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[OPINIÃO] Donald Trump age para enfraquecer ditadura da Coreia do Norte


Por Pedro Augusto

Coreia do Norte: o país mais fechado do mundo. Sem investimentos externos, sem informações sobre os costumes do povo, sem liberdades. O lugar onde você pode ser preso por tirar uma foto sem autorização, está sob os olhares de todo mundo após o acirramento das rivalidades entre o país e os EUA.

Liderada pela mesma família há três gerações, analistas muitas vezes pouco sabem explicar as motivações e visões dos líderes do país e da origem desta ditadura que dura mais de 60 anos.

Criada em 9 de setembro de 1948, a República Popular e Democrática da Coreia fica no norte da península coreana até o Paralelo 38, após um tratado entre os EUA e URSS, onde os soviéticos ficaram encarregados de administrar o norte provisoriamente, enquanto os norte-americanos o sul. O norte, em 1950, invadiu o sul, a afim de dominá-lo e assim se desencadeou o conflito.


No entanto, a origem é bem antiga. Mais precisamente em 1919, quando, dois grupos que se diziam bolchevistas tentaram apoio da URSS. Nada veio, até que a facção de Irkutsk, que eram guerrilheiros anti-japoneses do Partido Comunista Coreano pan-russo, entrou em confronto com aqueles que fundaram o Partido Comunista Coreano em 1921. Centenas de comunistas morreram, o que obrigou o Komintern a tentar impor uma unidade no movimento coreano.

O líder escolhido foi Kim Il Sung, avô do atual ditador norte-coreano, Kim Jong-un, um simples comandante de uma unidade de guerrilha anti-japonesa nos confins da Manchúria, ao invés de comunistas que militavam no interior da península há muito mais tempo. Logo após Kim Il Sung assumir a liderança, ele perseguiu e matou diversos de seus opositores.

E ele não parou por ai. Durante os anos seguintes, Il Sung insistiu perante o ditador soviético, Joseph Stalin, para invadir a parte sul da península, que era controlada, segundo ele, de “marionetes dos americanos”. Stalin dá o aval e até que em 1950, o norte invade o sul de surpresa – apoiado também por intelectuais franceses como Jean-Paul Sartre – para uma guerra que iria até 1953, matando mais de 500 mil da população coreana, cerca de 400 mil chineses, mais de 50 mil norte-americanos, 50 mil soldados sul-coreanos, 200 mil norte-coreanos e 300 franceses.

Em poucas semana os norte-coreanos dominaram quase todo o sul. A resposta norte-americana demorou um pouco, a princípio porque o seu orçamento com as forças militares diminuiu drasticamente após a II Guerra Mundial, além da falta de conhecimento da dimensão da expansão do comunismo na Ásia.

O presidente dos EUA, Henry Truman, enviou militares ao sul da península e ao longo do tempo avançaram pelo território, até que em 1953, um tratado foi assinado estabelecendo uma zona desmilitarizada entre as duas Coreias, ou seja, o Paralelo 38, dando o fim a guerra.

A parte do norte ficou com os comunistas, dando origem a atual Coreia de Norte, um dos países mais fechados do mundo por causa de uma ideologia: a “Djutché” ou “Juche” que é pautada em três pontos: a independência política, independência econômica e defesa nacional agressiva.

O chaju ou independência política, é uma espécie de nacionalismo norte-coreano misturado com a ideia de que o norte-coreano comum tenha poder de interferência nas decisões do estado. Na teoria, ou melhor, numa falsa realidade a população tem este poder, tanto que eles até votam, mas em uma eleição totalmente controlada e que sempre elege os ditadores com 100% dos votos. Além disso, o chaju também explica o porquê a política do país ser tão fechada e não estar subordina a nenhuma norma ou trato internacional, afinal, eles só se relacionam com países que eles julgam comunistas como eles, como é o caso da China, grande parceira comercial do país.

O charip ou independência econômica rejeita o comércio ou investimentos estrangeiros, baseado numa questão de auto-confiança. O país rejeita qualquer rótulo de dependência de outros países e se fecha para o comércio mundial, ao contrário do processo de globalização presente hoje na economia mundial, onde, como sugeriu o economista Friedrich Hayek, as nações deveriam se especializar em certos setores do mercado e realizar trocas comerciais entre si. Por isso, a Coreia do Norte possui a economia mais fechada do mundo, como aponta o Heritage Foundation.

Resquícios da ideia do charip estão mais presentes no ocidente do que se imagina. Quem, por exemplo, nunca ouviu que privatizar as estatais é uma forma do país se vender ao estrangeiro? Ou que o Brasil deveria fortalecer mais a Petrobras e proclamar sua independência do petróleo estrangeiro? Ou da criação de mais estatais e de menos investimentos privados? Ou a promoção de políticas protecionistas?

O terceiro e último ponto é o chawi, também conhecido como defesa nacional agressiva. O nome já sugere muito e faz o leitor lembrar o que talvez seja a maior marca da Coreia do Norte: a tentativa de mostrar seu poder bélico através de trajes e paradas militares, ameaças aos EUA e a Coreia de Sul de ataques nucleares, testes de bombas e exposição de imagens de armas de guerra.

A junção dos três pontos dessa ideologia têm um ponto em comum: a tentativa de mostrar um país forte e independente do mundo, o que explica que o atual ditador, Kim Jong-un, não é simplesmente um louco liderando um país, mas sim alguém que segue à risca uma ideologia política, cujas ações deles estão todas pautadas nela. Portanto, qualquer análise sobre possíveis ações da liderança norte-coreana, jamais poderão ter como explicação uma simples loucura, mas sim ações pautadas em uma espécie de filosofia. Qualquer analista que não analise a partir desta ótica, está totalmente equivocado.

O Juche ainda defende que o homem é nada mais que o centro do universo e possuí poderes ilimitados para transformá-lo, através de uma liderança política forte, correta e com princípios certos.

Nas palavras de Kim Jong-un, o Juche é:

“É um novo pensamento filosófico, centralizado no homem. Como disse o líder (Kim Il Sung), ela é baseada no princípio filosófico de que o homem é senhor de tudo e tudo decide. A mesma levantou a questão fundamental da filosofia ao considerar o homem seu fator principal e elucidou o princípio filosófico de que o homem é senhor de tudo e tudo decide."

“O homem, obviamente, não pode viver fora do mundo; ele vive e conduz suas atividades no mundo. A natureza é o objeto do trabalho do homem e também a fonte material de sua vida. A sociedade é uma comunidade onde as pessoas vivem e conduzem atividades. Ambientes naturais e condições sociais exercem grande efeito sobre a atividade humana. Se os ambientes naturais se mostram bons ou maus, e, em particular, se os sistemas político e econômico de uma sociedade são progressistas ou reacionários — tais fatores podem afetar de maneira favorável o empenho humano em remodelar a natureza e desenvolver a sociedade ou limitar e restringir tal atividade.

Contudo, o homem não se adapta meramente a ambientes e condições. Por meio de sua atividade independente, criativa e consciente, ele continua a transformar a natureza e a sociedade, mudando a seu bel-prazer o que não atende às suas necessidades e substituindo o que é antiquado e reacionário com o que é novo e progressista.” 

 Trump e a Coreia do Norte 

Diferente do que se imagina, o presidente dos Estados Unidos não está dando tiros no escuro, mas sim enfraquecendo o regime ditatorial com maestria. Transcrevo aqui a análise que o meu companheiro Willy Marques fez em seu Facebook:

“Trump e a situação atual com a Coreia é essa:

– Ele revogou as regulamentações sobre o setor de carvão, impostas por Obama; mas isso não foi feito para os americanos, que quase nem usam carvão mais;

– De outro lado, mostra força ao Presidente da China, ordenando o ataque à Síria enquanto jantava com ele e dizendo que se a China ajudar os EUA com a Coreia, os acordos de comércio serão ainda melhores;

– Ocorre que existe um embargo econômico sobre a Coreia que a China não respeita; a única coisa que a Coreia produz é… CARVÃO!

– Eles exportam o carvão barato para a China em troca de arroz; sem isso, não têm o que comer; – Pressionando a China a respeitar o embargo econômico, assustando a Coreia do outro lado com a Marinha, e dando ao Presidente chinês uma possibilidade de comprar carvão bom e barato dos EUA (de quebra, ainda gerando empregos entre os americanos), ele dobra o gordinho coreano sem soltar uma bombinha lá;

– Os EUA acabaram de lançar a maior bomba não-nuclear existente (conhecida como “the mother of all bombs”) no Afeganistão, contra instalações do ISIS;

– Se a China não ajudar nisso, ele já falou e mostrou que vai lá resolver só: e ninguém duvida mais;

– Mas qual o motivo de a China não ajudar?

– Por fim, ainda responde a todas as críticas de ser um agente russo, já que atacar a Síria e vender carvão direto aos chineses, fortalecendo a relação com o bloco, passa por cima da Rússia.

Enfim, isso é um jogo de xadrez programado há quatro meses, desde as primeiras medidas de governo. O homem é um gênio na arte da negociação e está se tornando um político impressionante.”

Trump e seus estrategistas parecem conhecer a ideologia por trás do governo norte-coreano. Será que o regime está perto de seu fim?

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