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[CRÔNICA] Após nova legislação imposta ao Uber, admiração por Doria cai ainda mais


Por Nivia Junqueira

A euforia João Doria durou pouco. Depois da medida sobre a nova legislação imposta aos aplicativos como Uber e 99, a admiração pela gestão Doria caiu mais uns pontos entre os eleitores que estão cansados da velha maneira de se fazer política.

João Doria começou com ótimas medidas e sim, é inegável que melhorou vários pontos da cidade. Ele se arrisca ao tomar medidas impopulares para uma parcela da população chata e barulhenta, como a possíveis privatizações, ações mais duras contra pichadores e tentativa de por fim à cracolândia e tratar os dependentes químicos através de internação compulsória. Não tenho o que dizer quanto a isso. Total apoio a essas medidas.

Mas como gestor, atender a um cartel de taxistas e adotar medidas antiliberais certamente não agradou a mim e a muitos liberais ou liberais-conservadores. Nem a qualquer cidadão cansado de burocracia e taxas impostas. Esperávamos mais em relação a isso.

Uber x Taxi

A nova legislação obriga a utilização de carros com placa de São Paulo, dificultando o uso de carros alugados. Carros da empresa Localiza, por exemplo, possuem placas de Belo Horizonte e são alugados exclusivamente por pessoas que desejam e precisam de uma renda extra ou de uma forma de renda mensal.

Muitas destas pessoas estão desempregadas e sem dinheiro. Por isso mesmo não possuem condições de comprar um carro para se adequar às exigências da Prefeitura e seus vereadores que se deslocam tranquilamente com carros e combustíveis pagos com seu dinheiro.

É mais garantido se comprometer com um valor mensal de aluguel de carro do que com anos de parcelamento e seguro, no caso de um carro comprado. Mas parece que a prefeitura ignora isso.

Prejudica também a prestação do serviço por pessoas de outras cidades vizinhas. Motoristas saem de cidades como Carapicuíba, Taboão da Serra, Osasco, região do ABC entre tantas outras e vem para São Paulo trabalhar como motorista de Uber, 99 e outros aplicativos. Essas pessoas compraram e emplacaram seus carros em suas próprias cidades. Ajudaram o comércio local. E agora passam a ajudar também a cidade de São Paulo. Tanto com o serviço que prestam como motoristas, como através do consumo de combustível em postos de gasolina da capital.

Qual a razão lógica de impedir que pessoas de cidades que fazem parte da Grande São Paulo, que são coladas em São Paulo, e que por isso mesmo vivem aqui, trabalhando, consumindo, prestando serviços, estudando, possam andar livremente sem se preocupar com uma porcaria de emplacamento? Só há razões para o estado: adoram burocracias e modos de taxação. 

Essas pessoas só queriam a liberdade de ir, vir e servir com seu automóvel. Mas agora se veem obrigadas a largar o trabalho de motorista porquê a prefeitura de São Paulo acha errado uma placa de outra cidade trafegar com passageiro/cliente dentro da cidade. Ou então, em 180 dias elas que se virem para emplacar um carro em São Paulo e continuar trabalhando dentro da lei.

Será obrigatório também a realização de um curso de “treinamento de condutores” com 16 horas de duração. Eu ainda não vou me manifestar quanto a isso até ver a qualidade desse tal curso. Mas uma coisa é certa, útil e já praticada: o consumidor pode (e deve) avaliar o motorista diretamente através de seu Smartphone.

Se o motorista é ruim ele corre até mesmo o risco de ser desligado do sistema da empresa. Será mesmo que um curso promovido pela secretaria de transportes ou qualquer outro órgão municipal é necessário e fará diferença na sua vida e na do condutor? Em todo caso, como existem muitos motoristas ruins, vou aguardar para saber. Dos males, esse ainda é o menor. 

Outras duas exigências: identificação visual do carro como parceiro do(s) aplicativo(s) e a inspeção veicular anual para atestar a “limpeza e higiene” do veículo. Esta última me dá uma vontade absurda de rir. Eu me lembro de tantos táxis sujos e mal cuidados que já peguei aqui em São Paulo. Desconheço alguma inspeção para "atestar limpeza e higiene" desses táxis. Mas dos aplicativos já existe. E sabe quem faz essa inspeção todos os dias? Você, consumidor!

Basta dar 1 estrelinha para o motorista e comentar sobre a sujeira do carro dele e a empresa do aplicativo o notifica imediatamente. A nota dele, visível a todos, cai. E quando você for chamar por outra corrida você pode escolher um motorista com uma melhor nota. Simples e fácil.

Mas a prefeitura não acha isso suficiente. Ela quer uma inspeção anual feita pelos seus fiscais para que os serviços de transporte por aplicativo sejam mais justos e benéficos para a população. Repito: anual! Copiando o jargão da internet: "vai dar certo sim 'abiguinho', pode acreditar".
E quanto à "identificação visual do carro como parceiro dos aplicativos". Parece-me que a prefeitura subestima a capacidade dos passageiros lerem a placa descritiva no aplicativo e comparar com a placa do carro que chega para buscá-los. Ou seria essa uma medida para facilitar que seu carro seja identificado por alguns poucos taxistas revoltados e violentos, loucos para intimidar um motorista de aplicativo? Totalmente desnecessária e arriscada uma medida como esta.

Esse final de semana mesmo, o carro de um motorista da 99 teve seu vidro traseiro quebrado por taxistas, próximo ao Vila Country. Área inclusive dominada por certos taxistas que ameaçam Ubers e motoristas da 99 que tentam trabalhar por ali. Casos assim são comuns em determinadas regiões de São Paulo.

Agora imagine o carro com identificação visual. Péssima medida nesta nova legislação. Também não será isto que evitará assaltos. As tecnologias de rastreamento usadas pelas empresas são muito mais eficazes para segurança do passageiro e motorista.

Mas agora vem a melhor parte disso tudo! Os motoristas também terão que se registrar no Cadastro Municipal de Condutores (Conduapp) e obter o Certificado de Segurança de Veículo de Aplicativo (CSVAPP).

Bom, vamos recapitular algumas coisas necessárias para você dirigir no Brasil:

- pagar de 500 a 1500 reais para tirar uma CNH;
- De 100 a quase 200 reais para emplacar o carro;
- DPVAT;
- Licenciamento;
- IPVA;
- Seguro, porque não temos segurança nas ruas;
- Impostos abusivos sobre o valor do carro fabricado no próprio país.

Não bastasse isso, agora o cidadão que necessita trabalhar como motorista terá que desembolsar mais um pouquinho, perder horas de trabalho, aturar uma fila num estabelecimento municipal e pagar algumas taxas para obter certificados inúteis.

As formas que arrumam para tirar tempo e dinheiro dos trabalhadores são incríveis.


Você sabe desde quando os sindicatos de taxistas já existem em São Paulo? 70 anos! Isso mesmo, SETENTA ANOS! Ele teve sua carta sindical expedida pelo Ministério do Transporte em 1946.

70 anos recebendo impostos sindicais e jamais pensaram em modernizar a forma e o sistema que os taxistas trabalham? Em nenhum momento pensaram em como facilitar a vida dos taxistas para eles pegarem mais corridas ou captar mais clientes? Ou aumentar a segurança deles durante as corridas?

Em nenhum momento pensaram numa forma do serviço ser otimizado, mais limpo e higiênico? Não!

Sabe porquê? Porque quando você faz parte de um monopólio você deita a cabeça no travesseiro e não se preocupa com concorrência. E quando surgem empresas privadas com ideias geniais para solucionar alguns problemas e gerar emprego, elas são atacadas como injustas por quem domina o mercado "apenas" há 70 anos.

E quanto você entra no site do sindicado de taxistas de São Paulo você ainda é obrigado a ler o seguinte: "esperamos que possamos nos livrar dos aplicativos que vêm sobrecarregando os motoristas com seu modelo extremamente injusto de negócios".

E continua, mencionando um tal aplicativo para a categoria de taxistas: O aplicativo exclusivo da categoria conta apenas com motoristas credenciados, regulamentados e legalizados. Uma ferramenta que servirá, antes de tudo, ao profissional taxista. Sem exploração de taxas e sem imposições em decisões polêmicas, como outros exploradores que se instalaram no meio da categoria. Um aplicativo construído com muita dedicação durante meses de estudo de mercado e pensando principalmente em como conciliar interesses e demandas entre taxistas e clientes.

70 anos promovendo cartéis e monopólios para, ao ver empresas privadas gerando concorrência, vir falar em "exploração", isenção de taxas e imposições polêmicas?

Felizmente não são todos os taxistas que se submetem à força sindical e acreditam que todas as regulamentações exigidas são para beneficiá-los. Vários motoristas já perceberam que mais liberdade e concorrência pode levar à diminuição de taxas, bem como redução dos altos valores de licença de placa vermelha, por exemplo.

 Para não me estender ainda mais, termino com esse trecho, também encontrado no site do Sindicato, palavras do diretor:

"Em abril, vale recordar, nós também tivemos uma vitória histórica em Brasília que pode significar mais um ponto de trajetória ascendente nesta curva da batalha contra o transporte clandestino. Se hoje, nós estamos colhendo alguns frutos nessa luta incessante, nós temos que agradecer a cada uma destas pessoas que colaboraram nesse longo processo de quase três anos, desde que tivemos a primeira reunião no Sindicato, aqui em São Paulo, para discutir nosso plano de ação que combateria essa empresa."

Enfim, é extremamente lamentável que nosso prefeito gestor seja uma dessas pessoas que colaboraram para o plano de ação do sindicato de taxistas combater empresas como Uber, 99, Cabify e outras.

A pressão por parte dos sindicatos e donos de frotas sobre a prefeitura de São Paulo sem dúvidas é muito grande. Sabemos que o lobby é forte. Mas tão grande quanto, é a pressão que os cidadãos sofrem diariamente, tendo que pagar elevados impostos. Somos obrigados a acatar medidas que dificultam a geração de emprego e não diminuem os valores de serviços e produtos prestados. Ou ainda, que não ajudam em nada na melhoria da qualidade e conforto dos mesmos. 

É justamente disso tudo que estamos cansados. De políticos que se rendem aos desejos e influências dos grandes e ignoram o melhor pra população e pra liberdade econômica e criativa do país.

Lembrem-se, a mudança não virá com um dito "representante do povo" eleito nas urnas. A mudança virá com a transmissão de ideias contra a velha política e a velha economia presa ao Estado.


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