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[CRÔNICA] Crítica de Constantino ao voto dos Bolsonaro é infeliz, injusta e descabida


Por Wilson Oliveira

Foi extremamente infeliz, injusta e descabida a crítica que o colunista Rodrigo Constantino fez aos deputados federais Jair e Eduardo Bolsonaro por votarem a favor do prosseguimento da denúncia contra Michel Temer. E não, não estou sendo incoerente nessa minha análise. Nunca escondi que considerava (e continuo considerando) que um governo Rodrigo Maia seria muito pior que o atual, por muito provavelmente trazer Aldo Rabello, do PC do B, como vice, e abrir espaço para o PT em seus ministérios. Obviamente, uma mudança dessa não representaria nenhuma evolução a favor da ética.

Por outro lado, não há como cobrar uma análise tecnicamente jurídica ou puramente filosófica dos deputados que estiverem ontem na Câmara decidindo se a denúncia deveria ou não prosperar. Até porque, ali, existiam apenas três grupos representados: aqueles que pertencem ao time de Michel Temer e que por isso ficariam contra qualquer denúncia apresentada, por melhor que fosse, em troca de mais cargos; aqueles que consideram Temer golpista e o PT uma vítima, e por isso seriam e serão a favor de qualquer denúncia, por mais mal formulada que seja; e aqueles que querem mostrar aos seus eleitores que não possuem nenhum compromisso com os atuais ocupantes do Palácio do Planalto.

Os Bolsonaro fazem parte desse terceiro grupo e por isso Constantino afirmou que eles possuem uma "bandeira jacobina contra o sistema". Ora, é preciso ter muita calma nessa análise. Aliás, é o que o ícone conservador Edmund Burke sempre defendeu: cautela na hora de fazer uma leitura política, por isso ele nunca apoiou a Revolução Francesa. Rodrigo Constantino foi precipitado e tropeçou nas próprias palavras. Metade da bancada do PSDB e o Partido NOVO tiveram a mesma postura dos Bolsonaros e por isso merecem ser criticados? Óbvio que não.

Uma coisa somos nós, que estamos fora da política, fazermos uma leitura sobre as consequências da queda do Michel Temer e o que pode acontecer até 2018. Outra coisa são os participantes da política nacional na hora de votarem ou se posicionarem sobre algo tão importante como uma denúncia que foi votada ontem. Não haveria como os Bolsonaros e nem como o NOVO explicarem aos seus eleitores porque eles ficaram contra uma denúncia que atinge o vice de Dilma Rousseff na eleição de 2014. Percebam que essa posição é a mesma da corrente libertária LIVRES, apesar de deputados do PSL terem votado a favor de Temer.

É possível perceber a existência de uma má vontade enorme com os Bolsonaros. Eles possuem, sim, motivos para serem criticados, especialmente quando resolvem comprar briga com todos os direitistas que não o defendem incondicionalmente. Por outro lado, a direita liberal está cada vez mais concentrando o seu poder de fogo nos recém filiados do PEN (que não se chama PRONA!). É preciso lembrar, sempre que for necessário, que nenhum dos dois lados irá ganhar absolutamente nada com essa disputa. O principal adversário tanto dos Bolsonaros como da direita liberal sempre foi e continua sendo a elite política brasileira.

Se reclamam que o Bolsonaro não aprovou nenhuma lei a favor do liberalismo econômico em sua longa estadia na Câmara dos Deputados, lanço aqui uma pergunta retórica: quantas leis de autoria do deputado Jair Bolsonaro foram aprovadas para aumentar o tamanho do Estado brasileiro? Nenhuma, também. Portanto, ainda que ele tenha dado declarações desfavoráveis a privatizações no passado, é preciso reconhecer uma neutralidade na atuação parlamentar dele ao longo desses anos. Não aprovou nada a favor do liberalismo que fosse da sua autoria, mas também não aprovou nada que fosse contra. Já a elite política do Brasil vem sufocando a nossa liberdade por muitas e muitas décadas, desde muito antes da entrada de Jair Bolsonaro na política.

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