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[ENTREVISTA] Eleitor do Bolsonaro, Sachsida diz: "Se alguns liberais não o apoiam, devemos um mea culpa"


Por Wilson Oliveira

A direita brasileira vive um momento bastante conturbado, dentro e fora da internet. Não bastassem as intermináveis briguinhas em grupos e timelines de Facebook, Eduardo Bolsonaro, filho do deputado federal e pré-presidenciável Jair Bolsonaro, resolveu jogar gasolina no incêndio criticando Alexandre Borges, ícone intelectual do movimento liberal-conservador, por ter comparecido a um evento e tirado foto com João Doria, prefeito de São Paulo, social-democrata e membro do PSDB. Por um momento, ficou a impressão que para os eleitores mais apaixonados por Bolsonaro era proibido que alguém teoricamente "do mesmo time" ao menos tivesse algum contato com quem não é de direita.

No entanto, eis que no meio de toda essa celeuma, uma voz sensata em conexão com uma mente brilhante surge no meio de toda essa gritaria para sugerir ordem na guerra interna direitista. Adolso Sachsida é alguém que sempre devemos prestar atenção para ver o que fala, o que pensa e o que opina. Nesta entrevista para O Congressista, ele explica sua opção em Jair Bolsonaro como candidato a presidência, mas sem defendê-lo fanaticamente. Reconhece a necessidade de melhora no discurso, principalmente no campo econômico e sugere uma mea culpa pelo fato de alguns liberais não se sentirem confortáveis em apoiá-lo, a ponto de rejeitá-lo tanto quanto rejeitam Lula.

Sachsida é Doutor em Economia pela Universidade de Brasília (UNB) e Pós-Doutor pela Universidade do Alabama-EUA, orientado pelo Professor Walter Enders. Também em solo americano, deu aulas de Economia na Universidade do Texas e foi consultor short-term do Banco Mundial para Angola. Atualmente, é colunista do Instituto Liberal e pesquisador do IPEA. Publicou vários artigos nacional e internacionalmente, sendo de acordo com Faria et al. (2007) um dos pesquisadores brasileiros mais produtivos na área de economia. Em 2015, Adolfo Sachsida publicou o livro “Considerações econômicas, sociais e morais sobre a tributação”, editado pelo Instituto Liberal e pela editora Resistência Cultural.

O Congressista: O senhor publicou um artigo no Instituto Liberal afirmando que o TSE jogou o estado de direito no lixo ao absolver a chapa Dilma/Temer. O senhor acredita que o brasileiro possui a percepção que é preciso modificar toda a classe política para que, num momento posterior, possa acontecer uma renovação nos tribunais superiores?

Adolfo Sachsida: Sim, me parece muito claro que nas eleições do ano que vem haverá grande renovação nas assembleias estaduais e no Congresso Nacional. O povo cansou de determinada classe de políticos, cansou de boa parte dos que ficam em cima do muro, cansou dos corruptos, cansou de candidatos que tem vergonha de expor suas ideias. Acima de tudo o povo cansou do político tradicional, aquele tipo que nunca se comprometia com nada e que era só sorrisos.

OC: O senhor acredita em grandes surpresas nas eleições de 2018? Se sim, positivas ou negativas? Se não acredita, o que falta para tal?

Sachsida: Acredito que nas eleições de 2018 teremos várias surpresas, principalmente no que se refere a eleição de candidatos de fora do establishment atual. Como disse antes, para o bem ou para o mal, o povo cansou do político tradicional. Mas o que realmente me assusta para 2018 é a possibilidade de confrontos físicos nas ruas. Vou ser claro aqui: a esquerda não sabe mais debater na base de ideias. A esquerda em sua maioria só sabe rotular pessoas, tipo: duas patas mau, quatro patas bom (referência a Revolução dos Bichos caso não tenham entendido).

Se digo para um esquerdista que sou contra cotas ele me chama de racista, se digo ser contra determinado tipo de migração ele me rotula de xenófobo, se digo ser contra o aborto ele me chama de machista, se digo que voto em Bolsonaro ele me chama de fascista, e assim por diante. A esquerda não argumenta mais, ela rotula e parte para o confronto. 

Ora, tão logo Bolsonaro (ou qualquer outro candidato de direita) comece a se destacar creio que a esquerda partirá para a violência física para impedir seus comícios (ou o comício de outros candidatos de direita). Após alguns contratempos o pessoal da direita irá então se organizar para garantir a segurança de seus comícios. Entenderam meu ponto? A violência física dos grupos de esquerda irá gerar uma reação da direita para se proteger. Esse é meu grande temor para 2018.

OC: O senhor publicou no seu Facebook uma carta manifestando sete motivos para apoiar Jair Bolsonaro na eleição à presidência. O primeiro é justamente o fato de o deputado reconhecer que não possui conhecimento em economia. No entanto, o senhor não acredita que isso poderia atrapalhá-lo na campanha, por exemplo, ao enfrentar um candidato acostumado a falar de assuntos econômicos, como Ciro Gomes, em um debate na televisão?

Sachsida: Apenas uma correção: não elogiei o fato de Bolsonaro não saber economia. O que disse foi: "Bolsonaro não sabe muito de economia, mas ele é o primeiro a reconhecer isso. Entre alguém disposto a reconhecer que não sabe economia e outro que se acha gênio (tal como Dilma e Serra), fico com quem admite a lacuna de conhecimento nesse área e está disposto a ouvir quem entende".

Ninguém sabe tudo sobre tudo, reconhecer a própria ignorância em determinados assuntos é um mérito. Um candidato a presidência da República tem conhecimentos gerais sobre vários temas, mas por óbvio é natural que tenha mais domínio de alguns temas do que de outros. Reconhecer isso, repito, é um mérito. De maneira alguma estou fazendo elogio a ignorância, pelo contrário, estou apenas argumentando que um homem inteligente deve ser sábio o bastante para ouvir seus conselheiros. Veja o caso de Dilma Roussef, se ela tivesse reconhecido sua ignorância em economia não estaríamos nessa crise econômica horrorosa.

Ciro Gomes está acostumado a falar besteiras sobre economia, talvez com o objetivo de angariar o apoio das esquerdas, talvez essa seja uma estratégia política válida, mas certamente não é um grande mérito econômico. Ciro melhor faria se copiasse Bolsonaro e assumisse sua ignorância nesse tema. Num debate na televisão, creio que as ideias econômicas de Ciro Gomes mais assustam o eleitor do que o cativam. Veja por exemplo o que Ciro defendeu (junto com Bresser Pereira) no último encontro da UNE. 

Enfim, quem cuida da parte econômica de um governo são os especialistas na área. O melhor que o candidato eleito pode fazer é escolher bem sua equipe, é isso que Bolsonaro deve fazer. E, tenho certeza, é isso que Ciro irá fazer caso seja eleito.

OC: O senhor acompanha o trabalho do Eduardo Bolsonaro, que tem formação da escola austríaca de economia? Se sim, acredita que ele pode ajudar o pai numa eventual plataforma de governo?

Sachsida: Não acompanho o trabalho do Eduardo Bolsonaro de perto, mas tenho amigos próximos que o elogiam bastante. Certamente será uma ajuda importante.

OC: Ainda sobre seu apoio a Bolsonaro, o que o senhor tem a dizer dos liberais que costumam rejeitá-lo no mesmo grau que rejeitam Lula?

Sachsida: Acho que estão errados. Alguns libertários parecem temer mais os conservadores do que os comunistas/socialistas. Isso me parece um grave equívoco. Contudo, é importante fazermos um esforço para demonstrarmos que Bolsonaro é uma alternativa viável. Nesse sentido, é importante insistir numa pauta econômica liberal. Bolsonaro já se posicionou a favor da abertura econômica e de um Estado menor, mas isso precisa ser enfatizado cada vez mais. 

Além disso, muitos liberais tem aversão ao discurso em defesa do Nióbio, isso se parece demais com o discurso em defesa do "petróleo é nosso". Assim, a defesa do nióbio deve ser posta dentro de um contexto de competição, deixando claro que ninguém está propondo a criação de uma empresa estatal, mas apenas o aproveitamento econômico de uma vantagem comparativa de nosso país.

Acima de tudo devemos compreender que os liberais são nossos aliados. Se por algum motivo alguns deles não estão confortáveis em apoiar Bolsonaro devemos fazer um mea culpa, e verificar onde erramos e onde podemos melhorar. Fundamental termos uma frente liberal-conservadora unida e forte para as eleições de 2018.

OC: Se o STF resolver barrar a candidatura de Jair Bolsonaro, já que ele possui um processo parado naquele tribunal, qual seria sua segunda opção?

Sachsida: Ainda é cedo para dizer, muitos nomes ainda irão aparecer. Mas para não bancar o isentão, respondo que provavelmente votaria no Eymael no primeiro turno, e depois escolheria o candidato menos a esquerda no segundo turno.

OC: O senhor acredita que os grandes partidos brasileiros envolvidos institucionalmente com corrupção poderão ser punidos, até mesmo com a cassação do registro?

Sachsida: Não, não acredito que isso irá ocorrer. Se fosse para seguir a letra da lei, com certeza o PT teria seu registro cassado. Mas essa me parece uma hipótese remota.

OC: Na opinião do senhor, o brasileiro está com uma noção mais profunda da que tinha em 2014 sobre a situação econômica e política do país?

Sachsida: Na parte econômica sim, hoje o brasileiro sente na pele o desemprego e a crise econômica. Na parte política o povo brasileiro sempre quis votar num candidato conservador-liberal, sempre buscou um nome de direita. A diferença é que agora nós temos um nome competitivo para apresentar ao eleitor. No Brasil quem é de esquerda são os partidos políticos, a mídia, e o beautiful people, o povão mesmo é de direita.

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