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[Um Ano do Impeachment] Collor x Dilma: duas faces de um mesmo establishment


Por Rudi Guimarães

Na história do Brasil dois impeachments se consumaram, a de Fernando Collor de Melo e Dilma Rousseff, antagônicos em discurso e eleitorado, mas fortes no que representavam aos que depositaram confiança neles acabaram se passando como dois engôdos que ainda persistem em ficar na história política brasileira.

Collor de Melo foi eleito como o político ousado e preparado, pelo menos no seu discurso, que faria o Brasil sair do isolamento comercial e pegar onda nas políticas liberalizantes e se tornar um país avançado e economicamente pujante, traduzindo, Fernando Collor foi a aposta clara da direita brasileira em voltar a presidência após a desilusão que foi Jânio Quadros.

Jovem e com frases de efeito, arrebatou uma ala conservadora e pró-empreendedorismo do eleitorado brasileiro que se configurou de maneira nítida como diferencial frente ao eleitorado de seu maior rival, Lula da Silva que ainda tendia a dar créditos em um discurso de massacrado pelo patrão, lembrando que o Brasil era bem mais atrasado e bem menos acessível coisas comuns como carros e aparelhos de TV.

Naquele país que praticamente tudo era regido por reservas de mercado e estatais monstruosas, que foram criadas por um regime autoritário que tinha uma fixação enorme por segurança nacional chegando mesmo a travar a economia brasileira e até mesmo os brasileiros de acesso à tecnologia, não fica muito estranho entender a ânsia do próprio brasileiro por algo novo que tirasse o país do ostracismo.

Foi neste cenário que Fernando Collor assumi a presidência, tendo um partido nanico e uma aliança com o PFL, tinha grandes dificuldades para pode conseguir ter uma governabilidade boa, chegando mesmo a flertar com a legenda tucana para que pudesse ampliar sua base de governo.

Seu governo ficou marcado com um plano econômico que tinha por características a abertura da economia, privatizações, corte de despesas e o confisco de poupança, isto mesmo, ao mesmo tempo que seu governo prometia a liberalização da economia ele também tomava uma das atitudes mais intervencionistas da história econômica do Brasil, o confisco de tudo o que muitas pessoas possuíam com anos de trabalho que lhe legou uma impopularidade ímpar como presidente.

Com uma oposição ferrenha e ávida de poder, que desde seu primeiro dia de governo teve praticamente um governo paralelo montado à esquerda do seu, PT e partidos irmãos não pouparam esforços para assumir o cenário político nacional atacando e minando a própria sustentação de Collor na presidência, não demorando muito para começar a aparecer indícios de corrupção e esquemas que levariam o destino de Collor para o afundamento de toda a sua carreira vertiginosa até ali.

Estava selado então o destino de um presidente pitoresco, fabricado por corporações para ser o nome da direita brasileira para assumir o poder, não só foi um fiasco como também marcou a mentalidade brasileira, associando discursos de livre mercado á confiscos de poupança, como também a discursos de cunho autoritário e incendioso que caracterizou o período Collor.

A Dilma diferente do Collor, foi eleita como a mulher durona que lutou contra o regime de exceção que se teve no Brasil e que faria continuar todo os ‘’bons’’ resultados da governação de Lula, tendo uma plataforma totalmente voltada para a esquerda, foi o governo que mostrou o lado mais extremo que o próprio PT iria levar á cabo, caso continuasse como governo vigente.

Seu primeiro mandato ficou marcado pelas peripécias econômicas que dava continuidade e acelerada nos planos de fazer do Brasil uma nação socialista, desde que o PT assumiu o poder os níveis de intervenção na economia se abundaram, criação de empresas estatais e obras para impulsionar o desenvolvimentismo se tornaram normas causando um endividamento acelerado do Estado e um inchamento que teria como principal prejudicada a sucessora deste, no caso Dilma.

O PT que sempre foi firme em seu plano socialista de dominação, sempre teve grupos que digladiavam para decidir quando que fariam o Brasil um país socialista, sendo a Dilma uma das mais radicais, não atoa ela entrou no ‘’Manteguismo’’ de cabeça e fez o Brasil sentir já em seu primeiro mandato o gostinho do socialismo e da irresponsabilidade nata da esquerda.

Com uma eleição apertada e desconfianças até de fraudes, Dilma é reempossada como presidente do Brasil, após supostamente ter derrotado o candidato representante do PSDB, Aécio Neves que não muito diferente de Collor no passado, fez sua campanha montada para agradar o setor do eleitorado mais ávido por políticas menos intervencionista na área econômica.

Com um congresso menos à esquerda, e tendo como eleito um presidente da Câmara polêmico que representava uma ala do eleitorado muito moralista, acabou tendo uma das casas legislativas visivelmente contrárias a ela, Eduardo Cunha que nunca foi visto de maneira muito confiável pelo PT pelas suas posições ambíguas e ambição, foi com toda certeza a maior pedra no sapato da presidente. Com uma crise econômica se abundando, mostrando resultados cada vez mais catastróficos em todos os sentido e a população vendo de forma clara que o caminho que o Brasil iria seguir era o estágio Venezuelano se iniciou nas ruas movimentos, e mais movimentos organizados pedindo a solução sobre os indícios de fraude nas eleições presidenciais.

Não demorou muito para o próprio establishment ver que para sua sobrevivência decapitar a Dilma era sua única alternativa de sobreviver, Eduardo Cunha desempenhou seu papel com muito esmero em minar sobre todos os aspectos o governo petista, tendo partidos e agremiações políticas cooptado movimentos de rua e desviando o foco inicial da massa, e passando a trabalhar sobre os ditames dos que queriam sair ilesos.

O PSDB que demorou muito á se pronunciar como de praxe, mas o PMDB dividido com dois grandes caciques se digladiando entre si, teve por cenário um Brasil desolado e agonizante que assistia assustado o terrorismo econômico se instalar e um a situação clara de animosidade que poderia culminar numa revolta popular.

Com as rédeas tomadas, e a cassação da chapa e os pedidos de anseio de ver a fraude ser denunciada deixadas de lado, o impeachment se tornou o discurso unificador, fazendo o establisment todo atuar para seu salvamento que culminou na saída da Dilma como presidente e sua substituição por um vice moribundo que se tornou logo símbolo de rabo preso entre vermelhos e tucanos que no fim mostra bem o resumo da tal Nova República, que de nova não havia nada, senão apenas a continuação do lampejo histórico do Deodoro da Fonseca.

Este foi os pedidos de impedimento que além de serem certeiros no seu alvo, foram dois lados de um sistema que repeliu uma fabricação e um outro que repeliu um peão de um esquema internacional de escravização dos brasileiros uma ideologia nefasta, os próximos capítulos de uma nação desolada e perdida com falsificações históricas e sua autoestima atacada todos os dias, veremos no decorrer do ano seguinte, onde a opção anti-establishment e os desafios de uma nação de joelhos se mostraram como solução e barreira para o desenvolvimento e prosseguimento do Brasil como nação.


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