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[Tire Dúvidas] Não, os programas do PT não foram 'o principal' pra diminuir pobreza! Entenda


Por Wilson Oliveira

Nenhum assunto deixa a esquerda brasileira tão ouriçada quanto a diminuição da pobreza no Brasil durante o governo Lula. E o mais incrível é que, sem perceber, eles utilizam justificativas liberais para tal, como programas de transferência de renda e de vouchers para facilitar e estimular o consumo das famílias mais carentes.

Mas o erro desses militantes de esquerda é acreditar, convictamente, que estas são as principais causas para a diminuição na porcentagem mais pobre da sociedade brasileira. Nesta edição do Tire Dúvidas, usamos mais uma vez como base o livro Guia Politicamente Incorreto da Economia, de Leandro Narloch, para derrubar mais um mito criado no nosso país.

De 2000 a 2010, a renda dos brasileiros mais pobres cresceu 68%, o número de pessoas que viviam com até um dólar por dia caiu 75% e cerca de 30 milhões de pessoas pularam para cima da linha da miséria.

(...) A pobreza diminuiu no Brasil porque, há pouco mais de trinta anos, os pobres simplesmente deixaram de nascer. A melhoria de vida dos brasileiros no começo dos anos 2000 também é fruto da decisão de milhares de mulheres que, a partir dos anos 1980, tiveram menos filhos. O bônus demográfico que elas produziram acentuou progressos políticos e atenuou as tolices econômicas que os presidentes cometeram.

Após essa passagem no livro de Narloch, já na página 47, há um gráfico mostrando que em todas as faixas sociais havia uma tendência de as mulheres terem cada vez menos filhos, menos entre as mais pobres. No entanto, nos anos 1980 isso mudou. Justamente as mulheres mais pobres, que tinham no máximo três anos de estudo, tiveram uma queda bastante acentuada de fecundidade. Em outro gráfico há a ilustração de uma lógica bastante simples: quanto menos as mulheres mais pobres possuem filhos, menos crianças pobres nascem.

(...) No fim dos anos 1970, demógrafos acreditavam que a fecundidade alta era resultado da pobreza e que só o desenvolvimento econômico a reduziria. Mas, de repente, eles perceberam que enquanto a economia patinava o número de filhos começou a cair. Como explicar? Os pesquisadores ainda hoje tentam entender. Como sempre, a explicação de um fenômeno social é influenciada pelo viés político. 

Em 1980, a demógrafa Elza Berquó disse que a crise econômica da época era tão grave que estava tirando a libido dos casais brasileiros (hoje ela diz que defendeu essa teoria somente por alguns meses). Em 2015, Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, disse que os programas assistenciais do PT eram os responsáveis pela queda da fecundidade.

(...) Há explicações mais plausíveis. Uma delas é a urbanização e a entrada das mulheres no mercado de trabalho a partir dos anos 1970. Tendo que bater o ponto todo dia, as mulheres sofreram mais restrições para ter filhos. A AIDS, a partir da década de 1980, também pode ter contribuído. 

Com o uso mais frequente da camisinha, menos mulheres engravidaram. Há ainda a popularização da pílula anticoncepcional e o efeito da televisão - talvez não só por dar aos casais outra coisa para fazer à noite, como muita gente comenta, mas por transmitir aos brasileiros a ideia de que uma família bem-sucedida tinha poucos filhos.

(...) Se a taxa de natalidade de 1980 não tivesse diminuído, o Brasil teria 295 milhões de habitantes em 2010, em vez de 190 milhões, segundo estudo da pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Ipea. Seriam 105 milhões de brasileiros a mais - a maioria pobres nascidos em famílias pouco escolarizadas. Seria como se toda a população do México em 2010 migrasse ao mesmo tempo para o Brasil.

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