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Conselhos econômicos de Lula para Michel Temer: fundo do poço


Por Wilson Oliveira

Durante a visita de Michel Temer a Lula no hospital Sírio Libanês, por ocasião do falecimento da ex-primeira-dama Marisa Letícia, de acordo com matéria de O Globo, os dois conversaram por alguns minutos sobre a situação do país e combinaram retomar o diálogo para acalmar os ânimos entre PMDB e PT (caiu de vez a tese de golpe).

Porém, o mais curioso, é que Lula começou a dar conselhos econômicos a Temer. E o conselho central do ex-presidente ao atual é que "não se faz reforma da Previdência durante uma recessão econômica". Lula lembrou que quando tentou fazer isso, ainda no seu primeiro mandato, um grande grupo de políticos do PT ficou indignado e abandonou o partido para criar o PSOL.

Pausa para duas lembranças:

1) o primeiro mandato de Lula na economia não foi totalmente "de esquerda". A dupla Palocci e Meirelles não aumentaram a participação do Estado na economia e até tinha projetos para desafogar o país, como a própria reforma da Previdência.

2) apesar do PSOL ter nascido em meio ao furacão do Mensalão, o motivo da briga com o PT não foi a corrupção, mas sim a agenda econômica petista, que aqueles fundadores do PSOL acusavam de ser excessivamente "neoliberal".

Como grandiosa parte da esquerda brasileira estava irritada com os planos econômicos do governo Lula, exigiram a demissão de Henrique Meirelles (que era do PSDB) da presidência do Banco Central e a nomeação de um keynesiano para o ministério da Fazenda. As duas exigências foram apresentadas como condições para aqueles esquerdistas apoiarem Lula à reeleição (titular da Fazenda naquela época, Antônio Palocci não é economista, mas sim médico).

Lula não aceitou essas reivindicações de imediato. Como resposta, o PSOL lançou Heloísa Helena para disputar a presidência da República. E ela partiu pra campanha cuspindo fogo pra cima do Lula, chamando-o de traidor da esquerda pra baixo (quando nasceu, o PSOL era bem diferente do que é hoje; era mais briguento, mais aguerrido, batia no PT sem dó e praticamente não defendia abertamente pautas progressistas como aborto e afins).

A situação do PT com a esquerda ficou ainda pior quando os parlamentares petistas fizeram um acordo com Sergio Guerra, na época presidente do PSDB, para afundar a instalação de uma CPI que seria um prenúncio do impeachment do Lula. O tucano aceitou e o PSOL, outros partidos e movimentos de esquerda aumentaram o tom de voz contra o governo Lula, sempre o acusando de ser "neoliberal".

Para acalmar os ânimos da esquerda barulhenta que fazia o terror contra os petistas, Guido Mantega foi nomeado ministro da Fazenda. E, imediatamente, a Nova Matriz Econômica foi lançada, com mais intervenção na economia, mais BNDES, mais Lei Rouanet, mais incentivos fiscais e mais dinheiro público para movimentos de esquerda, além do "carinhoso aumento" do Fundo Partidário, algo que foi do agrado de todos os partidos, inclusive do PSOL.

A própria história recente nos diz qual a intenção de Lula ao dar conselhos para Michel Temer. Se o atual presidente quiser segui-las, podemos esquecer a ideia de ao menos vermos o país começar a se recuperar economicamente antes de 2018. O que Lula fez no seu governo para acalmar a esquerda afundou ainda mais o país. Alguém tem dúvida que ele também quer que o país se afunde ainda mais nas mãos da dupla PMDB-PSDB? Essa seria a única chance pro PT (que em breve terá Lula no comando) sonhar com uma recuperação eleitoral.

Um comentário:

  1. Está faltando um líder de verdade, que se afaste da fórmula do endividamento suicida da esquerda e do neo-liberalismo com Estado pesado e tributarista do PMDB/PSDB, estas duas correntes nunca vão tirar o Brasil da crise, esta lhes é conveniente: O importante é gastar, enriquecer políticos e o povo que se dane!

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