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Scruton: no vale-tudo libertário, melhor e pior da humanidade estão em igualdade


Por Wilson Oliveira

Tanto o libertarianismo como o conservadorismo defendem a liberdade. Porém, o caminho para se chegar até ela é bastante diferente na visão de cada uma dessas filosofias. No livro "Como ser um conservador", no capítulo que fala sobre "a verdade no conservadorismo", o filósofo Roger Scruton aborda essa questão chamando atenção para o fato dos libertários rejeitarem a disciplina e, por isso mesmo, colocarem o pior e o melhor da humanidade em igualdade de condições:

- No vale-tudo libertário, o que há de pior na natureza humana está, em igualdade de condições, com aquilo que há de melhor, e a disciplina é repudiada como uma intrusão intervencionista. O conservadorismo é uma tentativa de afirmar essa disciplina e construir, no âmbito da livre associação, uma esfera duradoura de valor.

Enquanto o libertarianismo foca na individualidade, tirando o máximo de funções do Estado, desejando até mesmo que não exista função estatal nem fronteiras, e que todas as pessoas sejam livres para fazer o que bem entenderem, desde que não transgridam o PNA (pacto de não-agressão) sob pena de poderem sofrer punições de justiça e polícias privadas, o conservadorismo explica como o senso de comunidade colabora para a evolução das pessoas. Ou seja, o libertário sonha com um jeito que as pessoas poderiam ser e viver, enquanto o conservadorismo trabalha concretamente com o que existe.

Roger Scruton avança sobre essa questão no início do capítulo 10 do seu livro e cita o livro "Fenomenologia do espírito", de Hegel, para desenvolver o assunto:

- O conservadorismo tenta compreender como as sociedades funcionam e criar o espaço necessário para que sejam bem-sucedidas ao funcionar. Quem melhor apreendeu a sua filosofia fundamental foi Hegel, no livro "Fenomenologia do espírito", em que mostra como a autoconsciência e a liberdade surgem pelo aventurar-se do Eu rumo ao Outro; como as relações de conflito e de dominação são superadas pelo reconhecimento dos direitos e deveres mútuos e, como no decorrer disso, o indivíduo conquista não somente a liberdade de agir, mas também adquire um sentido do próprio valor e do valor dos demais.

Roger Scruton é graduado pela Jesus College, Cambridge. Foi professor de Estética na Birkbeck College, Londres, lecionando também na Universidade de Boston. Atualmente, é professor-visitante de Filosofia na Universidade de Oxford e membro sênior do Centro de Ética e Política Pública, em Washington. Publicou numerosos livros, incluindo algumas obras de ficção, e escreveu e compôs duas óperas. Colabora regularmente para The Times, The Telegraph, The Spectator e foi por muitos anos crítico de vinho do New Statesman.

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