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[OPINIÃO] Julgamento da chapa Dilma/Temer só reforça: precisamos mudar todo o Congresso em 2018



Por Wilson Oliveira

O professor de economia da UNB Adolfo Sachsida, numa carta publicada no Facebook em que manifesta apoio à candidatura de Jair Bolsonaro à presidência, escreveu: "As eleições ainda estão longe, é verdade. Mas a recente decisão do TSE, de não cassar a chapa Dilma-Temer, foi a gota d'agua para mim. Ficou claro que o Brasil precisa urgentemente mudar seu establishment político, intelectual, jurídico e econômico. Ou mudamos ou estaremos condenados a repetir eternamente a sina de promessas para um futuro de prosperidade que nunca se realiza". O sentimento que deve prevalecer é justamente esse. Não podemos nos iludir acreditando que a mudança virá daqueles cujas atitudes são condenadas por nós.

Quando entregamos, seja ao Superior Tribunal Federal ou ao Tribunal Superior Eleitoral, a esperança de que alguma mudança possa acontecer de acordo com aquilo que desejamos, estamos nos iludindo. Os ministros pertencentes a esses tribunais superiores foram indicados por esses mesmos políticos que queremos ver longe da política. Não é razoável, portanto, acreditar que esses seres iluminados do judiciário atenderão a todos os anseios da população, quando o status de praticamente inatingível que eles possuem se tornou realidade graças a essas pessoas que, em tese, eles deveriam julgar e punir quando comprovado delito.

Chega a ser paradoxal os becos sem saída que nos encontramos ao analisar os acontecimentos da política brasileira. O PSDB, que entrou no TSE com a tal ação contra a chapa Dilma-Temer, também se beneficiou do abuso do poder econômico nas eleições de 2014, segundo depoimentos prestados na Operação Lava Jato. De repente, ficou escancarado para todo Brasil que o erro cometido pela campanha da dupla PT-PMDB, na verdade, foi cometido por praticamente toda classe política cuja qual somos obrigados a sustentar.

É doloroso saber que estamos nessa situação há muito tempo - desde o golpe que forçou o surgimento da República no Brasil. Porém, mais doloroso ainda é saber como o povo brasileiro ficou tanto tempo off line, achando mais importante se informar sobre qualquer outro assunto, enquanto essa elite política fazia praticamente o que bem entendia. Também somos culpados por termos permitidos que a situação chegasse ao ponto que chegou. Aliás, se não fizermos esse mea culpa será sinal que ainda não estamos preparados para promovermos nenhuma mudança em nosso país.

Após formulamos essa consciência de forma muito sólida, teremos que partir para o próximo passo. Punir, implacavelmente, os políticos com a arma mais poderosa que temos atualmente: o voto. Não digo nem apenas pela absolvição de Michel Temer, mas a forma como aconteceu o julgamento da chapa no TSE, com caráter totalmente político, mostra como as coisas no Brasil estão tomando rumos completamente descontrolados. Vemos procurador-geral da República discutindo publicamente com ministro de tribunal superior; vemos membros do governo federal ameaçando derrubar o diretor da Polícia Federal; e vemos também parlamentares discursando contra a maior operação anti-corrupção do Brasil como se a Lava Jato fosse a grande vilã da história.

Portanto, o próximo passo é renovarmos completamente o Congresso em 2018, assim como faz-se necessário termos um presidente da República que não precise agir de acordo com interesses casados com esquemas mafiosos da corrupção. O Brasil tem que escolher se quer seguir o caminho do acerto ou se quer seguir o caminho do jeitinho. E não adianta sonharmos com soluções mirabolantes como revoluções, invertenções, mais golpes etc. Sabemos, no fundo das nossas almas, que nada disso é uma opção. Nós, brasileiros, não temos nem a tradição de protestar nas ruas com frequência como possuem os argentinos, por exemplo. Quanto mais faremos algum dia um movimento parecido com a esquerda francesa, que promoveu a maior "Revolução" política do século XVIII - algo que assim como o pai do conservadorismo Edmund Burke, este que vos escreve também tem muitas críticas.

A respeito da confiabilidade no sistema eleitoral, é óbvio que é direito de todo brasileiro desconfiar da lisura do processo. Mas assim como o professor Adolfo Sachsida, muitos que estão insatisfeitos com essa elite política depositam suas fichas em Jair Bolsonaro. Portanto, se acreditam na possibilidade dele chegar ao segundo turno das eleições ou até mesmo ser eleito, é sinal que acreditam obter vitória através desse sistema eleitoral. O mesmo precisa valer para os votos para o legislativo. É o primeiro passo para promovermos as outras mudanças necessárias. Também é a opção mais real, porque todas as outras são muito fortes apenas para apimentar os nossos debates entre amigos e conhecidos.

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