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2017: o ano que o conservadorismo se impôs ao progressismo


Por João Corrêa Neves Jr.

2017 não foi um ano fácil para o establishment. O meio dos chamados "intelectuais" nunca esteve tão descredibilizado com opiniões quase sempre sem nexo com a realidade. E as previsões de economistas sendo provadas não apenas errôneas, mas proporcionalmente inversas, com o povo derrubando "a base de bicudos" os pedestais de superioridade moral onde outrora se sustentavam os auto-congratuladores guardiões do "bastião" da sabedoria com seus egos super-inflados.

Na indústria do entretenimento, a medida em que Hollywood se distancia de seu público com produções de péssima qualidade e mensagens pra lá de questionáveis, a perda de bilheteria faz acumular prejuízos, tendo seu pior desempenho em 22 anos. A indústria que outrora dava lição de moral aos meros mortais, foi escandalizada ao ver exposto em praça pública vários dos seus, desde Harvey Weinstein até Kevin Spacey - cujo escândalo de avanços sexuais a outros homens e a um menino de 14 anos levou ao cancelamento da próxima temporada da aclamada série House of Cards. Estes, por sua vez, juntam-se ao pedófilo Roman Polanski, que chegou a ser chamado de “Deus” por membros dessa indústria porcalha.

No Brasil, exposições de "artes" subjetivas onde se tentava normalizar vilipêndio, zoofilia e pedofilia foram coletivamente boicotadas e legalmente fechadas, enquanto performances com nudez envolvendo crianças foram repudiadas por parte majoritária da sociedade civil. Já o boicote contra o filme "Jardim das Aflições" sobre o filósofo Olavo de Carvalho expôs a intolerância contra todo indivíduo ou pensamento que não segue a narrativa progressista da indústria cinematográfica.

Resultado? Jardim das Aflições foi vencedor do prestigioso festival CINE Pernambuco 2017. Na mídia, o viés foi finalmente exposto. Mais à esquerda do que temos no Brasil, entraríamos em território de Stalin. Foram ainda expostos pela falsidade, desonestidade e pela pura e simples canalhice: Fake News. A cada tentativa da mídia - em conluio com classe artística - de impor uma narrativa, de nos dar lições de moral ou nos dizer como criar nossos filhos, uma lambada intelectual: Xá-blau!

Na política, o que começa em 2016 com o terremoto político representado primeiro pelo Brexit - e a eminente saída do Reino Unido da União Europeia - e depois pela eleição extraordinária de Donald Trump nos Estados Unidos carregou uma avalanche de movimentos por todo o ocidente. República Checa, Áustria, Holanda, França - mesmo não tendo elegido a candidata anti-establishment Le Pen, impediu a entrada do comunista Melenchon - e recentemente no Chile, todos, em diferentes escalas e por diferentes motivos, experimentam novas opções fora da mesmice medíocre oferecida pelas políticas sócio-liberais e/ou socialistas das últimas décadas.

No Brasil, não bastasse a suficiente comemoração à condenação do ex-político, ex-homem público, ex-ficha limpa e atual corrupto condenado Lula, há o surgimento de novos nomes em potencial, que na pior das hipóteses mudam o rumo do debate nas próximas eleições. Nomes como o de João Amoedo ou até do próprio Joaquim Barbosa, de Álvaro Dias e, como dispensa comentários, o fenômeno Jair Bolsonaro, que em espaço de um ano e meio saiu de "Jair quem?" para um legítimo presidenciável.

Por que esse movimento acontece no Ocidente? São vários os motivos, geralmente distintos em cada caso, mas todos compartilham algumas peculiaridades em comum: uma base construída na internet e na mídia alternativa; desdém pela mídia tradicional; rejeição do politicamente correto; posicionamentos conservadores - e liberais - em diferentes escalas; rejeição às políticas e a todo o establishment dominado pela esquerda.

O que isso irá resultar ainda é cedo para avaliar, e, a não ser que queira me juntar aos montes acima já mencionados, que foram publicamente desmoralizados, eu não ousaria fazer nenhuma previsão. O que se pode notar é que como esses movimentos são espontâneos, independentes e diversos, e não dependem nem da mídia, nem dos intelectuais e muito menos da classe artística para se articularem, a sua chegada é permanente. E o processo de mudança fruto dessa nova dinâmica é irreversível.

Isso é visível quando nos damos conta de que o establishment veio com todas as suas forças, cuspiu, denegriu, xingou, tentou destruir vidas, carreiras e reputações, mas nem como todo o seu arsenal de armas nem com todos os rótulos conseguiram debater frente a frente, de igual para igual com o fenômeno anti-establishment pró-liberdade no Ocidente, pois ao tentarem, se chocam de frente e sem cinto de segurança contra um muro de blocos de concreto chamados fatos, lógica, história, razão, verdade.

Se 2016 foi marcado pelo choque no Ocidente por conta do Brexit e da eleição de Trump, além da mudança em todo o establishment político, 2017 representa a mudança no próprio pêndulo desse relógio de parede, batendo na medida em que ganha "embalo" com as novas pilhas, cada vez mais forte por tempos novos. Nesse novo cenário, as velhas armas do debate são ineficazes, inofensivas e imprestáveis: todos os xingamentos juntos, ainda que em uma única palavra se possível - fascista-homofóbico-misógino-etno-patriarcal - em nada afeta o trem sem freios chamado FATOS, que passa por cima de tudo quanto é factoide, ameaças e crises de choro.

E o pêndulo do velho relógio, outrora parado e amontoando poeira, enfim, bate pela primeira vez do lado certo da coisa. O lado da verdade. Tic-tac-tic-tac-tic-tac...

*João Corrêa Neves Jr. é defensor da liberdade e do “rule of law”. É conservador iluminista, influenciado pelo liberalismo clássico e, em menor escala, pelo libertarianismo. Reside no Reino Unido, atua na área administrativa no mercado formal e é mestrando na área de História pela Universidade Nova de Lisboa.

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