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Roger Scruton e a "nova esquerda"; por Ron Capshaw


Por Ron Capshaw
Publicação original: National Review
Tradução: Wilson Oliveira

"O importante é que não se discuta (com comunistas)… Não importa o que você diz, eles possuem mil maneiras de distorcer suas palavras e rebaixá-lo a alguma categoria localizada abaixo de ser humano: ‘Fascista’, ‘Neoliberal’, ‘Trotskista’, desqualificando-o tanto intelectual como pessoalmente no processo".

A citação acima pertence a F. Scott Fitzgerald, que, apesar de ser ridicularizado por Edmund Wilson como um talentoso sem cérebro foi, talvez, o único membro da 'Geração Perdida' suficientemente astuto para não se tornar um comunista. O método de operação que ele descreveu para os comunistas de Hollywood na década de 1930 passou um tempo escondido até reaparecer na academia. Aqueles de nós que foram estudantes de pós-graduação viram isso em ação. Certa vez fui testemunha de um estudante perguntando a um professor por que não havia livros conservadores no currículo para equilibrar com os esquerdistas. Ao passo que imediatamente o professor respondeu: "Porque todos (os conservadores) são fascistas". E ficou nisso.

Esta tendência é sondada no estudo de Roger Scruton chamado "Fools, Frauds, and Firebrands", que numa tradução literal para o português seria "Tolos, Fraudulentos e Incendiadores". A obra fala sobre os "pensadores" da Nova Esquerda e leva o leitor às particularidades de cada pensador através dos pós-modernismos de Michel Foucault, Eric Hobsbawm e EP Thompson - protestante baseado no marxismo.

O resultado final é o mesmo. Todos estão impacientes com as imperfeições da civilização ocidental. Todos procuram uma ideologia mais racionalmente ilusória. Todos levam a crer que tudo terminará em uma guerra civil, separando uma sociedade coesa em classes, como se fossem categorias, em busca de efeitos explosivos. Todos defendem a justiça como uma causa própria, possuindo uma linguagem sob medida e selecionando termos elevados que expressam sua vaidade moral.

Assim, eles se engajam no maniqueísmo, rotulando aqueles que se opõem aos seus esquemas de "justiça social" como pessoas más, chegando a igualar a palavra "capitalista" ao termo "fascista" para apresentá-los do mesmo modo como palavrões. Até aqueles que têm apenas a uma vaga relação com o marxismo, como é o caso de Foucault, encontram opressão e divisão na civilização ocidental. Para Foucault, o próprio conceito da objetividade já é um fascismo (enquanto os verbos, em particular, são uma construção opressiva).

É nessa área de linguagem que Roger Scruton localiza o sucesso desses intelectuais ao influenciar o meio acadêmico. Assim como fez George Orwell, Scruton observa como eles determinam a linguagem do debate - e uma vez que eles se descrevam como trabalhadores em prol da humanidade, aqueles que se opõem a eles devem ser contra a humanidade - ou as ervas daninhas que sufocam o jardim.

Apesar de uma retórica que mostra que eles estão dispostos a confrontar a realidade, Scruton destaca que suas ideologias são projetadas para evitá-la. E em nenhum outro lugar isso é mais visível do que na situação vivida na União Soviética. Eric Hobsbawm elogiou Lenin por libertar os russos do czar, além de enxergar seus métodos desumanos pós-Revolução como "necessários para o avanço da humanidade".

Tal manipulação da linguagem requer uma omissão de fatos, como a perseguição à execução de intelectuais sob o comando de Lenin. Ao analisar o trabalho de Hobsbawm, não há nenhuma menção ao fato de Stalin ter diminuído a idade da aplicação da pena de morte para 12 anos.

Esses intelectuais possuem tanta confiança sob si próprios, que quando um dos seus "camaradas" cai na real eles são atingidos quase sem palavras. EP Thompson sentiu-se "pessoalmente ferido e traído" quando um dos seus colegas condenou a brutalidade comunista na Europa Oriental.

Apesar de todas as críticas a esses pensadores, o britânico Roger Scruton também encontra virtudes nesses líderes da "nova esquerda britânica". Thompson tinha "uma bela mente investigativa". Por não terem aderido a "Internacional Socialista", os esquerdistas britânicos foram mais "cativantes" ao se concentrarem apenas no solo do Reino Unido. Esse "amor pela própria casa e pelo próprio território" tornou possível, para eles, um encontro em terreno comum com os próprios conservadores britânicos.

Ao contrário de muitos conservadores, Scruton não é apenas um "inimigo" dos esquerdistas. Ele chega a oferecer uma opção para os desiludidos com o marxismo: e essa saída se dá através do Estado de Direito, e não de um movimento revolucionário, onde os cidadãos têm proteção das instituições, enquanto essas mesmas instituições são responsáveis por proteger os cidadãos através da aplicação da lei.

O livro de Scruton, com uma profunda examinação sobre os excedentes de mercadorias e os métodos de consciência, pode ser uma leitura difícil. Aqueles que não gostam de discussões filosóficas sobre o que constitui a realidade das classes sociais podem se perder no meio da leitura. Mas para aqueles que querem ver, mesmo após a implosão do comunismo, como a velha esquerda tomou conta da academia para se manter de pé até o dia de hoje, o livro pode ser gratificante.


*Além de ser conservador, Ron Capshaw é escritor e crítico de livros.

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