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11 de setembro: Bin Laden queria quebrar domínio do Ocidente



Por Pedro Augusto

Talvez o fato que mais tenha marcado o século XXI foram aos atentados terroristas que atingiram os Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001.

Neste dia, um desconhecido personagem aos olhos do Ocidente foi apresentado aos seus habitantes: Osama bin Laden, líder do grupo terrorista chamado Al Qaeda, que ainda impõe medo à população mundial apesar de perder a força do passado.

Para entender os objetivos e o porquê das ações desses terroristas, é necessário voltar no tempo, ver o contexto histórico de sua criação e quem influenciou o seu líder mais famoso: Osama bin Laden.

O Contexto Histórico 

Entender como Osama bin Laden montou um grupo terrorista é preciso voltar ao ano de 1979 e olhar para três eventos ocorridos no Oriente Médio que mudariam o destino da região.

No ano de 1973, no Afeganistão, o príncipe Muhammad Daud derrubou um regime chefiado pelo seu primo, o rei Zahir Shah. Ao pôr fim a monarquia, o novo líder das terras afegãs assumia a presidência da nova república em uma região com uma crescente polarização política, que possibilitou a ascensão de organizações comunistas e islâmicas.

Em 1978, o comunista Partido Popular Democrático do Afeganistão toma o poder através de um golpe e instaura uma ditadura. Porém, a facção, por causa de brigas internas, não conseguiu estabilizar o país, até que em dezembro de 1979 o exército da União Soviética invadiu as terras afegãs a fim de evitar a decomposição do poder comunista no local.

A população não aceitou a intervenção soviética, afinal o ato foi visto como uma invasão do inimigo externo e ateu. A ação militar uniu várias tribos e etnias afegãs, como também xiitas e sunitas. Essa guerra religiosa alimentava a jihad e atraía muçulmanos de todo o Oriente Médio, inclusive a Osama bin Laden.

Também no mesmo ano, um outro fato mudou o panorama do mundo muçulmano: a Revolução Islâmica no Irã. No mês de janeiro de 1979, o Xá iraniano, Mohmmad Reza Pahlavi, fugiu para o exílio após ver que era incapaz de controlar a insatisfação popular que dominava o país. O ayatollah Ruhollah Khomeini, na época, regressou à terras iranianas para participar da revolução que o levaria ao poder e que estabeleceria uma república islâmica teocrática.

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A vitória dos revolucionários trouxe um certo otimismo aos países árabes vizinhos, que viam neste movimento uma fonte de inspiração para derrubarem monarquias e governantes corruptos, ditatoriais e que abriam as portas para ocidentalização do mundo árabe. O fato também trouxe de volta o otimismo ao mundo islâmico que procurava respostas para as duas derrotas em guerras contra Israel.

Por fim, para entender o último fato histórico é preciso voltar mais ainda no tempo. No século XVIII, no período da criação da Arábia Saudita, o líder religioso Muhammad ibn Abd al-Wahhab se alia com Muhammad ibn Saud, chefe da tribo Dariyya na península árabe. Eles criaram um movimento religioso-político para conquistar a Arábia-central, incluindo as duas cidades mais importantes para o islã: Meca e Medina.

O movimento foi desmantelado pelo Império Otamano, porém, o descendente da família al-Saud, Abdulaziz ibn Saud, conseguiu, em 1932, criar o atual estado saudita. Com a autoridade política da família al-Saud e na autoridade religiosa dos wahabistas, uma corrente do islão que possui uma interpretação literal do Corão e da Suna, ganha força.

Em meio ao aumento do radicalismo que em 1979, na Arábia Saudita, a mesquita de Meca, a mais importante do Islão, é ocupada por um grupo de fundamentalistas armados, enquanto os fieis migravam para a cidade a fim de cumprirem seus deveres religiosos.

Incapaz de pôr fim à ocupação, o rei saudita autorizou a intervenção de tropas francesas e paquistanesas para conter a rebelião. A posição do reino causou grande revolta, afinal, para os críticos, um grupo de infiéis pôs os pés em um local sagrado para o Islã e proibido aos descrentes.

Ao ver que agora precisaria conviver com os wahabistas, o rei saudita passou a fazer algumas vontades dos defensores desta vertente contra a ocidentalização do reino.

Os ideólogos da Al Qaeda 

Nascido em 1906 no Egito, Sayyd Qutb é talvez o mais influente pensador contemporâneo islamista. Ele acreditava que o mundo muçulmano deixara de ser "genuinamente islâmico" porque a sharia não era assumida como fonte única de direito e organização política. Além do mais, ele defendia que socialismo e o nacionalismo árabe precisavam ser combatidos, afinal eles conduziriam a sociedade islâmica à degradação.

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Qutb também acreditava que as diferenças entre capitalismo e comunismo apenas mascaravam o fato destes sistemas valorizarem o materialismo ao invés do mundo espiritual. Na visão deste pensador, a disputa entre as duas vertentes ideológicas era uma disputa entre dois irmãos que viraram as costas para Deus. Para ele, o grande conflito era o materialismo ocidental e a espiritualidade muçulmana.

Seus ensinos foram muito bem recebidos em um mundo árabe que questionava a integridade se seus líderes, acusados de corrupção e de permitir a ocidentalização de países como o Irã. Qutb influenciou religiosos que se questionavam sobre o insucesso militar do mundo islâmico contra Israel em meados do século XX.

Quem também foi não só um dos criadores da Al Qaeda, como um dos maiores influenciados de Bin Laden foi um homem chamado Abdullah Yusuf Azzam, um importante personagem que assumiu a causa da jihad afegã contra a invasão soviética.

Para Azzam, a decadência do islã estava ligada ao domínio exercido pelas potências ocidentais, originadas no final do século XIX. A degradação do Império Otomano teria aberto o caminho para a criação de sistemas de estado nacional que era uma imposição dos colonizadores. Correntes políticas como o socialismo eram alvos de fortes criticas de Azzam.


A trajetória de Osama bin Laden até a criação da Al Qaeda

Muhamed bin Laden migrou do Iêmen para a Arábia Saudita durante a década de 1930. Um homem iletrado se tornou muito respeitado em todo o mundo muçulmano por causa de sua devoção à fé, generosidade e por participar das obras recuperação das Mesquitas de Meca e Medina e da de al-Aqsa, em Jerusalém.

No ano de 1957, durante a ascensão do wahabismo na Arábia Saudita, Muhamed bin Laden tem seu filho Osama bin Laden que se tornou tão devoto ao islão como sua família.

Em 1979, poucas semanas após o Afeganistão ser invadido pelos soviéticos, Bin Laden foi ao Paquistão a fim de se juntar à jihad afegã. A fama de sua família deu acesso aos ciclos bastante influentes do Golfo Pérsico e da Arábia Saudita. O terrorista então angariou fundos para a resistência afegã. Esta atividade, inclusive, criou o mito de que Osama bin Laden era uma "criação da CIA", já que os guerreiros também recebiam ajuda dos Estados Unidos de forma indireta. Ele era responsável por recolher somente doações no mundo islâmico. Jamais foi uma marionete dos norte-americanos, portanto, é falso afirmar que o terrorista seria uma criação das agências dos EUA.

Durante a década de 1980, em meio aos conflitos no Afeganistão, Abdullah Azzam e Osama bin Laden se conhecem. Em 1988, ambos criam a Al Qaeda com o objetivo de reunir jihadistas árabes, que nesse período combatiam os soviéticos no Afeganistão.

Por que Osama bin Laden atacou os EUA?

O grupo terrorista foi criado porque, de acordo com Bin Laden, era necessário restituir, na visão dele, a grandeza do passado do Islã, a grande civilização que perdurou durante séculos. Essa grandeza contrastava com a impotência do islã naquela época.

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A Al Qaeda quer oferecer a possibilidade do retorno desse passado ideal e restaurar a dignidade dos povos humilhados pelas potências estrangeiras. Isso também explica porque muitos setores do mundo islâmico são avessos a quaisquer influências culturais externas e porque odeiam tanto a globalização. Diferentemente de grupos jihadistas da época, que combatiam  apenas em terras islâmicas, a Al Qaeda não se limitava à terras muçulmanas. O seu desejo era o mundo inteiro.

Bin Laden desejava ser o inspirador de uma jihad global que almejava quebrar o domínio ocidental do mundo muçulmano. Por isso atacou potências como os Estados Unidos no dia 11 de setembro de 2001.

Como Qtub e Azzam, Bin Laden acreditava que o estado territorial criado no Oriente Médio após a queda do Império Otomano não era a melhor forma de organizar as sociedades islâmicas. Mais importante que o sentimento de pertencimento a terra,  os islamitas acreditam que a umma (a nação) engloba todos os muçulmanos. Portanto, não acreditam e nem respeitam a concepção do estado moderno. Para eles, a agressão a qualquer muçulmano é um ato de violência à umma.

*Pedro Augusto é estudante de jornalismo, conservador burkeano e tem interesse por Economia e Política Internacional. É sub-editor-chefe de O Congressista e editor da seção Expresso News.

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