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O problema do ensino brasileiro chama-se MEC


Por Wilson Oliveira

O Escola Sem Partido não resolve, de uma vez por todas, o problema da doutrinação no ensino. É apenas um curativo para ver se é possível estancar um pouco a hemorragia (admito que só isso já está sendo o bastante para deixar a esquerda desesperada). Mas não ataca a base do problema, que é tirar as decisões mais importantes das mãos dos políticos.

Uma escola pública, essencialmente, já tem as suas diretrizes 100% definidas por burocratas do Estado. Acontece que as escolas privadas tampouco estão livres disso. O Brasil, com toda sua grandeza territorial e sua heterogeneidade, tem uma excessiva concentração de poder quando impõe que as escolas de todo país sigam a Base Nacional Curricular.

As necessidades de cada local, bem como suas dificuldades, suas vocações, são jogadas para escanteio. No lugar, entra aquilo que políticos, após consultarem "especialistas" de confiança (vocês sabem do que eu estou falando) julgam prioritários. Mas o que essas pessoas julgam como prioridade? O resultado vemos todos os dias, ao vivo, in loco, em cada esquina deste país.

Jovens que não querem ler, que não sabem escrever, que não fazem a mínima ideia do que é empreender, que acham que trabalho é algo ruim, chato, por vezes desnecessário, que não alcançam o significado das palavras respeito e compromisso. E que, em vez de tomarem conhecimento dessas questões, repetem sistematicamente, para o resto da vida, sem qualquer filtro, que o problema de tudo é a desigualdade e que por isso é necessário promover a justiça social.

A Base Nacional Curricular do Brasil forma robozinhos manipulados pela esquerda. Esses robozinhos crescem. A maioria se divide em dois grupos: robôs esquerdistas e robôs isentos, mas que também são manipulados pelo senso comum de esquerda. Os poucos que conseguem se livrar dessa robotização, como nós, são exceções que fogem à regra. Vocês sabem bem disso.

Inspirados no importantíssimo liberal Milton Friedman, vemos muitos de nós defenderem o sistema de voucher (vale-escola), que acabaria com o ensino público e colocaria na mão dos pais a possibilidade de escolher onde seu filho estudaria, imaginando que isso abriria um leque de opções para o tipo de ensino aplicado a ser escolhido para a criança. Entretanto, nem isso é o bastante.

O problema também vai além. Não há como fugir de uma abertura total do mercado. É óbvio que o conservador Roger Scruton está coberto de razão quando afirma que o "ensino não pode ser tratado apenas como mercadoria". Concordo. Mas também não pode ser tratado como "objeto para fins políticos". A robotização feita nos jovens impede que a maioria deles desenvolva uma opinião própria, porque eles não pensam fora da doutrinação que lhes foi imposta.

Portanto, pensando além do sentido mercadológico, creio que existem outros formatos de escola que podem muito vem conviver com aquelas simplesmente constituídas por grupos empresariais, como as escolas de instituições religiosas, de instituições militares e, principalmente: o ensino domiciliar, que inacreditavelmente no Brasil ainda é visto como tabu. Porque é aquilo: se é pros pais terem opções, quanto mais opções melhor.

Mas o fato é que as decisões a respeito do ensino precisam sair das mãos dos políticos. E o Escola Sem Partido não nos contempla a respeito desse necessidade, pois apenas tenta estabelecer algumas regras para essas decisões. É como se a sociedade civil tentasse regulamentar uma prática dos políticos, mas que nem deveria ser praticada por eles.

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