Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

[OPINIÃO] A luta que temos pela frente é muito maior do que uma foto do Alexandre Borges com João Dória


Por Wilson Oliveira

Eduardo Bolsonaro está precisando calçar as sandálias da humildade e reconhecer que ele, seu pai e seus irmãos não irão salvar o Brasil, mudar a política nem acabar com tudo o que há de maléfico sozinhos. O máximo que eles podem fazer é ajudar, assim como qualquer pessoa, dentro ou fora da política.

Se existe uma vontade de fazer frente à esquerda, essa vontade precisa vir acompanhada de inteligência e estratégia. Eduardo não pode cair no erro de achar que por ter uma legião de fiéis seu pai irá vencer "contra tudo e contra todos". Isso não existe na política. Não se pode menosprezar o poder da opinião pública de derrubar candidatos, por exemplo.

Uma acusação, se for bem feita, pode estragar qualquer reputação, mesmo se as palavras que constam na acusação forem mentirosas. Até se provar inocência, uma eleição pode ser perdida, uma esperança pode ter sido jogada na lata do lixo e um esforço enorme pode ter sido em vão. Jair Bolsonaro, caso realmente venha a concorrer à presidente, precisará de apoio de gente gabaritada para defendê-lo dos rótulos que tentarão lhe imputar ano que vem, que serão de "louco" pra baixo.

Ao criticar diretamente Alexandre Borges por uma foto tirada com João Dória, Eduardo Bolsonaro provocou mais uma derrota à direita brasileira. Borges tem sido um importante nome na disseminação de ideias conservadoras e na defesa de pautas importantes para o equilíbrio da balança discursiva, que no Brasil desde muito tempo tem pesado apenas para o lado dos progressistas.

Os brasileiros não fazem a mínima ideia do que seja "conservadorismo político" (que foi muito bem explicado e demonstrado por Carlos Andreazza em seu artigo no jornal O Globo), mas mesmo assim demonizam esse termo, porque foram ensinados pela esquerda a agir e pensar dessa forma.

E quando um político promissor dessa corrente demonstra que está disposto a jogar todo esse trabalho hercúleo de esclarecimento cultural, filosófico e político na lata do lixo simplesmente porque um dos comunicadores tirou uma foto com um prefeito que, em tese, é adversário do seu pai na disputa presidencial de 2018, ele demonstra que sua preocupação proeminente não é com o crescimento da direita em si, mas apenas com a vitória eleitoral - ou eleitoreira - de seu pai.

Será muito desastroso se a intenção de Eduardo Bolsonaro realmente for essa, pior ainda se ele sempre se dispuser a bater até mesmo em quem está no mesmo barco. Dessa forma, ele estará agindo justamente igual a Luis Inácio Lula da Silva, que jamais permitiu, antes de virar presidente, que pudesse surgir no PT outra figura política de expressão nacional - Lula tinha medo que nascesse um concorrente dentro da sua própria casa.

Acontece que uma coisa é ter sede e fome pelo poder, outra coisa é acreditar em ideias e querer vê-las progredir. A direita, tradicionalmente, por suas raízes conservadoras, se apoia no segundo ponto, pois é frontalmente contra a colocação de pessoas acima das convicções, pois pessoas erram, podem trair, podem se corromper. Já as nossas ideias nada mais são que uma relação entre o indivíduo e a sua própria consciência.

Estamos há alguns anos, em solo brasileiro, lutando contra o projeto de poder do PT, que aparelhou o Estado para tomar conta do Brasil, se achar o dono do país. Seria decepcionante retirarmos um grupo do poder e colocar outro que queira agir de modo parecido.

É por isso que sempre é importante repetir: não existem salvadores da pátria. Não podemos pensar que o mundo irá acabar caso Bolsonaro não seja eleito em 2018. A luta que temos pela frente é muito maior do que isso.

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.