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[OPINIÃO] Bene Barbosa dá aula sobre armamento civil e deixa João Doria sem argumentos


Por Wilson Oliveira

Para quem se diz um gestor, não um político, João Doria mostrou que é a comunicação e o marketing que estão bem vivos na sua veia. Logo no começo da sua entrevista com Bene Barbosa, o prefeito de São Paulo aproveitou uma pergunta enviada por uma seguidora para fazer propaganda de dois programas seus de governo, com uma resposta extremamente longa, citando alternadamente o nome do Bene, numa clara tentativa de envolver o seu convidado às ideias elaboradas para a prefeitura paulista.

Quando finalmente fez a primeira pergunta ao seu convidado, Doria permitiu apenas que poucas palavras fossem faladas por Bene na resposta sobre se gostava de São Paulo. O prefeito cortou o seu convidado logo após ele falar que a cidade "cobra caro, mas dá muita coisa em troca". Não é possível afirmar se João Doria ficou preocupado com o que poderia vir adiante na resposta, mas o fato é que ele logo emendou com "quem mora em São Paulo é apaixonado pela cidade".

Com quase quatro minutos de vídeo, parecia que Doria enfim começaria a falar do que todos queriam ouvir, mas não. Ele respondeu outra pergunta de um seguidor, sobre a privatização do Pacaembu, que o tucano afirmou "que não é uma privatização", mas sim uma concessão. Uma amostra inequívoca do quão presente está a social-democracia na mente do tucano. Não foi animador ouvir isso, ainda mais com tanta demora pra iniciar o assunto central do bate-papo com Bene Barbosa.

Somente com quase nove minutos de vídeo foi dada a oportunidade para Bene desenvolver seu raciocínio sobre armamento, depois do prefeito João Doria ter feito um discurso explicando que pessoalmente não gosta de armas, mas que respeita quem opta por ter alguma dentro da lei. Foi nesse instante que aconteceu o momento mais impactante da entrevista: Se Doria tinha alguma dúvida que estava diante de outro craque da comunicação e do discurso, essa dúvida foi esmagada tão logo Bene começou a se articular.

O especialista em segurança pública que não repete os chavões ditos por aqueles especialistas queridinhos da grande mídia relembrou a questão do estatuto e do referendo do desarmamento em 2005, durante o governo PT, no auge do Mensalão. Assim como promoveram um rolo compressor de apoio (classe política, mídia e artistas) pela opção da retirada das armas das mãos dos cidadãos trabalhadores, Bene Barbosa foi como um rolo compressor para explicar as incongruências permanecidas até hoje no Brasil sobre a questão. Os marginais continuam armados justamente porque vivem às margens da lei, ao passo que a criminalidade só cresce.

Quando o prefeito João Doria começou a expor as suas ideias sobre segurança pública, infelizmente o que se viu foram apenas perfumarias, as chamadas "medidas acessórias", pois deveriam vir acompanhadas de uma principal, o que não é o caso do município de São Paulo. Câmeras e iluminações de led foram citadas por Doria como se fossem as mudanças que definitivamente trariam segurança à população. Mas o ponto central permaneceu negligenciado pelo tucano: é impossível o Estado proteger todo cidadão, porque é impossível o Estado estar em todos os lugares, ao mesmo tempo, com homens da polícia. Sempre haverá alguém jogado a própria sorte quando anda nas ruas. Estando, portanto, desarmado, aquele alguém torna-se uma presa muito mais fácil para o assaltante, o assassino ou o estuprador.

Num momento posterior da entrevista, Bene Barbosa foi bastante feliz ao criticar a limitação legislativa imposta aos municípios impedindo que os mesmos tratem do tema da segurança pública. Evidentemente, por essa questão, não há muito o que o prefeito realmente possa fazer além de iluminação, filmagens e outras medidas do mesmo grau. Mas é claro que a entrevista também serviu para que a violência fosse discutida por todos os seus ângulos, de forma conceitual e até ideológica.

Bene se saiu vitorioso ao deixar sua mensagem de forma muito clara, inclusive citando o fato do Canadá e dos Estados Unidos serem países com uma população amplamente armada, enquanto os índices de homicídios são bastante pequenos. E antes que pudesse ser questionado pelo fato de estar citando países desenvolvidos do hemisfério norte, Bene Barbosa lembrou que o Uruguai, país com população armada, possui o segundo menor índice de homicídios da América do Sul, perdendo apenas para o Chile. E o Paraguai, apesar de possui um problema sério de pobreza, é outro bastante liberal no contexto das armas e com índice baixíssimo de homicídios, que só não é menor justamente por fazer fronteira com o Brasil.

A mensagem que fica após a edição do "Olho no Olho" do prefeito João Doria com Bene Barbosa, é que Doria precisa levar consigo, para sempre, tudo o que foi dito por seu convidado sobre segurança pública, principalmente sobre armamento civil. Infelizmente o Brasil sofre um problema crônico que é a contaminação da esquerda nos assuntos referente à violência. O tema é comumente tratado com relativizações, desvios dos pontos centrais e clichês completamente desconectados da realidade.

Por exemplo, é absurdo acreditar que um criminoso enveredou pelo mundo do crime por ser pobre. Esse discurso da esquerda é altamente preconceituoso e soberbo, já que todos os líderes de esquerda que disparam essa atrocidade pertencem à elite. Mas eles se esquecem das inúmeras pessoas que vivem na pobreza, mas com dignidade, se negando a entrar no mundo do crime. É por causa delas que existem outras pessoas defendendo o direito do cidadão comum ao porte do arma, justamente porque é sabido que o Estado se esquece dessas pessoas, assim como os esquerdistas também se esquecem quando abrem a boca para falar as suas asneiras sobre violência e armamento civil.

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