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Saudações eternas ao grande Roberto Campos!


Por Wilson Oliveira

Roberto Campos é uma personalidade da política brasileira que eu acredito que todos nós deveríamos nos aprofundar a respeito. Ele iniciou sua trajetória como um keynesiano. Chegou a integrar o governo de Getúlio Vargas e foi o responsável pela criação do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES).

Convicto, portanto, que o governo deveria promover uma agenda desenvolvimentista para modernizar a economia do Brasil, Campos contava com total confiança de Vargas, tanto que foi enviado pelo presidente a Los Angeles para participar da Comissão Mista Brasil-Estados Unidos. Lá, teve seus primeiros contatos com o liberalismo econômico.

Quando voltou, ainda não era um liberal de fato, mas já havia revisto alguns conceitos. Disse a Vargas não achar mais correta a criação de tantas estatais. Resultado: foi demitido e mandado pra fora do Brasil. Virou embaixador. Aí lascou de vez. Foi pra Europa e conheceu quem? Friedrich von Hayek, logo um dos ícones da Escola Austríaca de Economia.

Agora sim, Roberto Campos se transformava em um liberal de vez, convicto, com uma mentalidade arejada e cheio de vontade de passar novas ideias para os brasileiros. Publicou seu primeiro livro: Economia, Planejamento e Nacionalismo (1963). Ao voltar para o Brasil, já chegou comprando briga com todos os economistas brasileiros, que bebiam na fonte do rival de Hayek, John Maynard Keynes:

"Há três maneiras de o homem conhecer a ruína: a mais rápida é pelo jogo; a mais agradável é com as mulheres; a mais segura é seguindo os conselhos de um economista brasileiro".

Autor de 19 livros, foi coautor de outros quatro, sendo dois escritos em inglês. Tinha uma característica muito rara na história da política: sua inteligência era reconhecida e admirada até mesmo pelos mais ferrenhos rivais. Não era para menos. Campos era conhecido como "rei das tiradas". Não havia nenhuma pergunta embaraçosa que ele não respondesse com uma frase genial e de impacto.

Uma dessas respostas célebres aconteceu em um debate no Senado, em que um senador esquerdista, ao criticar o "neoliberalismo", disse que o mundo estava caminhando para a pobreza, e que seria necessário que pessoas caridosas o salvassem. Campos respondeu de bate-pronto: "Não! O mundo não será salvo pelos caridosos, mas sim pelos eficientes".

Em outra ocasião, após ter chegado ao Congresso Nacional debaixo de efusivos aplausos, em 1992, numa cadeira de rodas, para votar pelo impeachment de Collor de Mello, um repórter do jornal O Globo, achando que dessa vez o deixaria constrangido, perguntou: "Como pode o senhor votar contra o Collor, sendo que o senhor foi um dos mentores da candidatura dele?".

A resposta de Roberto Campos foi: "Fiz uma coisa que vocês jamais verão um esquerdista fazer". Repórter: "O que?". Campos: "Consertei uma cagada que eu tinha feito". O constrangimento coube aos políticos do PT que haviam aplaudido a chegada de Roberto Campos ao Congresso Nacional naquele dia. E também ao repórter, é claro.

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