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[CRÔNICA] Fim do grupo de trabalho em Curitiba parece ter sido jogada de xadrez da Polícia Federal


Por Wilson Oliveira

Quinta-feira. Nove horas da noite. Rio de Janeiro. Fiquei raciocinando, pensando, tentando ligar os pontos, buscando explicações cabíveis e lógicas e averiguando o histórico recente da Lava Jato para tentar encontrar algum sentido no fim do grupo de trabalho de Curitiba. Os pontos precedentes que temos são:

- Os principais casos de Curitiba, que dizem respeito ao Lula (tríplex e sítio em Atibaia), estão prestes a serem concluídos - praticamente só falta o juiz Sergio Moro dar seu veredito (não há mais investigações a serem feitas, inclusive os procuradores já apresentaram a versão final da acusação);

- Os casos envolvendo políticos com foro privilegiado estão no STF, sob a batuta do ministro Edson Fachin, cujo grupo de trabalho responde exclusivamente àquele Tribunal (portanto, não tem nenhuma conexão com esse grupo de trabalho de Curitiba);

- Os demais casos envolvendo gente que não possui foro privilegiado estão com o juiz federal de Brasília, Ricardo Leite, que também já demonstrou sua competência tal qual Sergio Moro, e que possui seu próprio grupo de trabalho;

- Outra ponta forte da Lava Jato, envolvendo as empreiteiras como a Odebrecht, está com o juiz federal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, que já mandou para cadeia Sergio Cabral, Eduardo Cunha e Eike Batista, e que também conta com um grupo próprio de trabalho.

É óbvio que fica uma dúvida no ar enquanto não houver uma explicação aberta e transparente sobre o fim desse grupo de Curitiba. Por outro lado, é necessário pensarmos também que isso um dia iria acontecer. Essas delegados investigadores que se dedicaram exclusivamente à Lava Jato pertencem a outras equipes que, desfalcadas, estavam com dificuldades para levar outras investigações adiante, inclusive também envolvendo políticos, como a "Carne Fraca".

Outra questão importante é que em momento algum o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, demonstrou alguma motivação para desconfiarmos que ele estivesse ao lado dos políticos investigados, querendo acabar com a operação. Pelo contrário, não é de hoje que afirma-se que aqueles que assumiram o Ministério da Justiça nos últimos tempos queriam tirá-lo do comando da PF. Mas nunca fizeram e a Lava Jato sempre se manteve de pé.

Portanto, uma possibilidade que me parece mais lógica (e isso é apenas uma suposição, não uma informação) é que Daiello está jogando xadrez, aproveitando que os trabalhos em Curitiba estão se encerrando para se antecipar, desfazendo a equipe alegando realocação de recursos e, com isso, já sabendo que haveria uma reação popular, colocar uma pressão no governo federal, que cortou orçamento em várias frentes, inclusive da Polícia Federal, mas não cortou para os parlamentares alegando que trata-se de um "orçamento impositivo".

Daiello ganhou alguma moral quando o atual ministro da Justiça, Torquato Jardim, se viu obrigado a falar em público que não o tiraria da direção-geral da Polícia Federal. Agora Leandro, talvez, esteja se aproveitando para promover a sua jogada de xadrez, numa tentativa de colocar o governo federal contra a parede. Mas certeza mesmo só vamos ter quando houver maiores esclarecimentos a respeito - se houver.

O único fato que se faz presente continua sendo o mesmo que já se fazia inquestionável desde sempre: a maior punição que a classe corrupta da política brasileira pode sofrer é em 2018, nas urnas, com a rejeição dos eleitores brasileiros. Teremos pleitos com a maior quantidade de candidatos que vem de fora da política para mudar o país. Basta os eleitores terem consciência disso na hora de fazerem suas escolhas.

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