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Psicologia do fenômeno da violência


Por Renan de Morais 
Autor convidado e psicólogo

O comportamento grupal e social, bem como a produção da subjetividade (modos de pensar, enxergar, interpretar, sentir e viver) são processos complexos e, quando analisadas a fundo, não devem ser reduzidos a esquemas simples demais. Porém a atual situação de violência urbana (principalmente no Brasil) é uma questão básica e elementar, onde nem o mais simples esquema tem sido cumprido. A seguir eu apresento uma lógica simples que não vem tido a atenção necessária das nossas autoridades: 

Existe uma técnica básica e já antiga na psicologia da aprendizagem comportamental chamada de condicionamento. Esta técnica usa o conceito de Reforço e um dos principais pesquisadores do assunto chama-se Albert Bandura.  Reforço é uma maneira de ensinar as pessoas a antecipar consequências de suas ações através de recompensas e punições, onde as recompensas servem para estimular e encorajar determinado comportamento bom ou útil, enquanto as punições servem para enfraquecer e desencorajar comportamentos indesejados.   

Entendendo esses primeiros conceitos temos um esquema básico da ideia que existe desde sempre sobre os sistema judiciais e prisionais em qualquer lugar do mundo. A punição serve para desencorajar comportamentos criminosos, por outro lado os comportamentos virtuosos e heroicos devem ser recompensados.  

A impunidade e o relativismo moral tem aí seu efeito primário: ao não ter seu crime punido ou ao ter punição branda demais os criminosos não se sentem desencorajados a continuar cometendo crimes, inclusive por que sente o imediatismo da recompensa positiva do crime sensação de poder, lucros financeiros e outros “prazeres” secundários). 

Mas há também o conceito de Reforço Vicário, onde as outras pessoas aprendem através da observação quais são os comportamentos desejáveis (recompensados) e quais são os indesejáveis (punidos). Portanto a sensação de impunidade e o relativismo moral tornam o comportamento e a mentalidade criminosa como algo que não precisa ser fortemente evitado. E quanto mais impunidade e mais relativismo moral, mais o comportamento criminoso se torna um modelo a ser seguido, e não só algo que não é mais veementemente evitado. 

No Brasil o relativismo moral chegou a tal ponto que no horário nobre do canal de TV mais assistido uma personagem de novela homenageia e "humaniza" o comportamento de traficantes armados dentro de favela. A cultura cinematográfica no Brasil tem alimentado a décadas esse tipo de conteúdo. A grande maioria dos filmes patrocinados e produzidos com sucesso no Brasil tem uma alta dose de comportamentos que normalmente não seriam louváveis. Promiscuidade sexual, uso e abuso de drogas, violência desmedida e altas doses de relativismo moral.  

A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Com certeza a "arte" tem grande efeito sobre o comportamento das pessoas, principalmente a longo prazo.
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