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[OPINIÃO] Eleitores de Trump e Bolsonaro estão de saco cheio das teorias irreais da esquerda



Por Pedro Augusto

Em uma das cenas de um dos filmes do Tropa de Elite, Matias, que é um policial, cujo qual colegas da universidade não sabem de sua profissão, diz que da janela das casas deles era impossível ver a realidade. É um momento que expõe algo cada vez mais presente no momento atual do Brasil: o contraponto entre realidade versus a classe intelectual, seja ela em formação ou já atuante nas faculdades e grande mídia. O mundo real é composto de pessoas reais, com preocupações reais e que vão além de muitos debates intermináveis sobre os mais diversos problemas.

Talvez a maior prova do descompasso entre realidade e classe intelectual atuante ou em formação, revela-se hoje quando qualquer análise do cenário político-econômico-cultural é resumido em meia duzia de palavras vazias de sentido, que banalizam os fatos reais e até o próprio idioma, profetizado por George Orwell em 1984. Por exemplo, a vitória de Trump e a ascensão de um Bolsonaro, para estes "especialistas" e universitários, não passam do crescimento de extremismos e intolerâncias, de uma volta do fascismo e de políticas do nazistas, apesar desses mesmos comentaristas sequer tenham lido qualquer livro que tenham originado essas duas ideologias, e que inclusive, acham que Hitler fundou o nazismo.

Mas então, o Brasil está caminhando para o extremismo? Bem, eu costumo dizer que as pessoas escolhem um candidato para o Poder Executivo por três motivos: alinhamento ideológico, opção pelo mal menor ou por questões econômicas e de segurança. E o último motivo é o decisivo entre àqueles que decidem eleições: os apolíticos, aqueles que votaram em Obama e hoje em Trump, àqueles que votaram em Lula e Dilma e que agora poderão votar em Bolsonaro numa possível candidatura, aqueles que não veem distinção entre direita e esquerda.

A grande parcela de eleitores de Trump não são formadas de pessoas intolerantes, mas sim de gente que viu em oito anos o poder de compra cair, que não conseguiu empregos tão bons, que está com medo da violência nas fronteiras, que perdeu seu emprego e que foi atingido economicamente pelo Obamacare. No Brasil, as pessoas que votarão e já estão fazendo campanha para Bolsonaro, no geral não são extremistas. Na verdade elas nem sabem o que é direita ou esquerda e nem se identificam com o PSC. Elas estão é com medo da violência que assola este país, dos mais de 60 mil homicídios anuais. Elas também estão perplexas com a corrupção, sem perspectiva por causa da crise, e encontram um discurso que é sensível aos seus problemas reais.

Algumas das pesquisas à presidência de 2018 expressam bem isso. Como uma pesquisa do Datafolha revelou, 59% dos eleitores de Bolsonaro tem até 34 anos. Um grupo ainda jovem, que tem todo o mercado de trabalho pela frente e que está incerto quanto ao futuro econômico do país. Muitos são pais e mães que ainda tem um filho e que ainda temem pelo sustento deles. Outro dado que chama atenção é que 58% dos eleitores do deputado são pessoas que tem apenas o ensino médio, que além de recaírem no exemplo anterior, geralmente moram nos subúrbios do país, sentem o clima de insegurança e acreditam que a linha dura do ex-militar poderá protegê-los da criminalidade. Portanto, o que há é um grupo de eleitores que não se identificam com o partido, mas sim com um discurso em que enxergam sinceridade, identificação com problemas de violência, e que além do mais, não veem o seu favorito para 2018 envolvido nos escândalos de corrupção.

Não estamos perto do nazismo e nem do fascismo, as pessoas no geral não estão extremistas. Elas apenas estão com medo por causa da crescente insegurança e dos discursos e ações cada vez mais "moles" dos governantes. Essas pessoas estão na verdade é de "saco cheio" da política e dessas teorias irreais da esquerda, desse descompasso entre classe intelectual e realidade. Elas estão votando contra o establishment brasileiro, que quanto mais o tempo passa, mais está afundado na corrupção.

Converse com um taxista, um motorista da Uber, pegue um ônibus, vá a um hospital, à fila do banco ou numa igreja e ateste isso. Fale com pessoas reais.

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