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[Tire Dúvidas] Não, os conservadores não querem aplicar moral por meio do Estado! Entenda


Por Wilson Oliveira

É possível que o "conservadorismo" seja a corrente de pensamento mais deformada pelas palavras dos incautos em política. A esquerda costuma deitar e rolar empregando inúmeros significados ao termo, menos aquele que é, de fato, verdadeiro. Mas afinal de contas, o que significa ser conservador na política? Obviamente que para responder a essa pergunta é preciso recorrer a livros que falem sobre o tema e que tenham sido escrito por autores assumidamente conservadores. Para esta edição do Tire Dúvidas, recorremos ao livro "As Ideias Conservadoras", do escritor português João Pereira Coutinho.

***

Será possível ser um conservador em política e um radical em todo o resto? A pergunta pertence a Michael Oakeshott em "On Being Conservative", e ela continua a causar surpresa em certos gostos, para quem o conservadorismo político se confunde com outros tipos de comportamentos sociais, artísticos, pessoais etc.

Repito e concluo: o presente ensaio é um ensaio político, não estético ou psicológico. E, politicamente, o que deve interessar a um conservador é definir, como defende Oakeshott, a específica (e limitada) vocação de um governo: aquilo que ele pode e deve fazer, mas sobretudo aquilo que ele não pode nem deve fazer.

E o que um governo conservador não pode nem deve fazer é "impor atividades substantivas" sobre terceiros, como se a vida alheia pertencesse a um dono sem rosto. De um governo conservador espera-se, antes, que seja capaz de garantir "a provisão e a custódia de regras gerais de conduta" que permitam a terceiros perseguir os objetivos que entendem. A atividade política não pode ser o pretexto ideal para cumprir um projeto particular, qualquer que ele seja e por mais nobre - em teoria - que seja.

Os projetos particulares pertencem, precisamente, aos particulares. Como afirmaria T. S. Eliot, o motivo pelo qual não existem "causas ganhas" em política é porque também não existem "causas perdidas": para um conservador, o imperativo da continuidade é mais importante do que a promessa de que algo irá triunfar.

Respondendo à pergunta de Oakeshott, é perfeitamente possível ser um conservador em política e radical em todo o resto. Aliás, a tentação final deste ensaio seria simplesmente dizer que a única forma de "vivermos e deixarmos viver" pressupõe a inexistência de radicais a governar-nos. "Nós toleramos monomaníacos, é o nosso hábito fazê-lo", afirma Oakeshott, "mas por que motivo devemos ser governados por eles?".

Eis talvez o mais importante princípio de uma sociedade política tolerável: evitar que o poder seja exercido por monomaníacos.


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