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[CRÔNICA] A esquerda está enganada por achar que Bolsonaro é "fenômeno passageiro"


Por PH Salles
Autor convidado

Se existe um nome hoje que é polêmico no Brasil esse nome é o do Bolsonaro. Basta você citar o nome dele que você gera polêmica. A primeira vez que eu ouvi falar dele foi nos anos 2000, numa daquelas propagandas políticas, que eu assistia não pra me informar, até porque eu nem tinha discernimento pra isso, mas pra rir do nível de analfabetismo e escrotice que a maioria dos candidatos apresentavam.

Confesso que aquele nome diferente e seu jeito, mais eloquente, carismático e original do que a maioria do resto dos candidatos me chamava a atenção, mesmo sem eu entender direito o que cada um defendia. Até que veio aquela palhaçada toda do kit gay e pronto, Bolsonaro, com "declarações infelizes", virou o inimigo numero 1 de todo progressista do Brasil.

O que aconteceu a partir daí foi um fenomêno sintomático do Brasil: essa mesma galera progressista não conseguia ver o óbvio, que boa parte da população rejeitava fortemente a esquerda, PT, PSDB e todo o establishment político, midiático, intelectual e institucional brasileiro.

Temos um processo que muitos estudiosos chamam de "espiral do silêncio" - uma minoria barulhenta e influente se impõe no grito, e a imensa maioria se cala com medo da rejeição. Grande parte da população aceitava o progressismo, mesmo discordando, por puro medo e inércia. Mas quando você dá voz a um cara pra dizer tudo que a grande midia discorda em rede nacional, você quebra um regime instável, construído sobre bases falsas.

Voltando ao assunto Bolsonaro, me lembro que em 2013 falava que se esse sujeito se candidatasse a presidência a chance dele levar era imensa. Era óbvio. Bolsonaro era a voz de uma imensa parcela da população, que não se identificava com a pauta de "direitos humanos" proposta basicamente por todo mundo no Brasil como o "avanço e progresso contra as forças do atraso".

Era algo que, mais ou menos dois anos depois, fui descobrir que tinha até várias teses psicológicas e sociólogas sobre isso - Tese da Frustração Relativa e dos Perdedores da Modernidade. Entretanto, riam de mim quando eu falava isso. Me chamavam de maluco, diziam que eu "não entendia o povo". Quem entendia era o sociológo petista que achava que o PT ganhou eleição porque "concordou com o projeto democrático e popular dos trabalhadores da nação contra as elites neoliberais entreguistas", e não por causa do personagem carismático do Lula potencializado por uma apatia, medo e complacência geral da suposta oposição.

Passou quase 10 anos do kit gay e, se você liga na Rede Globo, nessa galera progresssista - que vai do PSDB ao PSOL - que se acha "superior" porque é de esquerda, defende legalização das drogas, "direitos humanos" pra bandido num país que mal consegue garantir os direitos básicos da imensa parte da população cumpridora da lei e sem nível universitário, você vê que em 10 anos nada mudou.

Todo mundo acha que Bolsonaro é um "fenomêno passageiro", que "vai se desidratar pra centro-direita", que não tem chance, que o Brasil não dá espaço pro "radicalismo" e bobajadas do tipo, como se a imensa maioria da população que vota nele votasse somente por rejeição aos outros e ao atual sistema politico, como se 80% da população não visse os outros partidos como "iguais" e igualmente corruptos, culpados pelo atual caos, e o Brasil fosse uma espécie de Austrália, que a economia cresce, os políticos são honestos, não tem crime, a população está coesa e o debate se resume a um mero debate de ideias meio consentidas entre o centro, a centro-direita e a centro-esquerda.

E sabe o que é pior? Quando descobrem por que o Bolsonaro tem apoio, 1/4 entra em depressão, 1/4 "procura solução" sem nem saber por onde começar, 1/4 prefere se fechar na masturbação ideológica e 1/4 acha que ressuscitar um discurso "nacionalista da velha esquerda", uma mistura bizonha de Brizola com Stalin, old left, Madurista e tal vai frear isso em pleno 2017.

Enfim, pode acontecer do Bolsonaro não ser eleito? Pode. A campanha dele tem limitações que não dá pra ignorar. Mas hoje, se eu tivesse que apostar 100 reais, apostava uns 70 nele e os outros 30 guardava pra comprar cachaça caso eu perdesse os outros 70 na aposta. Do jeito que tudo caminha hoje, ele vai ser eleito facilmente presidente da república por todo mundo que odeia ele. E essa galera vai enlouquecer em 2018, culpar a Globo e tal.

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