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As mentiras, alianças e escândalos de Lula


Por Pedro Augusto

Com quase 90% de aprovação em 2010, o governo Lula deixou saudades para muitos brasileiros. Os seus oito anos em Brasília foram marcados, principalmente, pelo crescimento econômico e pela expansão do consumo com a chegada da classe média a um lugar que jamais imaginou. Contudo, os oito anos do ex-presidente no Planalto não foi apenas um sucesso. Das polêmicas quando era um sindicalista, da presidência em um dos períodos mais escandalosos da história política brasileira e agora na mira da Lava Jato, o petista tenta voltar ao poder já se lançando informalmente como pré-candidato à presidência em 2018. 

As polêmicas começam bem antes disso, mais especificamente no ano de 1979. Em uma entrevista à revista PlayBoy, Lula, que na época era muito influente no movimento sindical do estado de São Paulo, sugeriu que começou sua vida sexual bem novo, mas com animais. Ao ser perguntando sobre a sua primeira experiência, ele respondeu: “Que quié isso!? Com mulher, claro! Mas naquele tempo a sacanagem era muito maior do que hoje. Um moleque naquele tempo, com 10, 12 anos já tinha experiência sexual com animais… A gente gente fazia muito mais sacanagem do que a molecada faz hoje. O mundo era muito livre…”.

Outra declaração do petista pode trazer um certo desconforto aos estudantes. Em um momento ele chega a dizer que “Os estudantes não têm de se meter nas lutas dos trabalhadores. Nas lutas estudantis nós não enchemos o saco”. Anos depois, a sua opinião mudou ou ele descobriu um modo de usar este grupo como massa de manobra em busca de poder. Em um vídeo vazado na internet, ele disse que por de trás dele há uma grande militância, dentre eles os estudantes. 

Declarações do ex-presidente que causariam grandes alvoroços se fossem mais conhecidas não foram apenas estas. Ele chegou a dizer certa vez que “Pelotas é cidade polo, né? Exportadora de veados”. Em outra oportunidade, no ano passado, já as vésperas do impeachment de Dilma Rousseff, ele chamou mulheres do PT de “Mulheres do grelo duro”

Lula e suas mentiras 

Em uma coletiva no ano de 2014, Lula admitiu que mentia sobre dados do Brasil pelo mundo. Ele disse: “Eu cansei de viajar o mundo falando mal do Brasil, gente. Era bonito a gente viajar o mundo e dizer: ‘No Brasil tem 30 milhões de crianças de rua’. A gente nem sabia, tem não sei quantos milhões de aborto, mas era tudo clandestino, mas a gente nem sabia.[…] se o cara perguntasse a fonte a gente não sabia. Eu não esqueço nunca. Um dia estava debatendo eu, Roberto Marinho […] porque no Brasil tem 25 milhões de crianças de rua. Eu era aplaudido calorosamente pelos franceses, eu nem terminei de falar e o […] disse assim pra mim: “Ô Lula, não pode ter 25 milhões crianças de rua, Lula, porque senão a gente não conseguiria andar nas ruas, é muita gente".


Se o ex-presidente realmente se candidatar em 2018, com certeza evocará a autoria de alguns avanços ocorridos nos seus dois mandatos. Contudo, muitos casos não passam de mentiras e nem são frutos de ações diretas do governo petista. Como o site Spotniks mostrou em um levantamento, diferente do que Lula diz, durante a sua gestão o número de miseráveis não teve uma queda de 36 milhões. A verdade é que na época o governo considerou a classe média brasileira com renda entre R$ 291 a R$ 1.019.

Outra mentira foi sobre o crescimento econômico por causa de ações exclusivas do governo petista. No entanto, atos do governo anterior, como o Plano Real (que o PT criticava), frearam e diminuíram radicalmente a inflação, permitindo um maior investimento externo e uma maior concessão de crédito, algo quase inexistente antes, afinal, ninguém quer investir em um país onde os preços aumentam corriqueiramente, corroendo salários e diminuindo o poder de compra.

Além disso, o aumento médio de 723% do preço das commodities no mercado mundial trouxe investimentos externos nos anos 2000, cujo valor foi de cerca de US$ 183 bilhões. Ainda nesta matéria, o autor mostra que os programas sociais não tiveram um real avanço com PT. O aumento de gastos com a saúde e educação não significaram melhorias reais, e as escolas não tiveram grandes avanços, de acordo com pesquisas do PISA.

E não foram criadas 16 universidades no país ao longo do governo Lula, mas apenas quatro. E, em alguns casos, o nome delas foi apenas mudado. O ex-presidente ainda atribui para si a criação do FIES, embora a criação do programa seja de 1999, ainda no governo FHC. Já o Bolsa Família foi a junção de outros programas sociais, como o Bolsa Escola e o Vale Gás. “O Luz no Campo” de 2000 teve seu nome mudado para “Luz Para Todos”. 

Um ato muito comemorado nos anos 2000 foi o “pagamento da dívida externa”. Trata-se de outra mentira. O na época ministro da Fazenda, Antonio Palocci, anunciou o pagamento apenas de um dos credores brasileiros: o Fundo Monetário Internacional (FMI), que por muito tempo foi associado como o único credor brasileiro. Tudo isso porque o governo vendeu títulos da dívida interna (uma forma de investidores emprestarem dinheiro ao governo) para ter o valor e pagar o FMI. Na época, o título tinha juros de 11,25%, bem maior que o da dívida externa. Ou seja, o Brasil pagou sua parte de sua dívida externa, endividando-se mais internamente. 

Os escândalos envolvendo Lula 

Já na campanha à presidência, em 2002, Lula teria recebido dinheiro ilegal. Segundo denúncias do ex-gerente de Responsabilidade Social da Petrobras, o Sindicato de Químicos e Petroleiros da Bahia usou dinheiro do imposto sindical para doar à campanha do na época candidato Luis Inácio Lula da Silva. A prática é ilegal no Brasil. 

Os anos seguiram e uma grande turbulência chamada Mensalão chegou ao governo. Em 2005, a revista Veja divulgou um vídeo onde o chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, apareceu negociando com empresários que queriam participar de licitações do governo. Marinho, falou que agia em nome do na época deputado-federal Roberto Jefferson (PTB).

Após o caso, o petebista revelou, em uma entrevista à Folha de São Paulo, que congressistas aliados ao PT receberam propinas de R$ 30 mil do tesoureiro do partido Delúbio Soares. Até hoje o ex-presidente não foi julgado pelo caso, embora algumas declarações deixem os brasileiros com uma pulga atrás da orelha.

O ex-deputado federal e delator na Operação Lava-Jato Pedro Corrêa revelou em sua delação que “Lula tinha pleno conhecimento de que o Mensalão não era ‘caixa dois’ de eleição, mas sim propina arrecadada junto aos órgãos governamentais para que os políticos mantivessem as suas bases eleitorais e continuassem a integrar a base aliada do governo, votando as matérias de interesse do Executivo no Congresso Nacional”. 

O antigo aliado do ex-presidente Delcídio do Amaral, em delação ao MPF, também foi outro que falou que a corrupção no governo do PT existia desde o tempo do Mensalão. Segundo ele, Lula fatiou a Petrobras aumentando a presença do PMDB na estatal para evitar seu processo de impeachment. 

Quem também já denunciou o petista foi o Ministério Público Federal. Em 2016, o órgão denunciou o ex-presidente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele teria recebido propina da Odebrecht através de um imóvel onde funciona o Instituto Lula, com a quantia de R$ 12.422.000 até novembro de 2012. A denúncia também fala que o ex-presidente recebeu uma cobertura vizinha a sua como vantagem indevida. 

Na Operação Lava Jato, Lula também é acusado de receber R$ 3,7 milhões da empreiteira OAS por meio de reserva e reforma de um triplex no Guarujá, em São Paulo. Além disso, ele teria tentado comprar o silêncio do ex-presidente da Petrobras, Nestor Ceveró, e, segundo o MPF, ele trabalhou junto com alguns órgãos do governo para favorecer a Odebrecht em empréstimos de obras em Angola. O petista e os envolvidos no caso teriam recebido um total de R$ 30 milhões.


A relação do ex-presidente com a Odebrecht não parou por aí. Segundo a jornalista Vera Magalhães, ao jornal O Estado de São Paulo, o executivo da empresa, Marcelo Odebrecht confirmou em sua delação premiada que Lula é o “Amigo” da lista de propinas da empresa - e teria recebido R$ 23 milhões. 

O petista também foi denunciado em outra operação: a Zelotes. Segundo o MPF, ele e seu filho estão envolvidos em negociações irregulares que levaram a compra de 36 caças pelo governo brasileiro. Além disso, há indícios de prorrogação de incentivos fiscais à montadora de veículos por meio de uma medida provisória. 

O procurador do MPF, Deltan Dallagnol chegou a dizer que “Todas as provas nos levam a crer, acima de qualquer dúvida razoável, que Lula era o maestro desta grande orquestra concatenada para saquear os cofres da Petrobras e de outros órgãos públicos. Era o general que estava no comando da imensa engrenagem desse esquema, que chamamos de propinocracia”. A força do ex-presidente era tão grande que o petista era o elo comum entre duas máquinas que faziam o esquema (Mensalão e o Petrolão) funcionar. 

Um caso chocante também foi de quando Lula recebeu um convite da ex-presidente Dilma Rousseff para ser ministro-Chefe da Casa Civil. De acordo com escutas telefônicas, o plano era para livrar o ex-presidente de julgamentos da primeira instância. Ele teve diversas conversas polêmicas que foram liberadas pela Operação Lava-Jato e que você pode conferir todas aqui

Mesmo em 2017, as denúncias contra o ex-presidente não param. Na tão esperada “Lista de Janot“, do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, Lula teve seu nome envolvido em um pedido de inquérito de investigação dele e de mais 82 duas pessoas, dentre elas a ex-presidente Dilma Rousseff e dos senadores Aécio Neves (PSDB) e José Serra (PSDB). As acusações, no geral, são por corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, formação de cartel, prestação de falsas informações à Justiça Eleitoral e fraude à licitação. 

As contradições de Lula 

A última eleição à presidência foi marcada principalmente pelo antagonismo na sociedade brasileira, com uns votando no PSDB e outros no PT. Porém, apesar das calorosas discussões entre o eleitorado, nos bastidores tucanos e petistas muitas vezes trocam elogios. Em 2007, em uma viagem a Minas Gerais, ele e o na época governador Aécio Neves (PSDB) trocaram muitos elogios e disseram que na relação entre ambos o que vale é a inteligência.

No mesmo ano, segundo a Folha de São Paulo, Lula estava articulando a ida de Aécio Neves para o PMDB a fim de que ele disputasse a sua vaga na eleição presidencial em 2010. Já em 2014, o ex-presidente em um comício chamou o tucano de “filhinho de papai”

Ainda sobre a relação de Lula com os tucanos, apesar do petista muitas vezes criticar os tucanos e em algumas vezes até o ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, ambos tem uma proximidade maior do que muitos imaginam. FHC fez campanha secreta para Lula em 2002 e apoiou o petista contra o Fernando Collor de Melo em 1989. Além disso, eles discutiram sobre a criação de um partido socialista no final da década de 1970 - e Lula apoiou FHC em sua primeira disputa eleitoral. Tudo pode ser conhecido com mais detalhes aqui


As opiniões do ex-presidente não mudam conforme o momento apenas sobre os tucanos, mas também sobre programas sociais. O Bolsa Família talvez tenha sido o projeto que deu maior popularidade a Lula. Porém, antes dele chegar ao Planalto, a sua visão sobre os programas sociais era outra. Em uma oportunidade, ele disse: “Lamentavelmente pelo alto grau de empobrecimento, ela [a população mais pobre] é conduzida a pensar pelo estômago e não pela cabeça. É por isso que se distribui tanta cesta básica, é por isso que se distribuí tanto litro de leite. Porque isso na verdade é uma espécie de troca em época de eleição, e assim, é destrutivo o processo eleitoral”. 

É interessante lembrar que os petistas hoje fazem conforme os criticados por Lula nesta declaração. Na disputa eleitoral de 2014, o partido espalhou que se Dilma Rousseff não fosse reeleita ou até se sofresse impeachment, o programa social seria extinto. 

O governo do petista esteve presente em um período de relativa melhora no país, mas indo contra o que ele acreditava. O PT, que chamava FHC de “neoliberal”, e que criticava duramente o tripé macroeconômico criado pelo tucano, manteve esta política até a crise de 2008, quando a abandonou e originou um processo que levou a atual crise brasileira. O governo gastou menos que arrecadou em todos os oito anos e pegou um país com uma dívida de 76% e entregou 62%. 

Lula e sua proximidade com ditadores e governos autoritários 

Não é segredo que Lula sempre esteve próximo de políticos que cerceiam as liberdades de seu povo. Ele, por exemplo, chegou a dizer que o ex-ditador cubano Fidel Castro era um grande homem e fundou com ele o Foro de São Paulo. O cubano foi responsável pela morte e prisão de diversos opositores políticos, suprimiu a liberdade de expressão, aumentou a pobreza da ilha e perseguiu homossexuais por um longo tempo. 

A ditadura venezuelana também recebe apoio do ex-presidente. O petista chegou a gravar uma mensagem dizendo que gostaria de estar ao lado de Hugo Chávez em uma reunião do Foro de São Paulo. O atual ditador do país, Nicolás Maduro, que aprofundou a pobreza e a falta de liberdade do povo venezuelano, já recebeu apoio de Lula, que segundo o ex-presidente "é um homem competente, que ama seu povo e que ele defende os mais pobres", embora hoje em dia os venezuelanos sejam um povo com ausência de itens básicos de sobrevivência. Lula também disse em 2005 que "havia excesso de democracia no país"


As alianças de Lula com governos autoritários não se limitam apenas a América Latina. Em 2009, o petista chamou o ex-ditador líbio Muammar Kadafi de amigo e irmão. E na mesma oportunidade chegou a dizer que não se pode ter preconceito com líderes “não democráticos” - um eufemismo para ditador. Além deste caso, o ex-presidente,  durante o seu governo, estreitou laços com o Irã e chegou a defender que o país tenha o direito de enriquecer urânio. 

O traço autoritário não ficou apenas com suas alianças de governos deste perfil. Após o correspondente do New York Times Larry Rohter falar que a “predileção do presidente Lula por bebidas fortes estava afetando seu desempenho no gabinete", o petista tentou expulsar o jornalista do Brasil, deixando bem claro o que ele gostaria de fazer com quem fale algo que ele não gosta. 

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