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[OPINIÃO] Rodrigo Maia não tem condições de resistir à pressão por eleições diretas caso assuma presidência


Por Wilson Oliveira

Aos poucos, a população brasileira está sendo convencida que os problemas do país estão concentrados na figura do presidente Michel Temer, tanto pelo lado da corrupção como pelo lado da economia. Isso é uma estratégia muitíssimo bem arquitetada, minuciosamente pensada e habilidosamente trabalhada por várias mãos, em várias frentes. Tem a esquerda, tem a opinião pública, tem a parte do mercado brasileiro que adora uma ajudinha do poder político nos seus negócios e sente que atualmente a maré não está para peixes. E tem também toda essa classe política que queremos ver pelas costas.

Não se trata de gostar ou não gostar do Temer. Trata-se de quem ganha e quem perde com ele ocupando a cadeira da presidência neste momento extremamente decisivo. Existem nomes do próprio PMDB - o partido do presidente - querendo que ele caia: Renan Calheiros, Kátia Abreu, José Sarney, Roberto Requião (este último, inclusive, compareceu a uma convenção do PT para saudar Dilma e Lula). E por que eles querem tirar o Temer de qualquer jeito? Porque eles querem proteção contra as investigações que estão derrubanda o sistema. E o Temer perdeu essa capacidade de dar proteção a todos eles.

É nesse sentido que a elite política do Brasil, incluindo o PSDB e o DEM, que eram os maiores parceiros do presidente, começam a se articular pela substituição de Temer pelo presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM). Esses políticos - que não possuem nada de bobos - sabem que com a saída do presidente a poeira vai baixar num primeito momento e o povo vai achar que tudo estará se resolvendo. A opinião pública, formada pela grande mídia, pelos "especialistas", pelos artistas e assim por diante, cairá na zona de conforto do discurso fácil e encontrará o culpado de todos os males, que será justamente Michel Temer.

No entanto, o problema histórico e crônico da corrupção, dos desmandos das decisões erradas, da doutrinação, do falta de segurança, do estatismo, da pobreza, do não-desenvolvimento, da falta de liberdade para empreendermos, enfim, de todo o histórico esquerdista do nosso país, que não foi inventado por Michel Temer, mas sim por todo sistema político brasileiro ao longo da história, continuará. Mas com uma diferença: levantarão, com toda força, a tese que precisaremos organizar eleições diretas, pois só o povo poderá resolver esse problema.

E será que alguém tem dúvida de qual partido será o protagonista dessa "nova era" no Brasil? Justamente! O partido que já está liderando os pedidos por eleições diretas: PT. E não podemos achar que Rodrigo Maia (logo ele!) será o guardião da normalidade instituicional para impedir essa "festa" dos petistas juntamente com vários outros partidos e líderes políticos (até o FHC), da mídia, dos artistas, da opinião pública em geral, quicá até mesmo da ONU, que está doida para dizer que o Brasil está sem rumo e que "precisa reorganizar sua política junto ao seu povo".

Maia não tem nenhuma chance de agarrar esse hipopótamo que vão colocar para sorrir na cara dele. Ele não vai ter popularidade e nem poderá dizer que foi eleito numa chapa, tal qual Temer na chapa da Dilma. Pelo contrário, sabemos bem como Rodrigo Maia reage a uma dificuldade. Na eleição pra presidente da Câmara ele nem pensou duas vezes, se aliou logo ao PC do B para conseguir apoio da esquerda. Alguma dúvida que ele vai querer se "amigável e boa praça" (de novo) e vai acabar cedendo a essa pressão gigantesca por eleições diretas?

Além de todo sistema político brasileiro ter a chance de se salvar momentaneamente, pois mais uma troca na presidência seria uma renovação e uma sobrevida ao próprio sistema, a queda de Michel Temer pode ser a solução para partidos como PT, PSOL, PDT, PSB, PC do B e afins. Seria a vitória da tese de que o impeachment da Dilma "foi golpe". Seria algo agradável para a sociedade brasileira despolitizada, que está vendo uma crise absurda que não se resolve nunca, principalmente para aqueles entre 25% e 30% que acreditam que "na época do Lula todo mundo tinha dinheiro para colocar comida na mesa".

Portanto, será que alguém tem dúvida qual opção seria abraçada pela opinião pública? A possibilidade de Lula, livre, leve e solto poder se candidatar para colocar todo o seu discurso de golpe, de perseguição e de "luta pelos direitos dos mais pobres" no foco não pode ser descartada. Esquecerão até que ele é réu em cinco ações em várias frentes da Justiça Federal. Capaz até dele ser o candidato com o maior número de votos, já que nem Bolsonaro (sem partido) nem João Doria (afilhado de Alckmin) irão concorrer - e apenas eles possuem votos pra bater de frente com o ex-presidente.

O que mais precisamos agora é manter o foco, ou seja, que as pessoas continuem conversando no seu dia a dia sobre a Lava Jato. Mobilizar todos os brasileiros para escolher um presidente é exatamente o que temos de evitar, pois isso mataria de vez o assunto investigação na Petrobras, no BNDES, delações premidadas etc. Seria ótimo se a queda de Temer pudesse significar uma oportunidade para virarmos a página, limpar tudo e mudarmos os deputados, os senadores e todos aqueles que queremos ver fora da cena política. Mas não será. A queda de Temer será apenas uma chance para essa classe política que rejeitamos se reunir começando tudo de novo para se fortalecer.

Precisamos ficar atentos, apoiando que o combate à corrupção continue em evidência e nos preparando para as eleições de 2018, quando, aí sim, a sociedade brasileira poderá utilizar toda a sua rejeição aos velhos políticos e à velha política para mudar por completo o Congresso, algo fundamental para qualquer mudança que queiramos no Brasil em termos de política. E ainda poderemos ter um bônus, que é o de ver Lula sem possibilidade de concorrer à presidência (fato que os leitores entenderam o que se pretendeu dizer aqui...).

Enquanto isso, a direita brasileira precisa parar de bizarramente se dividir em dois lados (embora nunca fosse realmente única), com cada um arrumando adjetivos pro outro lado e falando que a atitude da "direita oposta" é mais feia. Porque enquanto isso, a esquerda malandra, experiente e composta por lobos, se movimenta para fazer uma ampla aliança que começaria uma escalada implacável: derrubaria Temer, jantaria Rodrigo Maia, levaria a opinião pública para o seu lado e convenceria o povo que eleições diretas mês que vem é a solução pra tudo.

Ou seja, a esquerda ficaria na cara do gol para colocar a bola nas redes mais uma vez. A direita entraria em impedimento de novo, acreditando, inacreditavelmente, que não estava fazendo nada demais ao brigar entre si enquanto pedia "fora Temer" sem perceber a quem estava ajudando.

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