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[Tire Dúvidas] Sim, é verdade: Portugal recebeu ajuda de um francês para manter monarquia no Brasil


Por Wilson Oliveira

Por conta da Revolução Francesa, como ficou conhecido o período de agito na França responsável por derrubar a monarquia absolutista daquele país e instalar uma república que tinha como base o lema "Liberté, Égalité, Fraternité" (liberdade, igualdade e fraternidade), é comum as pessoas acharem que todo e qualquer francês daquela época era um conspirador republicano disposto a derrubar toda e qualquer monarquia em qualquer canto do mundo. Mas não é bem assim. Utilizando como fonte de pesquisa o livro 1808, do historiador Laurentino Gomes, vamos ver neste artigo que partiu logo de um francês uma ajuda a Portugal para evitar a queda da monarquia no Brasil, o que acabou acontecendo anos depois desse episódio.

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O Congresso de Viena, como ficou conhecido esse encontro das monarquias europeias, foi "a mais audaciosa e extravagante conferência de paz na história moderna", segundo a definição do historiador David King. Naquela manhã gelada de março de 1815, em que o príncipe de Metternich leu a mensagem do coronel Campbell com a notícia da fuga de Napoleão, fazia cinco meses que chefes de 216 estados, nações e principados conspiravam, negociavam, dançavam, caçavam, bebiam, faziam amor e se divertiam na capital austríaca.

(...) O príncipe Charles Maurice de Talleyrand-Périgord, considerado o mais hábil e experiente negociador da época, respondia pela derrotada França. Tinha sido despachado para Viena pelo novo rei, Luís XVIII, embora até alguns meses antes fosse um fiel aliado de Napoleão - que, por sua vez, o acusava de traidor.

(...)Separado da Europa por um oceano, a milhares de quilômetros de todos esses acontecimentos, o Brasil também haveria de se beneficiar de forma indireta das decisões tomadas em Viena. O Congresso e o seu complexo jogo de interesses abriram caminho para que a antiga colônia fosse promovida a Reino Unido com Portugal e Algarves.

(...) A criação do Reino Unido havia sido sugerida aos diplomatas portugueses na Áustria pelo príncipe Talleyrand, o representante da França no congresso. Tinha como objetivo reforçar o poder de representação da corte portuguesa, até então vista com certo desdém pelos demais participantes da conferência em razão da fuga da família real para o Brasil.

(...) Talleyrand decidiu ajudar os portugueses porque a França também se encontrava em desvantagem nas negociações em Viena, dominadas até então pelas quatro grandes potências vencedoras da guerra contra Napoleão: Áustria, Prússia, Inglaterra e Rússia. Depois de meses de complicadas deliberações, o representante francês convenceu os demais a incluir na mesa deliberações também a Espanha, a Suécia e, por fim, o novo Reino Unido de Brasil, Portugal e Algarves, conseguindo dessa forma equilibrar um pouco mais o jogo a seu favor.

Um dos argumentos usados por Talleyrand para induzir os outros chefes de Estado a aceitar uma participação maior de Portugal no Congresso de Viena dizia respeito a um risco compartilhado por todos os monarcas europeus. Segundo ele, ao reforçar o papel da corte portuguesa nas negociações, mesmo exilada no Rio de Janeiro, as monarquias reunidas na Áustria estariam criando um obstáculo contra a onda avassaladora dos ideais republicanos na América.

No entender de Talleyrand, as transformações políticas daquele momento afetavam não só o continente americano, mas também a estabilidade e o futuro das monarquias na própria Europa. Prestigiar e, na prática, sancionar a permanência do soberano português no Brasil, mediante a criação do Reino Unido, seria transformá-lo em um pilar de resistência monárquica no Rio de Janeiro, enquanto todos os vizinhos territoriais da antiga América espanhola mergulhava em um redemoinho republicano.
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