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[CRÔNICA] Decepcionante editorial da Gazeta do Povo defendendo limites para a piada de Danilo Gentili


Por Wilson Oliveira

Quarta-feira. Uma e meia da tarde. Facebook. Passeava pela timeline da citada rede social e de repente vi, para a minha surpresa, várias pessoas compartilhando um editorial do jornal Gazeta do Povo cujo título é "Danilo Gentili e os limites da liberdade de expressão".

Achei estranho. Nem deu nem para me iludir achando que o texto defendia a liberdade de expressão, pois nos comentários dessas postagens dos meus amigos facebookianos já havia um claro e manifesto descontentamento com o teor do editorial, que prega justamente um limite para o humor.

É preciso ficar bem claro: o jornal Gazeta do Povo se deu ao trabalho de fazer um editorial sobre o vídeo de Danilo Gentili trollando a deputado Maria do Rosário para pregar limites para as piadas (não é um simples artigo que conta a opinião pessoal de um colunista. É o artigo que representa a opinião institucional do referido jornal).

Logo no subtítulo da publicação, é possível perceber uma mão pesada do "politicamente correto". Repare: "O simples fato de ter origem em alguém que exerce a profissão de fazer os outros rirem não transforma tudo que um humorista faça em algo lícito, correto ou conforme ao Direito". Ora, será que agora vamos ter que transformar piadas em palestras constitucionais?

Na sequência do texto existem várias passagens defendendo que o humor precisa "ter um limite para não perder sua liberdade". O autor ou os autores deveriam fazer uma leitura com objetivo auto-crítico para perceberem como eles caíram desgraçadamente em contradição.

O editorial quer que limites sejam estabelecidos para a piada. Mas em momento algum fala quem deve estabelecer esses limites. Então deixo no ar essa pergunta: quem deve estabelecer limites para o humor? O Estado, que sempre será uma parte interessada, e por isso jamais isenta, quando a piada for política?

Se a resposta sobre quem deve estabelecer esse limite for o próprio público do humorista em questão, é mais um erro crasso do editorial. O público de qualquer humorista já possui a arma mais poderosa para ser usada contra uma piada que considere ruim: o direito de não dar risada.

Uma piada não tem que ser classificada como dentro ou fora de um imaginário "limite legal", mas sim como engraçada ou não engraçada. Se o humorista cometer um crime previsto na Constituição, aí são outros quinhentos...

Quando você começa a apontar limites para o humor - não pode piada disso, não pode piada daquilo, tampouco sobre tal coisa - começa-se o processo de extermínio da piada. Lembro bem como eram os próprios programas humorísticos da TV Globo na segunda metade dos anos 1990 e início dos anos 2000. Cito dois exemplos: Programa dos Trapalhões e Casseta & Planeta.

O primeiro zoava gordo, magro, negro, branco, pobre, rico. Não havia limites politicamente correto. O segundo, apesar de já ter um claro viés esquerdista por conta dos próprios integrantes, ainda sim tinha um humor sobre política muito bom, na opinião deste que vos escreve.

Hoje em dia praticamente não vemos humor na televisão, principalmente na TV aberta, porque alguns paladinos de justiça, que se acham acima do bem e do mal, resolveram impor limites às piadas na onda do politicamente correto. Foram embora os motivos para darmos risadas da nossa própria sociedade e ficamos com uma geleia de piadas forçadas, bonitinhas e corretinhas, mas completamente sem graça.

É de se lamentar que a Gazeta do Povo queira seguir por esse mesmo caminho, pois trata-se de um jornal que eu imaginava ser diferente, com uma personalidade mais forte, mas que neste caso demonstra apenas repetir o bordão progressista que "piada ofende e por isso deve ser controlada".

Esta crônica foi inspirada no post abaixo do Nicolas Carvalho de Oliveira, que mostra, com razão, uma profunda decepção com o editorial da Gazeta do Povo - decepção compartilhada por mim, que até agora não acredito que o texto saiu do jornal que saiu. Continuo admirando bastante os colunistas Bruno Garschagen, Rodrigo Constantino e Alexandre Borges, mas passo a olhar a Gazeta em si com certa desconfiança.

Os brasileiros de direita sentem a falta de um veículo de comunicação minimamente grande para representá-los e dar-lhes voz. Talvez esse papel não caiba à Gazeta do Povo - ou não caiba ainda. Para resistir à hegemonia progressista no Brasil é preciso ter muita coragem e ousadia. E a nossa imprensa padece de "muitos limites" para que algum jornal assuma esse papel.

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