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Reflexões sobre a morte de Marisa Letícia, esposa de Lula


Por Leonel Farah
Integrante do grupo Direita Liberal

Não acho certo festejar a morte de ninguém. Em agosto de 1954, quando eu tinha 9 anos de idade, lembro-me de ter surpreendido meu pai, um deputado da UDN, ferrenho adversário do getulismo e do PTB, derramando em solitário e solidário silêncio copiosas lágrimas ao ler em jornal a notícia do suicídio de Getúlio Vargas. Por sinal, e por ironia, os exploradores do trauma acabaram por endeusar o ex-ditador e a demonizar como “golpista” o partido liberal nascido como movimento clandestino na luta democrática contra a ditadura do caudilho.

Confesso que, na hora, não entendi. Mas aquelas lágrimas acabaram por permanecer, na criança, como lição de humanidade. No ano anterior meu pai tinha sido eleito deputado estadual sem participar da sua própria campanha. Elegeu-se graças ao bom nome que construiu como prefeito de Ibaiti e aos amigos leais e pessoas reconhecidas da cidade e região, que sustentaram a sua candidatura enquanto ele era recolhido por meses a um hospital em São Paulo, acometido de gravíssima enfermidade.

E o menino, que respondia “vou ser político” quando os mais velhos lhe perguntavam “o que você vai ser quando crescer”, havia sofrido demais ao tomar conhecimento do que alguns adversários, durante a campanha do candidato hospitalizado, diziam aos eleitores: "Julio Farah está morto.”

Não sei, nem quero saber, se alguém festejou quando meu pai efetivamente morreu em 1965, aos 50 anos de idade, entre as vítimas da queda de um avião. Sei que o Paraná chorou.

Sei das belas linhas publicadas a seu respeito na imprensa, por jornalistas políticos e outros que acompanharam sua atuação como combativo deputado, prefeito de duas cidades, membro do secretariado no primeiro governo de Ney Braga e crítico persistente das mazelas políticas estaduais e nacionais, como colunista de jornal. Sei de políticos de todos os partidos que prantearam sua morte, assim como em vida já o haviam respeitado e homenageado como um dos mais íntegros homens públicos da sua época.

E sei de um jovem de 20 anos que, participando já ativamente da política, nunca se conformou com a perda do seu pai, do seu ídolo, do seu exemplo de vida pública e pessoal. E que ainda hoje chora, aos 72 anos, ao escrever estas linhas.

É possível que algumas pessoas que em vida ganharam notoriedade não tenham feito por merecer lágrimas de comoção pública, ao morrer. Mas elas como seres humanos merecem compaixão, ainda que após a morte tenham perdido o respeito de tantos quantos, para fins de miserável exploração política, passam a explorar o seu cadáver.

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