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[OPINIÃO] A única solução para resgatar o Brasil é a restauração da monarquia


Por Ana Zanatta

Há os que querem tirar Michel Temer da presidência. Há os que querem eleger Jair Bolsonaro ou João Dória em 2018. Há ainda uma possível reforma política em discussão. Há quem discuta reforma eleitoral e até uma constituinte exclusiva. Parece democrático. Parece constitucional. Mas infelizmente todas essas saídas apenas trarão esperanças momentâneas ao Brasil. Aquela sobrevida enganadora.

As mazelas do Brasil não acabarão com a extinção do PT, tampouco com a eleição de um presidente "de direita" em 2018. E, para definitivamente entendermos isso, é preciso voltarmos alguns séculos na história do Brasil e do mundo. Não adianta voltar apenas a 1988, ou a 1964, nem a 1930. O que acontecia na Europa em 1500? O que aconteceu no Brasil entre 1500 e 1800? E sobre a França e os Estados Unidos do século XVIII? O que realmente aconteceu na Guerra do Paraguai e na Revolução Federalista? Quantos professores de história costuram todos esses fatos?

Não há nenhum brasileiro que viveu 1889 para contar ao leitor que a dita proclamação da República foi, na verdade, um golpe. Mas até mesmo documentos oficiais da república brasileira confirmam isso. Dom Pedro II, o melhor chefe de Estado que o Brasil já teve, sofreu com o roubo de todos os seus bens, que não eram muitos, e foi exilado juntamente com seus descendentes. Estes foram proibidos de retornar ao Brasil por décadas, apesar de serem brasileiros e amarem este país. Sim, eles não eram portugueses, eram brasileiros. Além disso, não faz muitos anos que ser a favor da restauração da monarquia deixou de ser crime no Brasil. Nada disso está escrito somente em algum panfleto simpatizante à monarquia, mas em leis e publicações disponíveis na internet ao acesso de qualquer brasileiro.

Parece ter sido proposital e planejada esta repressão aos símbolos e lembranças do Brasil Império por tanto tempo para que os brasileiros, especialmente os nascidos após o ano de 1988, acreditem que por já terem nascido em uma "república democrática" devem defender e consertar esta republiqueta de quinta categoria, que nada tem de democrática. Ao que consta, o Big Brother teve sucesso em plantar a ideia de que o contrário de democracia é monarquia e que tiraria é sinônimo de monarquia. Aliás, quem disse que o sufrágio universal garante um estado de direito? Quantas maravilhas podemos assistir de camarote todos os dias! Desde que escolhamos diretamente o maluco que vai usar uma faixa verde e amarela está tudo bem.

Ninguém são e honesto seria capaz de defender a república no Brasil. Edmund Burke não aprovava a Revolução Francesa. Ano passado, com o frisson das eleições presidenciais, periódicos americanos insinuaram que o erro dos Pais Fundadores foi não ter implantado uma monarquia como Alexander Hamilton defendeu em um discurso, lembrando que as colônias americanas lutavam contra as cortes britânicas, não contra o Rei George III. O que ainda mantém os EUA de pé é a clara separação dos poderes de chefe de Estado, exercido pelo presidente, e de chefe de Governo, exercido pelos governadores dos 50 estados que formam uma federação legítima, não este federalismo de mentirinha a que somos submetidos aqui no hemisfério sul. Há outras repúblicas passando por fases de estabilidade e maturidade política, todas parlamentaristas.

Nesta era pós-Dilma, o Congresso Nacional considera mudar o sistema de governo do Brasil para o que chamam de "parlamentarismo". Quem prestar atenção na proposta, entretanto, verá que o que se defende é o semi-presidencialismo, muito semelhante ao sistema em vigor em países como França, Portugal e Rússia, que não são exatamente os melhores exemplos de estabilidade política e desenvolvimento econômico do mundo atual. Está certo que a concentração de poder em uma pessoa é nociva ao país, mas não é com remendos que se ressuscita uma nação praticamente morta após mais de um século de irresponsabilidades. Mesmo uma república parlamentarista pura, como Itália, Irlanda e Alemanha, pode ter seus problemas inerentes à disputa de poder entre um chefe de Estado e um chefe de Governo em lados opostos. Em um país com o sistema eleitoral que temos, o medo é óbvio.

No século XIX, o Brasil era um dos países mais importantes do mundo. Dom Pedro II colocou medo até na grande Rainha Vitória da Inglaterra. Éramos uma potência econômica, militar, intelectual, artística, científica e diplomática. O povo da época não sabia o que era inflação e não sentia os impostos pesarem no bolso. A imprensa era a mais livre do mundo e partidos republicanos funcionavam sem censura alguma. Dom Pedro II doava metade do seu salário. As mulheres da família imperial, com elevado senso de dever, raramente usavam as joias da coroa, entendendo que as mesmas pertenciam ao Brasil. Em nada, o País atualmente lembra essa época.

A história que os "intelectuais" gostam de esconder

Ao contrário das outras nações constituídas do lado cá do Atlântico, temos tradição monárquica. Éramos monárquicos antes mesmo de 1822. Dom João VI era rei também dos brasileiros. A partir de 1815, estas terras tropicais eram a sede de um reino, não uma colônia submetida a uma metrópole europeia. Dom Pedro I declarou a independência porque ele e Dona Leopoldina amavam e defendiam os brasileiros, não porque brigou com o pai. Dom Pedro I desobedeceu às ordens das cortes portuguesas, que, por sinal, perseguiram Dom João VI e tentaram colocar Dom Miguel, o irmão absolutista de Dom Pedro I, no trono português.

Bons conservadores sabem que a monarquia funciona em países que a tem em sua identidade. Bons patriotas sabem que resgatar e preservar a história do Brasil é essencial para a restauração da saúde desta nação. Muitas mentiras precisam ser desmascaradas neste processo. Por exemplo: verde das florestas e amarelo das riquezas? Invenção republicana. Verde dos Bragança e ouro dos Habsburgo. A bandeira do Império do Brasil era tão mais bonita! A Coroa era a favor da escravidão? Tão a favor que um dos motivos de insatisfação dos golpistas republicanos foi a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel. Só para começar...

A constituição de 1824, considerada por muitos a mais liberal da época, era muito melhor que qualquer uma dessas várias palhaçadas que a República das Bananas chama de constituição. Sem falar que era mais sucinta e sem caminhões de emendas. O poder moderador exercido pelo imperador respeitava o parlamento e estava acima de qualquer rivalidade ou aliança partidária. O Brasil tinha pouco mais de 100 deputados, que não recebiam salário. Repetindo: deputados remunerados são invenção da república. Supõe-se que o leitor saiba quantos membros a Câmara e no Senado têm e qual o salário que estes recebem 15 vezes ao ano. Sim, são 15 salários por ano que eles recebem!

Este desejo profundo que o brasileiro tem por um salvador da pátria e esta confusão entre nacionalismo e patriotismo provavelmente são resultado de uma crise de identidade causada pela falta que faz o imperador que nos foi arrancado, sem aclamação popular. Se aquele triste 15 de novembro não tivesse existido e a monarquia tivesse continuidade no Brasil, não estaríamos chorando e blasfemando, à espera da próxima prisão da Lava Jato ou da eleição do próximo presidente populista. Seríamos então igualados a outras monarquias constitucionais como Austrália, Japão, Suécia, Noruega, Dinamarca, Reino Unido, Canadá, Bélgica, Espanha e Países Baixos, que estão muitíssimos bem classificados em indicadores sócio-econômicos como PIB, IDH, PISA, renda per capita, coeficiente de desigualdade e ranking de percepção da corrupção. Veja agora se os habitantes desses lugares querem destronar seus reis e rainhas e eleger um presidente para "representá-los".

Sem mais delongas: estas tão sonhadas prosperidade econômica e estabilidade política podem (voltar a) ser do Brasil também. Por mais que digam que o brasileiro acordou politicamente, não seremos mundialmente respeitados e admirados enquanto a república perdurar. Tentaram nos obrigar a gostar de samba. Tentaram nos fazer acreditar que o futebol nos une. Tentaram criar heróis nacionais. Tentaram controlar o passado, para então controlar o presente. Nada disso supriu a nossa vontade de ter um rei que nos inspire, nos una e seja a imagem do Brasil. Se em 1822 o poeta Evaristo da Veiga escreveu que o Brasil resplandecia entre as nações do universo, o que o impede de erguer a cabeça nos seus imensos ombros e zombar de mãos mais poderosas quase 200 anos depois?

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