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[OPINIÃO] D. Pedro II foi humilde demais na construção do patriotismo brasileiro


Por Nicolas Carvalho de Oliveira

Não se cria patriotismo louvando o que há "em segundo lugar". Por exemplo: "meu país é o segundo melhor nisso, o segundo melhor naquilo". Só se orgulha-se verdadeiramente quando não está abaixo de ninguém, e quando os critérios não lhe são favoráveis, deve-se criar critérios estritamente seus, originais, que não possam ser comparados com os das demais nações.

Foi isso, esse complexo de inferioridade, que abalou tanto a personalidade tímida de D. Pedro II. Ele quis criar uma França no Brasil, mas o Brasil não era a França. Ao redor do seu palácio, havia escravos, o maior aspecto de uma nação primitiva. No interior, havia pobreza. No orçamento, faltava dinheiro para luxos.

Na alta política externa, o Brasil tinha papel secundário. Dom Pedro II não se sentia imperador, porque pra ele o título de "imperador" era meio desproporcional para o chefe de Estado do Brasil. Os russos podiam até trazer para seu país alguns valores ocidentais, mas eles eram, antes de tudo, russos. Eslavos. Eles não se colocavam abaixo dos ingleses, alemães e franceses, porque não podiam se comparar a eles, já que estabeleceram critérios diferentes, estritamente nacionais. Isso persiste até hoje. Eles não querem saber se o capitalismo de mercado é melhor, pra eles aceitar o capitalismo é rejeitar a sua cultura e abaixar a cabeça para os valores de estrangeiros.

As tentativas de Dom Pedro II nesse quesito foram tímidas: não se criou uma cultura militar nacional, o meio mais prático e eficiente de se criar patriotismo (até o mais rebaixado país da Terra pode se sentir orgulhoso com seus obedientes e leais militares), e no meio cultural tentou estabelecer como heróis brasileiros a "inocência" dos índios, que representavam apenas uma parte afastada da população (aumentando a artificialidade da coisa, até branquearam a pele do índio).

A princípio, até tentaram ir pela via certa, com a narrativa do império tropical e miscigenado, uma coisa brasileira. Mas Dom Pedro II não mergulhou de corpo e alma nessa narrativa - pra ele isso era muito estranho, comparado a sua amada Europa. Ele foi relutante, e a partir dos anos 1870 desanimou-se completamente com isso. Faltou-lhe garbo, altivez e até arrogância.

Dom Pedro II teve uma grande oportunidade de criar uma sólida cultura brasileira. Isso era algo que alguém mais nacionalista e de uma personalidade mais calorosa, como seu próprio pai, poderia ter feito. Mas Pedro Segundo era humilde demais, europeu demais, para tal empreendimento.


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