Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

[CRÔNICA] Poucas figuras são tão arrogantes e autoritárias quanto o revolucionário de esquerda


Por Rafael Andreazza Daros
Do blog Shogunidades

Poucas figuras são tão abjetas, tão desprezíveis, tão arrogantes e tão autoritárias quanto o revolucionário de esquerda. Agora há pouco, navegando na internet, me deparei com uma imagem de uma "revolucionária" pichando as paredes da universidade, sob a desculpa de defender os "trabalhadores" da "opressão". Adivinha quem terá que limpar esta bagunça?

O mesmo vale para outro caso de feministas escrevendo sobre o "empoderamento" da mulher para a moça da faxina. De certo esperam que a faxineira, que precisa ganhar o pão de cada dia, vá ler algo assim, largar o pano e ir para a rua protestar por um "mundo melhor".

Bom, poderíamos nos perguntar, quem sabe esses revolucionários percebam que estão agindo errado e prejudicando as pessoas que querem ajudar, e percebam que há outras maneiras de fazê-lo? Errado! Eles não pensam duas vezes antes de lutar pelos supostos "oprimidos", e o fazem em nome de toda uma classe social, "raça" ou o escambau a quatro.

As massas, coitadas, não são tão iluminadas quanto o revolucionário, e cabe a este mostrar-lhes a luz da razão para que vejam o quanto são oprimidos. Os que não compactuam de sua visão não passam de alienados que devem ser guiados para o "caminho certo" de um mundo perfeito e sem opressão, feito cãezinhos amestrados.

Bom, então talvez eles percebam o quanto a realidade é complexa e vejam que tem que agir com cautela? Errado de novo. Questionar seus métodos seria questionar a própria luta e a própria revolução. Ele precisa da luta assim como um peixe precisa de água. Ele não pode duvidar de si próprio. O revolucionário se crê um messias salvador do universo, capaz de moldar a sociedade como um ceramista é capaz de moldar o barro. Questionar seus métodos significa questionar sua pureza e, no limite, a própria revolução. O revolucionário não tem tempo para perder com autocrítica, dúvidas, angústias ou complicações da realidade. Está ocupado demais melhorando o mundo.

Império da lei? Direitos? Tradições e instituições? Tudo isso são preconceitos burgueses e perpetuadores da opressão, obstáculos a serem superados e criados por seres inferiores. O revolucionário não faz parte dessa ralé, pois sabe como criar um mundo perfeito e fazer um trabalho melhor do que todos os homens que já pisaram na Terra. Quer desempenhar o papel de deus: ao invés de mudar as instituições, busca mudar os próprios homens.

Todos aqueles que não concordam com ele são opressores. O revolucionário é aquele, como já disse uma vez nosso ilustre Nelson Rodrigues, que ama a humanidade, mas detesta seu semelhante. E se houver revolucionários de quem discorda? Isso simplesmente não existe para ele. Quem é contra seu projeto de mundo é um inimigo, um opressor, um fascista, um defensor do status quo. O único resultado aceitável é o mundo perfeito de seus sonhos delirantes.

Mas, afinal, o que é um revolucionário? Um lunático? Um esquizofrênico? Um narcisista maníaco? Não meu caro, o buraco é bem mais embaixo. O revolucionário é aquele ser incapaz de enxergar que o mundo lá fora vai muito além do seu próprio ego.

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

http://www.ocongressista.com.br/