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A relevância do 31 de março nos anos de 1964 e 2017


Por Matheus Espezoto

No ano de 1889, o Brasil se tornou uma República. Desse período até hoje tivemos intensos conflitos e manobras governamentais que resultaram em consequências políticas, culturais e sociais como um todo. O colunista e editor de O Congressista Wilson Oliveira já nos mostrou as peculiaridades negativas sobre um período conturbado e ditatorial, onde os desejos de Getúlio se sobressaíam a sociedade por um simples egoísmo e sangue de poder - foi a chamada Era Vargas (neste link é possível ler a parte 1 do artigo sobre Getúlio. A parte 2 será publicada em breve).

Na sexta-feira do dia 31/03/2017, fizeram cinquenta e três anos que o Regime Militar se estabeleceu no Brasil. Foi o momento em que os militares conduziram o país tomando medidas muitas vezes de maneira repressiva, alterando a Constituição para que de alguma forma "legitimasse" os militares do governo, até mesmo adotando práticas de perseguição política.

Entendendo a relevância que a tomada dos militares teve em 1964

Após 1945, o mundo se encontra numa polarização extremamente competitiva entre duas potências: URSS e os EUA. Era o choque mundial entre os dois sistemas que queriam direcionar o mundo: comunismo e capitalismo.

Para estabelecer uma vantagem global, as duas potências usaram de todos artifícios em sua volta. Assim sendo, estabeleceram conflitos de ordem política, econômica, social, ideológica, tecnológica e militar. A URSS, por sua vez, instituiu o plano COMECON - a potência soviética financiava e ajudava seus países aliados, contanto que eles mantivessem uma essência comunista. Além disso, iniciaram o Pacto de Varsóvia, formando, assim, alianças militares com esses mesmos países.

Durante esse conflito, a União Soviética treinou e equipou militarmente grupos de guerrilhas com o propósito de implementar a ditadura do proletariado nos países - e na América Latina não foi diferente.

    Após conferenciar com Che Guevara, Jânio Quadros o condecora em 1961

Cinco dias dias após condecorar o genocida revolucionário cubano Ernesto Che Guevara, o presidente brasileiro Jânio Quadros decidiu renunciar. Enquanto isso, João Goulart se localizava na China comunista de Mao Tse Tung para estabelecer relações diplomáticas, cujas quais haviam sido rompidas durante o governo Dutra. O objetivo de Jango era deixar a política externa brasileira mais independente do Departamento de Estado norte-americano e, assim, aproximá-la a países que continham relações com a URSS.

 Jornal do Brasil, 09/02/1964

A tomada dos militares

Percebendo as influências comunistas externas no governo de Jango, os militares não se contiveram e promoveram a cassação do presidente em 31/03/1964. A partir desse momento, o Brasil viveria esse período histórico que se estabeleceu até 1985.

No ano de 1966, o Brasil conheceria os grupos revolucionários de guerrilha (POLOP, COLINAS, ALN, MR-8 etc) que estavam, até então, ocultos e camuflados aprendendo táticas de assaltos, sequestros, sabotagens, terrorismos e libertação de presos. Assim, começava os "anos de chumbo" em território nacional. Nesse período, houve dois mentores revolucionários que se destacaram por formar os guerrilheiros urbanos. Eram eles: Marighella e Lamarca. 

Confira aqui um pouco das táticas de guerrilha de Carlos Marighella, desenvolvidas em seu mini-manual: 

"Ainda que o terrorismo geralmente envolva uma explosão, há casos no qual pode
ser realizado execução ou incêndio sistemático de instalações, propriedades e depósitos norte-americanos, fazendas etc. É essencial assinalar a importância dos incêndios e da construção de bombas incendiárias como bombas de gasolina na técnica de terrorismo revolucionário. Outra coisa importante é o material que a guerrilha urbana pode persuadir o povo a expropriar em momentos de fome e escassez, resultados dos grandes interesses comerciais.

O terrorismo é uma arma que o revolucionário não pode abandonar."

"Em lugares onde as pessoas trabalham, estudam e vivem, é fácil obter todo tipo de informação de pagamentos, negócios, pontos de vista, opiniões, estado de mente das pessoas, viagens, interiores de edifícios, oficinas e habitações, centros de operações etc. A observação, investigação, reconhecimento e exploração do terreno também são fontes excelentes de informação. O guerrilheiro urbano nunca vai a nenhum lugar sem prestar atenção e sem precaução revolucionária: sempre alerta por se acontece algo. Olhos e ouvidos abertos, sentidos alertas, a memória gravada com todo o necessário para agora ou para o futuro, e para a continuação da atividade do soldado guerrilheiro."



A relevância que esse dia nos traz, em relação ao ano de 1964, é, justamente, lembrar do combate em campo que os militares instauraram, não permitindo a desenvoltura socialista armada sobre a sociedade em geral. Entretanto, apesar de ter sido um período de perseguição e repressão, os militares não tinham tudo sobre o controle.

A partir de 64 se iniciava os passos iniciais da esquerda para se consagrar no poder mais tarde. A cultura brasileira estaria começando a sofrer lavagem cerebral marxista. Dessa forma, começava a se organizar o partido das classes oprimidas (proletariado, campesinato e demais “excluídos” da sociedade burguesa), a se formar dirigentes, a se organizar entidades não-estatais de apoio, a se fazer alianças ainda que com partidos ou entidades adversárias, a se conquistar posições nos organismos da sociedade civil burguesa e nos órgãos estatais (fase econômico-corporativa).

Depois, lutar efetivamente pela hegemonia das classes subalternas sobre a classe dominante. Os valores tradicionais das classes burguesas deveriam ser pacientemente destruídos e substituídos pela nova “visão da sociedade e do mundo”. Valores culturais deveriam ser contestados e substituídos por outros, mas de acordo com a visão das classes "exploradas", de forma que tornasse possível a ascensão destas.

E o responsável pela disseminação de todas essas ideias é Antonio Gramsci


Confira seus pronunciamentos: 

"Começa a emergir também no Brasil uma esquerda moderna, disseminada em diferentes partidos e organizações, mas que tem em comum o fato de ter assimilado uma lição essencial da estratégia gramsciana: o objetivo das forças populares é a conquista da hegemonia, no curso de uma difícil e prolongada guerra de posição."

"Quando um partido político assume publicamente sua identidade gramsciana, é que a fase do combate informal - a decisiva - já está para terminar, pois seus resultados foram atingidos. Vai começar a luta pelo poder."

O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho também expôs suas percepções acerca do tema:

"O segundo fator, a situação do momento, pode-se descrever mais ou menos assim: desde a derrota da luta armada, a esquerda andava em busca de uma estratégia pela qual se orientar. Não sendo capaz de criar uma nova e não encontrando no repertório mundial uma outra à sua disposição, ela aderiu a Gramsci quase por automatismo, sonambulicamente, levada pela carência de opções."

"Nessa resenha das estratégias comunistas, onde entra o gramscismo? Não entra. Ele ficou de fora, restrito a círculos locais italianos, e só alcançou maior difusão, mesmo na Itália, após a década de 50, com a edição das obras completas de Gramsci por Einaudi. A partir de l964, a facção comunista brasileira ainda fiel à orientação moscovita de aliança com a burguesia acreditou ver em Gramsci um potencial renovador desta estratégia, com a qual ele coincide ao menos no que diz respeito ao caráter eminentemente não-sangrento da luta revolucionária e na cuidadosa exclusão de quaisquer radicalismos que pudessem estreitar a base das colaborações possíveis".

De fato, o gramscismo ganhou bastante notoriedade e penetrou na cultura brasileira. Isso resultou instantaneamente em uma linha de pensamento que convive diretamente com a prática de políticas marxistas-leninistas de alguns partidos atualmente, instaurando uma postura tática de "pluralismo das esquerdas". O gramscismo se consagra de maneira tão intrínseca que poderíamos ter chegado ao estágio irreversível do processo.

A relevância do dia 31 de março em 2017 é única e exclusivamente uma: a hegemonia gramscista e a destruição cultural.

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