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Petista 2.0: saiba quem é esse iludido que xinga o PT, mas defende as mesmas bandeiras do partido

Por Wilson Oliveira

A história do Brasil, desde os tempos coloniais, é repleta de exemplos que mostram como o povo brasileiro foi desencorajado a lutar por si próprio. O Brasil é o único país do mundo que conquistou sua independência graças ao seu colonizador. Os colonizados dormiram um dia sabendo que eram governados por Portugal e acordaram no dia seguinte tomando conhecimento que o próprio filho do rei português deu o grito de independência às margens do Rio Ipiranga. Desde então, o brasileiros, que não são mais colonizados por ninguém, pelo menos teoricamente, aguardam outros gritos de independência que, ao pé da realidade, não mais virão.

A República Federativa do Brasil se configurou numa sucessão de governos desintegrados, em que aquele que assume as funções governativas jamais enxerga os cidadãos como pertencentes "ao mesmo time", até porque parte dos próprios cidadãos uma visão que aqueles que o governam estão superiores demais, praticamente inalcançáveis, numa escalada enorme de poder.

O resultado é que não existe nenhum governo na história brasileira desde a Proclamação da República que possa ser apontado como divisor de águas nesse sentido, pois nenhum deles deu início a uma espécie de mudanças significativas no país, não apenas em caráter político, mas também em caráter cultural sócio-econômico. E pior: retrocederam as várias conquistas políticas importantes obtidas no Período Imperial, em que filiados ao partido liberal e filiados ao partido conservador, formados por gente comum do povo, discutiam incansavelmente os rumos do país (isso será tema de outro artigo aqui em O Congressista).

Tendo em mente, consequentemente, que vivemos em uma crise de identidade - e até mesmo de existência - antiga e por enquanto sem previsão de término, que desencadeia diferentes fases de um interminável conjunto de subsequentes crises como a ética, a moral, a política e a econômica, que foram, a olhos nus, aprofundada e deflagrada durante o governo Dilma, foi apresentado para o Brasil e para o mundo uma legião de ex-eleitores do PT que, tal qual aqueles brasileiros do período colonial, aguardavam o grito de independência a ser dado por Lula, grito esse que, politicamente, havia sido adiado e transferido para Dilma Rousseff, que não teria dado nenhum grito de independência por ter sofrido "um duro golpe".

Essa legião moderna e atualizada de adoradores de príncipes salvadores que tenham compaixão pelo povo são divididos em dois grupos no Brasil: os petistas e os petistas 2.0. Neste artigo tratemos do segundo grupo, que é bastante instigante, característico e curioso. São pessoas que por algum motivo, em algum momento, se sentiram enganadas. Os que se tornaram petistas 2.0 mais recentemente se rebelaram ao ver a mentira professada por Dilma, durante a campanha de 2014, de que não havia crise econômica. Os petistas 2.0 mais antigos se rebelaram antes, ou por mais uma vez terem visto que o PT não é imune à corrupção ou por mais uma vez terem visto que os petistas são capazes de se aliar àqueles que sempre criticaram. Enfim, motivos não faltam para essas pessoas agora terem se transformada em críticas do petismo - e muitas dessas inclusive virarem críticas vorazes dos petistas, mas não das suas bandeiras históricas.

Justamente o que ainda é preocupante e espantoso quando falamos do petista 2.0, embora para eles exista um enorme horizonte de motivos para desqualificar o PT, é deixar intacto o principal deles: as ideias defendidas pelo partido. Na ilusão de que o PT realmente nasceu para representar todos os trabalhadores brasileiros (algo que é impossível e não cabe a um partido político), essas pessoas acreditam que o Partido dos Trabalhadores nasceu pelos motivos certos, mas se desvirtuou no meio do caminho da política. O petista 2.0 ainda não teve aquele necessário insight sobre a vida real para perceber que a pretensa motivação de representar todos os trabalhadores levou os protagonistas do Mensalão e do Petrolão a fazerem o que fizeram: roubar o dinheiro dos trabalhadores.

O petista 2.0 é aquele ser que anda em círculos depositando seus sonhos em políticos de outros partidos ou ainda sonha encontrar algum que possa dar aos trabalhadores brasileiros o tão sonhado grito de independência formulado com uma saúde gratuita, digna e de qualidade; uma educação gratuita, digna e de qualidade; um transporte gratuito, digno e de qualidade; um saneamento gratuito, digno e de qualidade; uma infraestrutura gratuita, digna e de qualidade. E não para por aí. O petista 2.0 acredita que todo patrão é malvado com o trabalhador e que apenas os "direitos" garantidos por políticos poderão lhe conceder algum benefício trabalhista. Em suma, o petista 2.0 acredita que algum dia existirão burocratas que aceitarão dividir seus privilégios (que são muitos) com "o povo sofrido e trabalhador". O petista 2.0 aguarda, pacientemente, a reencarnação de dom Pedro.

O petista 2.0 significa uma quantidade ainda muito grande de brasileiros que se negam a enxergar a realidade nua e crua aos seus pés e que estão de mãos dadas com o petista 3.0, aquele eleitor que jamais votou no PT e sempre escolheu os adversários petistas diante da urna, que sempre criticou o Lula e todos os seus companheiros, mas que, por ironia do destino, também defende as mesmas bandeiras que os petistas de raiz e que os petistas 2.0. São grupos sociais que estão de joelhos mantendo firme e forte a crença de que só podem conseguir alguma coisa na vida se o Estado assim permitir e, portanto, der a bênção para tal. É a semente plantada por burocratas brasileiros desde a implantação da Nova República para manter esse status quo que conhecemos, que para os políticos há tudo e para o povo não há nada.

O petista 2.0 ainda não tomou aquele choque de realidade que, como costuma dizer Dennis Prager, "quanto maior é o Estado menor fica o cidadão". Esses eleitores, criticando ou não o PT, concordam com praticamente todas as grandes teses petistas: que uma empresa estatal é alguma espécie de riqueza do povo trabalhador, mesmo isso significando rios de dinheiro para - e apenas para - os políticos; e que a privatização total é algo ruim para o povo, mesmo isso significando a retirada de poder e de barganha das mãos desses mesmos políticos.

O petista 2.0, assim como o petista de raiz, acredita que o "neoliberalismo" existe e que ele é um adversário dos políticos que querem apenas fazer "o bem" para "o povo sofrido e trabalhador". O petista 2.0 jura que não possui nada em comum com o petista de raiz, mas ele também está convicto que livre mercado e livre concorrência é algo que lhe fará mal, mesmo sem saber que quando ele escolhe o alimento que quer comprar no supermercado, o vídeo que quer assistir na Netflix ou o livro que quer comprar na livraria, está experimentando um pequeno fragmento do que é a liberdade de livre escolha, questão central tanto do livre mercado como da livre concorrência (que, aliás, são conceitos coirmãos).

Com todo o peso regulatório que o Estado deposita na vida de todos os cidadãos brasileiros, independente do que esse cidadão acredita, é como se vivêssemos num cativeiro imaginário, com vários sequestradores (políticos estatistas) na porta, tomando conta para que não fugíssemos. A grande diferença do cidadão que luta pela sua liberdade econômica para o petista 2.0 é que esse cidadão liberal deseja fugir desse cativeiro, enquanto o petista 2.0 acredita que a simples troca dos sequestradores poderá melhorar sua vida, afinal, segundo a crença do petista 2.0, basta que os novos sequestradores tenham como hábito trazer comidas melhores que tudo ficará perfeito. É a angustiante espera pela reencarnação de dom Pedro, que pode até vir num formato de sequestrador de liberdades.

O petista 2.0 ainda não sabe, mas o que ele está prestes a fazer em 2018 é trocar seis por meia dúzia, na procura de um novo Lula dos anos 1980, que faça as mesmas promessas, que tenha uma equipe com as mesmas bandeiras, que traga o mesmo romantismo radical dos discursos contra o capital privado, quando na verdade esse candidato dos sonhos apenas tenta esconder a fome de querer o capital só pra ele. O petista 2.0, assim como o petista de raiz, foi covardemente coagido a aceitar abrir mão da própria liberdade para buscar uma liberdade restrita aos políticos. E ainda dizem por aí que isso é um direito do povo sofrido e trabalhador. O petista 2.0 apedreja o PT com uma mão, mas não enxerga que está fazendo um afago com a outra.

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