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[CRÔNICA] Encontrei esquerdistas do "fora Temer" no metrô. Foi uma experiência horrível



Por Wilson Oliveira

Domingo. Nove horas da noite. Metrô do Rio de Janeiro. Estava agora pouco dentro do metrô e comecei a pensar sobre o fato da esquerda fazer manifestação com frequência e a direita não, quando, em Copacabana, as portas do vagão que eu estava se abriram e entraram vários "manifestantes" esquerdistas que foram "protestar" hoje pelo "fora Temer" e pelas "diretas já".

Eram pessoas dos mais variados perfis: preto, branco, cara de rico, cara de pobre, jovem, gente mais velha. Tinha pessoa com camisa do PSOL, do MST, do PSTU, do Conlutas, do movimento negro, do movimento LGBT, de uma cacetada de centrais sindicais dentre as quais várias eu nem sabia que existia. Uma salada total. E todos esses variados grupos tinham OS MESMOS adesivos colados na camisa, na parte do peito, na manga, na parte da barriga, na bermuda, na mochila. E o adesivo dizia: "corrupção é com o PMDB; fora Temer!".

OFF: A parte engraçada é que tinha muita gente que já estava dentro do metrô (antes dos esquerdistas entrarem) e quando viu aquela multidão de vermelho, com faixas, bandeiras, cheias de adesivos e pinturas na cara ficou desesperada achando que era um arrastão e que ali dentro do metrô ia começar um assalto coletivo (risos).

Mas voltando ao meu pensamento. Hoje sem querer acabei vendo bem na minha frente por que a esquerda faz manifestações com rotina - mesmo que sejam pequenas - e a direita não. Eles vão pra rua por uma tática eleitoral. Por isso vão sempre que precisam, porque eles fazem isso pra tentar ganhar eleição ou pra tentar enfraquecer quem eles querem que perca - uma eleição ou a tranquilidade governamental. E esse é o caso. Eles querem derrubar o Temer, mesmo que PMDB e PT já estejam refazendo acordos contra a Lava Jato.

E nós não agimos assim. Nós somos puristas. A gente só vai pra rua pra protestar por aquilo que a gente acredita com muita força (Lava Jato, por ex) ou por aquilo que a gente rejeita com muita força (acordões do establishment, por ex). Mas para isso a gente precisa que todos os setores da direita estejam de acordo e que nossos pouquíssimos grupos que organizam manifestações queiram fazer manifestações. Foi suficiente para o impeachment da Dilma. Mas infelizmente paramos por aí. As nossas manifestações posteriores até conseguiram força em algumas ocasiões. Mas foram poucas para a necessidade do país.

Enfim, nós não fazemos manifestações porque somos muito poucos e somos muito divididos. Isso ficou muito claro pra mim hoje no metrô. E foi uma experiência péssima ficar no meio deles. Senti dor no estômago ao escutar as conversas paralelas sobre "perda de direitos", sendo que nenhum deles parecia dominar o assunto. Pegar transporte público sem estar sob posse de fones de ouvido costuma ser uma ideia horrível.

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