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[OPINIÃO] Só com a diminuição do poder do Estado iremos diminuir a força das quadrilhas políticas


Por Wilson Oliveira

Para os desavisados de plantão, foi uma surpresa o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ter aderido ao compromisso do PT de lutar pela antecipação das eleições diretas, o que, na ótica petista, pode ser uma excelente arma para dar sobrevida ao também ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, que está na mira da operação Lava Jato. Mas para todos aqueles brasileiros que vivem a inquietude de terem suas vidas sofrendo excessos de intromissões do Estado, isso não foi nenhuma surpresa. E quando se fala do Estado, leia-se todo esse emaranhado político correspondente a diferentes partidos e envolvido até a alma com a corrupção, mas que quando vê seus status quo ameaçado é capaz de se unir sem qualquer cerimônia para manter tudo como está.

A situação que está exposta é que o brasileiro não aguenta mais ver a sua vida depender dos passos que os governantes dão e que, para piorar, costumam ser passos na direção da conduta corruptiva. O brasileiro quer poder levar a sua vida de forma independente, poder tomar suas próprias decisões e não ver o seu planejamento pessoal ir para o buraco porque o ministro X ou o deputado Y fez tal coisa. Mas é óbvio que nem todo mundo ainda entendeu isso e acha, equivocadamente, que o seu próprio bem-estar está atrelado a alguma ajuda que precise receber do governo. No dia que o brasileiro entender que pedir ajuda para o governante é dar poder para os corruptos, aí sim veremos o panela política da corrupção ruir.

A coisa funciona da seguinte forma. O cidadão fala que o governo precisa fazer isso, precisa ajudar naquilo. E o governo responde: "Então ok, mas para eu te ajudar nisso e fazer aquilo outro, preciso que você me pague uma quantia a mais de imposto". O imposto é o grande combustível da corrupção. Ou por já ser o bastante para o mais basilar dos crimes: que é o desvio - ou para "empoderar" quem está no governo, seja abrindo uma estatal ou seja turbinando uma que já existe. E com o poder cada vez mais amplo inclusive para intervir na economia, até mesmo os empresários vão recorrer a quem está no governo. Fica todo mundo recorrendo aos governantes, que se acham os reis mesmo sem a existência de uma monarquia.

E perceba que nas propagandas partidárias veiculadas na televisão, quase todas as legendas utilizam o mesmo "código" para o esquema: justiça social. O significado genuíno desse termo é a existência de um Estado com poder centralizado responsável por estabelecer uma transferência de renda com o objetivo de impedir que uns fiquem muito ricos e que outros fiquem muito pobres. É exatamente o que você está suspeitando: estamos falando do socialismo com outro nome. Mas na prática, os muito ricos se enriquecem de qualquer forma, pois eles contam com a ajuda do próprio governo para isso. E os mais pobres só ganham a companhia de mais pessoas que empobrecem. Não foi isso que aconteceu com 14 milhões de pessoas ficando desempregadas no governo do PT?

As pessoas precisam parar de repetir esse bordão criado pelos políticos sociais-democratas de que "é preciso distribuir a renda". No Brasil, isso significa pegar a renda dos trabalhadores e distribuir entre os políticos e seus amigos. O que nós precisamos no nosso país é ter a possibilidade de cada um de nós aumentar a própria renda sem sofrer com a intromissão governamental. E repare que os políticos brasileiros, quando vão pra televisão, nunca falam que o cidadão brasileiro precisa aumentar sua renda; eles optam por dizer justamente que é preciso distribuir a renda, fazer a "justiça social". E ainda tem pessoa comum que repete isso como se fosse, de fato, a solução para os nossos problemas.

Na sua entrevista à Revista Época, Joesley Batista, da JBS, repetiu o que outros depoentes já falaram ao dizer que Lula e o PT institucionalizaram a corrupção no país, mas em outra resposta tentou jogar algo novo no ar afirmando que Michel Temer é o "chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil". Na suspeita deste que vos escreve, uma tentativa de dizer que Lula e PT são águas passadas, passíveis de esquecimento, e que Temer e o PMDB são as únicas coisas com as quais cidadãos e opinião pública devem se preocupar. O que não se pode deixar passar batido é que os dois fatores são irmãmente conectados. PMDB e PT são sócios em tudo o que fizeram enquanto estiverem juntos. E nada impede que os dois partidos voltem a se unir por algo que julgarem propício para tal.

É exatamente por isso que apenas com a diminuição do poder do Estado iremos diminuir a força das quadrilhas políticas que se instalam no governo. E com o poder político sendo tão amplo como ele é no Brasil, fica ainda mais fácil essas quadrilhas se renovarem, mesmo com uma mudança de partido no comando. A facilidade para roubar faz os ladrões não desistirem de estarem nos lugares que eles consideram ideais, que é justamente na cadeira de quem tem o poder. Mas quando se diminui o poder do Estado, exigindo o fechamento ou a privatização de empresas privadas e a radical redução dos sustentáculos do poder, estar na posição de poderoso torna-se muito mais vulnerável, por isso mesmo bem menos atraente para os corruptos de plantão.

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