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Caso Espírito Santo - a responsabilidade moral do homem


Não é de hoje que vemos por aí especialistas e intelectuais nos dizendo o quanto a pobreza e as condições sociais são causas da criminalidade. Influenciados pela visão rousseauniana do “bom selvagem”, o belo discurso de que o Homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe, como diria o próprio Rousseau, permeia entre os ares sem questionamentos. Justificável, eu diria, pois em nossa sociedade contemporânea não há nada mais obrigatório do que ser bom. E quem, afinal, não gostaria de saber que no fundo todos os seus traços de perversidade podem ser justificados nas camadas sociais que nos cercam?

Partindo dessa percepção, ouvimos em consenso que as soluções para o crime podem ser encontradas na educação, na igualdade, na cultura e na distribuição de riquezas. Somente destruindo “os males institucionais” de nossa sociedade é que podemos, enfim, criar uma sociedade onde não haja crime. A pergunta que fica é: será?

A população do estado do Espírito Santo há alguns dias viveu momentos de terror: morte, roubos, caos, desordem e tudo o que lembrava o cenário de um filme de ficção distópica era possível encontrar nas ruas do estado. O motivo? A polícia militar, responsável pelo patrulhamento cotidiano, resolveu entrar em greve devido a descasos salariais. Independente dos “pormenores” que permeiam o debate em todo o contexto do problema, há algo curioso e assustador, eu diria, que pode ser atestado diante tal cenário.

Ao enxergarem o caos institucional pessoas comuns, até então “honestas”, foram supostamente consumidas pelo espírito da ganância e foram persuadidas pela situação à adentrarem na criminalidade. Na tentativa constante de abster do indivíduo a responsabilidade perante suas ações, colocando a culpa em abstrações e em elementos que transcendem o próprio indivíduo, percebemos o esforço em justificar de todas as maneiras os devaneios de uma população que de um dia para outro, bastando uma crise institucional, se tornou cultivadora do crime. “A ocasião faz o ladrão” - eles diriam. Tal afirmação é fruto de uma mentalidade que não enxerga uma verdade simples que a própria bíblia já nos adverte há muito tempo: a natureza humana é corruptível em si mesma.

Afinal, não há honestidade naquele que furta quando não há quem vigie, não é “cidadão de bem” aquele quando se encontra no escuro dá lugar aos mais perversos desejos em seu coração. A repentina onda de crimes realizados por cidadãos comuns no Espírito Santo demonstra que a corrupção parte do próprio indivíduo e é de responsabilidade própria se prostar diante seus desejos impuros ou resistir aos mesmos.

A sociedade, na verdade, não pode ser culpada de maneira alguma por tais atos. A sociedade, ao contrário, se utiliza de recursos para inibir os males que nos cercam. A polícia, no caso, se demonstra como uma barreira, que ao ser quebrada abre espaço para que muito dos males - que nem mesmo são percebidos - acabem por serem despertos.

Em resposta a afirmação anterior que coloca no acaso a culpa dos males executados, deixo a afirmação de Machado de Assis: “Não é a ocasião que faz o ladrão, (…) a ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito.”

* Victor Oliveira é estudante de Relações Internacionais e escreve periodicamente para O Congressista

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