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Batalha de Wizna, como a Polônia resistiu aos ataques nazistas e soviéticos


Por Nicolas Carvalho de Oliveira

Já que agora Polônia é assunto recorrente, vale trazer à memoria, junto de outras coisas, a Batalha de Wizna, na Segunda Guerra Mundial. Em Wizna, pouco mais de 700 soldados poloneses resistiram até a morte numa fortificação quando poderiam simplesmente se render.

E quem esses soldados poloneses enfrentavam? Ninguém menos que Heinz Guderian, um dos maiores generais de toda a guerra, com sua divisão Panzer de 350 tanques e 43.000 homens da Wehrmacht. Fora a absurda vantagem bélica dos alemães, que já era mais do que suficiente para aniquilar a minúscula força polonesa. E, comparando apenas as tropas de cada lado, os alemães possuíam uma vantagem de 59 pra 1.

Os poloneses não tinham nem ao menos a esperança de sobreviver, e mesmo assim resistiram. O resultado não podia ser outro: 90% a 95% dos mais de 700 soldados poloneses morreram no conflito que durou quatro dias, levando cerca de 900 alemães e 10 tanques com eles.  O comandante polonês, capitão Wladyslaw Raginis, se atirou numa granada para não ser capturado.


Hoje a Batalha de Wizna é lembrada na Polônia como um dos maiores símbolos de sua longa e árdua luta pela existência, começando com a separação do Império Russo na crise pós-queda do Tsar e terminando somente com a queda do Império Soviético, mais de 80 anos depois.

Ambos, nazistas e soviéticos (unidos de 1939 até junho de 1941 pelo pacto Molotov-Ribentropp), planejavam apagar a existência da Polônia. O plano de longo prazo dos nazistas, já sendo colocando em prática, era, após um impiedoso período de "limpeza racial", subjugar os poloneses numa posição da mais absoluta servidão. Eles não poderiam nem ao menos se alfabetizar e seriam submissos a todo e qualquer alemão, como estava detalhado num memorando de Himmler (chefe da SS) para Hitler, que o Führer aprovou e repassou secretamente para a alta cúpula nazista.

Alguns anos antes, quando a Alemanha e a URSS dividiam a Polônia, os homens da NKVD (Gestapo/SS soviética) recebiam os centenas de milhares de deportados poloneses (segundo o historiador Aleksandr Gurjanow, mais de 400 mil) com avisos de que nunca mais voltariam a sua terra natal, e que inclusive ela deixaria de existir. Os filhos dos deportados poloneses eram forçados a estudar em escolas russas e impedidos de falar o próprio idioma e de acreditar em Deus.


Em Katyn, os comunistas soviéticos executaram 22.000 membros da elite polonesa, entre oficiais militares, intelectuais, padres, policiais, médicos, funcionários públicos, etc. As políticas nazistas e soviéticas na Polônia, ambas de extinção de um povo, diferenciavam-se somente em um aspecto: a URSS não almejava extinguir os poloneses enquanto "raça" (afinal, russos e poloneses são eslavos), mas como comunidade cultural. Seriam "russificados", "sovietizados". Em suma, os alemães perpetrariam um genocídio racial, os russos um genocídio cultural.

A Polônia, apesar de ter sofrido a repressão mais brutal de todos os países ocupados na Segunda Guerra (ou talvez por esse motivo), organizou a maior resistência aos nazistas em toda a Europa ocupada, com a milícia Armia Krajowa (AK), que em 1944 chegou a um efetivo de 380 mil homens e mulheres, incluindo judeus. Cem mil guerrilheiros da AK morreram em combate e outros 50 mil acabaram presos pela URSS.

Foram os poloneses, aliados aos judeus, os protagonistas da maior revolta da Segunda Guerra, em Varsóvia. Os alemães responderam à revolta com a destruição completa da capital polonesa, um dos maiores centros culturais da Europa. Não obstante, todo esse hercúleo esforço destinado a repressão, genocídio étnico, deportações e execuções em massa, além de cinco décadas de brutal ocupação estrangeira, no final das contas não foram suficientes para esmagar a Polônia. Nem chegaram perto.

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