sem dúvidas, a classe mais pobre dos estudantes em instituições públicas. Outra questão é, a UNE só deixa participar dos debates políticos internos quem paga pela carteirinha? Nossa, que movimento "capitalista".


Além disso, Ludimila afirmou que o projeto de militarização do ensino básico faz parte do plano obscuro do governo de alienação estudantil e despolitização das realidades. O que ela talvez não saiba é que os resultados deste modelo compartilhado com os militares coloca estas escolas no topo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - Ideb. Além disso, dados recentes apontam que cerca de 85% dos professores de escolas militares são pós-graduados e quase 10% têm mestrado ou doutorado.


Contra fatos não há argumentos.


Apesar dos pesares e de todos os absurdos falados e transmitidos ao vivo pelo canal do parlamento no YouTube, o que não entra na cabeça do pagador de impostos é: há necessidade de gastar água, luz, mão de obra dos servidores, verba para trazer essa quantidade de "especialistas" para discutir este tema "expoente e urgente" da sociedade brasileira com cerca de 15 pessoas?


(por Fellype Sales)


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