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Não é preciso ver o filme sobre Marx pra saber que é um lixo


Por Nicolas Carvalho de Oliveira

Fizeram um filme sobre a juventude do Karl Marx. Fui ver a entrevista do diretor, Raoul Peck, conhecido pelos seus filmes bem politizados, e percebi que a obra é um lixo que não vale a pena. Mas, ora, por quê? Já dá o veredicto sem assistir? Vejam:

"Raoul: (...) Esta aproximação não foi apenas feita por dois lunáticos (Marx e Engels), foi um processo baseado na realidade, com uma análise da sociedade. Desde logo pelo livro que Engels escreveu sobre os trabalhadores britânicos – e que Marx considerou fenomenal – encarado como um trabalho duro de pesquisa. O Engels passou muito tempo a fazer inquéritos e recolher material empírico."

Pura estupidez. Pura falta de leitura. Eu já fiz um post, meses atrás, sobre como Engels falsificou esses dados ou usou dados defasados, de décadas anteriores. Foi tudo, menos um trabalho honesto. Marx levou para o seu "Das Kapital" (1867) essa desonestidade, a mais famosa sendo a falsificação do discurso do primeiro-ministro britânico W.E. Gladstone, que disse em 1863:

"Eu deveria encarar quase com apreensão e com pesar esse aumento inebriante da riqueza e do poder se achasse que tal aumento se limitou à classe que está com condições mais favoráveis, porém a situação geral dos trabalhadores britânicos, como temos a felicidade de saber, melhorou ao longo dos últimos 20 anos num grau que, como sabemos, é extraordinário, e que quase devemos declarar como sendo sem paralelo na história de qualquer país em qualquer época". Marx atribuiu essas palavras a Gladstone: "Esse aumento inebriante de riqueza e poder se limita inteiramente às classes proprietárias", e morreu dizendo que não falsificou nada.

Voltando a Engels, em 1958 dois estudiosos esquerdistas chamados W.O. Henderson e W.H. Challoner analisaram as fontes e o texto original de todas as citações do livro citado de Engels, intitulado "A situação da classe trabalhadora na Inglaterra" (1845), publicando novamente com as correções nas notas de rodapé, e praticamente acabaram com toda a credibilidade da obra.

Três exemplos rápidos: em relação as estatísticas de partos de crianças ilegítimas das mulheres do turno da noite, Engels usou dados de 1801, quarenta e quatro anos antes da publicação da obra. Citou um trabalho sobre as condições sanitárias em Edinburgh sem deixar que seus leitores soubessem que tinha sido escrito em 1818. Discorreu sobre as más condições de trabalho reveladas pela Comissão de Inquérito das Fábricas de 1833 sem contar aos leitores que a Lei Fabril criada pelo Lord Althorp no mesmo ano tinha sido aprovada exatamente para acabar com as condições descritas no relatório. Em apenas um capítulo do livro, "Os proletários", as notas de rodapé aparecem nas páginas 152, 155, 157, 159, 160, 163, 165, 167, 168, 170, 172, 174, 178, 179, 182, 185, 186, 188, 189, 190, 191, 194 e 203.[1]


"Entrevistador: Em todo o caso, o capitalismo de hoje é bastante diferente do capitalismo do período que retrata o filme…

Raoul: Tomemos então, por exemplo, o Manifesto do Partido Comunista, alguns dos artigos descrevem com detalhe a crise de 2008. É quase um livro para crianças sobre a história e evolução do capitalismo até hoje. Que outras provas necessitamos? (...) Porque estamos exatamente no mesmo tipo de capitalismo, onde o dinheiro e a riqueza ficam cada vez mais nas mãos de poucos ao passo que uma imensa maioria ficará cada vez mais pobre."

Outros dois erros infantis. Primeiro: o diretor desconhece por completo o pensamento marxista. Marx pregou em "O Capital" que o capitalismo estava fadado a ruir, era a raíz da sua famosa teoria da inevitabilidade histórica da vitória do socialismo. Segundo Marx, ocorreriam várias crises, uma pior que a outra, e que por fim os próprios capitalistas iriam falir e os proletários tomariam os meios de produção. Segundo ele próprio, em "O Capital", capítulo 7:

"Tendência histórica da acumulação capitalista: "Com a redução constante do número de magnatas do capital, que usurpam e monopolizam todas as vantagens deste processo de transformação, aumenta a massa da miséria, da opressão, da escravidão, da degradação, da exploração; mas, com ela aumenta também a revolta da classe trabalhadora, uma classe que vai sempre crescendo em número, em disciplina, em união, organizada pelo próprio mecanismo do processo de produção capitalista. (...) A centralização dos meios de produção e de socialização do trabalho afinal chegam ao ponto em que se tornam incompatíveis com seu revestimento capitalista. Esse revestimento racha, rompe-se. Dobram os sinos pela propriedade privada capitalista. O expropriadores são expropriados."

Evidentemente, não foi isso que ocorreu. Todas as pesquisas deixam bem claro que desde a Revolução Industrial a pobreza vem diminuindo drasticamente, e que o capitalismo é um sucesso constante e crescente, enquanto o socialismo fracassou em todos países que foi praticado. Antes do capitalismo industrial a esmagadora maioria da humanidade era pobre. E não era uma pobreza como conhecemos hoje, de ter um smartphone barato e comer pão com ovo, era a completa miséria, de labutar diariamente nos campos e não ter o que comer nem o que vestir no inverno, de viver na imundície e pegar qualquer doença banal e morrer com 35 anos de idade.

Diversas pesquisas atestam para o fato óbvio de como a pobreza vem diminuindo desde o advento do capitalismo industrial no século 19, como essa do Our World in Data sobre a pobreza mundial desde 1820 (clique aqui), caindo de 95% para 12% o número de pobres pelo planeta, quase todos de países de economia intervencionista/parcialmente socialista, como o Brasil e China, ou de puro socialismo, como a Coreia do Norte e Cuba.

O segundo erro é aquela bobagem que estamos cansados de ler por aí que a crise de 2008 foi causada pelo capitalismo, e não pela intervenção do governo americano através do banco central Federal Reserve (FED) que injetou dinheiro no ramo imobiliário até se tornar uma bolha grotesca, criando um clima artificial de prosperidade no setor. Foram os economistas liberais, como Peter Schiff, que previram a crise de 2008, enquanto os economistas esquerdistas falavam que era pessimismo e ideia de doido (tem um vídeo bem icônico do Schiff sendo ridicularizado numa emissora americana esquerdista em 2006 e 2007).

Enfim, Raoul Peck continua a entrevista com as mesmas asneiras dizendo que Marx é atual, que o Manifesto Comunista tem seu valor, criando ao redor do cara uma aura de herói que lutava pelos pobres, sendo que Marx nunca visitou uma fábrica para saber da situação dos operários, nunca pagou salário pra sua empregada Helen Demuth, engravidou-a fora do casamento e além de não assumir o filho, Frederick, só deixava ele entrar pelas portas dos fundos, e só para visitar sua mãe na cozinha. Incapaz de demonstrar cárater e responsabilidade pelo menos uma vez na vida, Marx pediu socorro pra Engels, que assumiu Frederick.

Dois dos seus filhos, Guido e Edgar, morreram ainda bebês por causa do ambiente imundo que Marx arranjou pra família viver, quando tudo que sua esposa Jenny von Westphalen tinha já tinha sido gasto, e antes de Engels aumentar a mesada de Marx. Era um poeta fracassado que viveu da mesada do pai, dos bens materiais da sua esposa bem nascida e da mesada generosa de Engels, um rico industrial, que enviava pra Marx no mínimo 200 libras por ano, que na época representavam o triplo da renda anual de um trabalhador especializado. Mas claro, isso o filme não vai mostrar, porque para na juventude do desgraçado, quando ele era um poeta fracassado vivendo do dinheiro do pai pequeno-burguês, advogado judeu, e dos bens da esposa. Enfim, um diretor que demonstra tanta estupidez e ignorância sobre o objeto da sua obra não dispõe de nenhuma credibilidade, e muito menos o seu filme merece nosso tempo.

[1] Pra quem tiver curiosidade, tirei quase todas as informações desse parágrafo do livro ''Os Intelectuais'' do historiador britânico Paul Johnson.

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