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[OPINIÃO] No limiar de um genocídio cultural no Mato Grosso do Sul

Fazenda Pouso Alto, antiga propriedade que serve de exemplo das antigas propriedades e núcleos que formaram a sociedade no Mato Grosso do Sul

Por Rudi Guimarães


Originalmente publicado no Instituto Iniciativa
 

Ao andar pelo extenso estado de Mato Grosso do Sul, e ao observarmos a indiscutível riqueza do campo, logo nos remetemos ao seu passado de grande e árduo trabalho de penetração humana, para sua colonização e reiteração de posse ao Brasil. Mas o que vemos hoje, nas cátedras de ensino, é uma história bem diferente da realidade, com várias ideologias no meio desse processo, falseando, com toda certeza, a verdadeira história deste espaço geográfico, sobre a qual me esforço um pouco para mostrar, a seguir, os motivos dessa tentativa macabra de se ocultar e deturpar a história.

O então sul do Mato Grosso, até o século XIX, reduzia-se ao povoado de Albuquerque (atual Corumbá), Miranda (núcleo nascido a partir do presídio de mesmo nome) e a Fazenda Imperial, que estava em plena decadência, até que este curso da história passou a mudar, na década de 1820, com a vinda de muitas famílias mineiras, com destaque especial a três famílias, os Garcia Leal, Barbosa e Lopes, todas de origem portuguesa e, em alguns casos, remetendo a troncos mais antigos, dos bandeirantes que foram os responsáveis diretos pela anexação de tal território à Coroa Portuguesa em 1750, através do Tratado de Madri. São esses, que de maneira bem improvisada e de forma familiar, passaram a ocupar esse vazio espaço.

Quase sempre vindo de carros de boi, abrindo as estradas através de machado e montando ranchos de pau-a-pique próximos a córregos e ribeirões, instalavam-se aquelas famílias de coragem, muitas vezes à mercê de indígenas ferozes e pouco amistosos, com um pequeno rebanho de reses, porcos e algumas sementes para começar uma roça de subsistência. Esses bravos heróis do passado ousaram chegar a lugares que não tinham nem mesmo estradas, sem qualquer certeza de serem recompensados pelo Estado, que na maioria das vezes contava com poucos recursos e estava impossibilitado de apoiar tais ações isoladas de civilização em meio ao sertão. E dessa maneira foram surgindo pequenas povoações, ao redor de capelas, com modestas casas, fazendo florescer um comércio tímido, mas pujante, com os mascates que por vezes passavam vindos do sudeste.

Pouco a pouco outras famílias, vindas em sua maioria de Minas Gerais, mas também de outros locais como o Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, foram se juntando e entrelaçando-se entre si, fazendo surgir dali um novo povo, um embrião para o que seria, no futuro, uma identidade sul-mato-grossense. Mas dessas uniões não se tornou difícil perceber que criou-se uma grande família entre esses pioneiros, que na maioria das vezes compartilhavam as mesmas origens, em maior evidência no cerrado, onde a predominância mineira é percebida pelas singelas construções das fazendas, pelo estilo de seus mangueiros, carros de boi, roca de fiar, e culinária local. Uma identidade que agora vem sendo ameaçada por uma política ambiciosa, que não vê limites para atingir seus interesses, e que vem sendo propagada com um verdadeiro arsenal na cultura, nas universidades e na mídia.

A ameaça em questão são as famosas demarcações de terras indígenas, que, com uma falsa desculpa de devolver a terra ao seus ”verdadeiros” donos, estão a promover a maior transferência de terras a multinacionais e ONGs da história, onde se visualiza o assassinato cultural e econômico de um estado em plena fase de desenvolvimento. Sendo realizada em várias frentes, esta operação macabra, através das universidades e escolas, ensina de forma falsa que nossos heróis do passado são genocidas, racistas, que por ambição ”exterminaram” uma população nativa e impuseram-se no novo território de modo a apagar a antiga cultura, e que é um dever sacrossanto para os jovens imbuírem-se de tal sentimento e irem à luta contra as injustiças do capital gerado pelo agronegócio, misturando-se discurso marxista de lutas de classe com o corriqueiro interesse marxista de dominar tal espaço através da disseminação do ódio e divisão. Outra frente tem como protagonistas os marxistas políticos, que usam de várias armas, entre elas as influências globalistas para diluir as soberanias nacionais, e os setores corporativistas de extração mineral interessados em terras sem donos e ricas em minérios, para forçar por via institucional tal crime contra a nação, o estado, e sua população.

Tal ensejo está sendo perpetrado de maneira sistemática, como revela a CPI do CIMI em Mato Grosso do Sul, e ao vislumbrarmos o quanto de território estadual já foi engolido em tal causa, como é o caso de mais de 800 mil hectares que antes eram produtivos e onde se tinha famílias que historicamente ali estavam vivendo, trabalhando e assim, de sua maneira, ajudando a desenvolver o país, ao passo que essa terra hoje está entregue ao verdadeiro abandono, onde os assim ditos nativos estão em situação de penúria, reféns da ação do Estado para sua própria sobrevivência, perdendo assim a dignidade de decidir seu próprio futuro — sendo vítimas da sana marxista de eclodir na população o sentimento de ódio e divisão, da destruição da cultura e da história de um povo — e ao mesmo tempo também nas mãos de órgãos internacionais que estão casados na ideia de acabar de vez com as soberanias nacionais, fazendo da ONU um órgão que impera sobre tudo e todos.

É com impávido desejo de ver que uma luta histórica não seja esquecida e soterrada, de ver que meu amado estado e país não sejam vítimas de tal sangria internacional, que denuncio um genocídio que está realmente acontecendo em nosso solo: o genocídio da cultura e da memória, a tentativa forçada de passar uma borracha no que aconteceu e substituir por uma narrativa inexistente. Com idêntica bravura dos ancestrais que colonizaram este belo solo, com a mesma força das pessoas que lutam com todos os meios para salvar sua família, sua casa e seu lar das garras famigeradas dos marxistas, verdadeiros inimigos da pátria, que termino aqui a minha pequena exposição do que hoje, de maior crime, acontece no meu Mato Grosso do Sul.

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