Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

[TRADUÇÃO] O "progressismo" age para arruinar sociedade em troca de poder; por Bradley J. Birzer


Por Bradley J. Birzer
Publicação original: The Imaginative Conservative
Tradução: Wilson Oliveira

Um dos desenvolvimentos mais interessantes dos anos pós-Bush foi o ressurgimento com força do termo "progressismo". Com essa popularidade veio, naturalmente, um ressurgimento das ideias tradicionalmente associadas ao progressismo, embora altamente higienizadas.

Alguns eruditos e comentaristas muito bons e bem intencionados - que em geral não estão alinhados com a esquerda - até tentaram cooptar e redefinir o termo para seus próprios sistemas de crenças. Em particular, aqueles que apoiam mercados livres de forma bastante radical alegam que o progresso e o progressismo podem ser melhor alcançados pelos métodos (ou anti-métodos, conforme o caso) do empreendimento competitivo.

Deixe-me trazer o meu ponto de vista da forma mais sincera possível. Não somente devemos evitar elogiar o progressismo ou os progressistas, como devemos, sem hesitação, evitar o termo e seus defensores (enquanto, é claro, amamos a pessoa).

Primeiro, e mais importante, o termo em si é um dos mais manchados em nossa história como um povo ocidental. E assim deve ser. Na verdade, nunca devemos empregar um bom significado para ele. Para dizer o mínimo.

Ironicamente, as mesmas pessoas que hoje reivindicam o manto de progressista como uma força para a harmonia humanista quase não possuem nenhum conhecimento das suas origens enquanto conceito brutalmente racista.

A sua origem e o seu emprego pelos americanos na década de 1870 foi associado com qualquer coisa que desprezou e tentou controlar os povos não-anglo-saxões-celtas (mas apenas os escoceses, não os irlandeses) protestantes. Apenas os alemães e os escandinavos eram toleráveis. Os irlandeses, italianos, espanhóis, iugoslavos, judeus, negros ou qualquer outra pessoa que não se encaixasse numa horrenda norma racial não eram toleráveis.

O estereótipo BASP (Branco, Anglo-Saxão e Protestante) - que em inglês é WASP (White, Anglo-Saxon and Protestant) - era muito mais do que um estereótipo. Era, para muitos, uma realidade. Os progressistas defendiam a separação das raças, o roubo das crianças dos pais, a eugenia e a eventual destruição de qualquer coisa remotamente católica, judaica ou não "perfeitamente" branca.

Eles eram tão arrogantes quanto desumanos. Vale a pena lembrar que Woodrow Wilson, muitas vezes considerado o maior e ainda mais representativo dos progressistas, segregou todos os escritórios federais em Washington, bem como os militares. Ele também ouvia em silêncio o linchamento dos negros e, simultaneamente, se colocava contra o linchamentos de brancos.

Francamente, os progressistas são as mesmas pessoas que CS Lewis usou como o modelo dos "condicionadores" em sua própria ficção e não-ficção. Eles usariam a natureza para dominar os outros, presentes e futuros, para o apaziguamento de seus próprios conceitos muito fortes, se equivocados.

Aqui está um exemplo bastante revelador de um líder progressista, escrito em 1914.

"Esses homens de boi são descendentes daqueles que sempre ficaram para trás... Para o olhar praticado, a fisionomia de certos grupos proclama inequivocamente inferioridade de tipo. Tenho visto encontros do painel estrangeiro em que as cabeças de chão estreitas e inclinadas eram a regra. A brevidade e pequenez da crânia eram muito perceptíveis. Havia muita assimetria facial. Entre as mulheres, a beleza, além da efervescente e epidérmica flor da infância, era bastante escassa. Em cada rosto havia algo de errado: batom, boca, lábio superior muito comprido, bochechas muito altas, queixo mal formado, a ponte do nariz, a cavidade, a base do nariz inclinada, ou então todo o rosto prógnato. Havia tantas cabeças de pão de açúcar, faces de lua, bocas fendidas, mandíbulas de lanterna e narizes de ganso que se poderia imaginar que um gênio malicioso se divertira ao lançar seres humanos em um conjunto de esqueletos descartados pelo Criador" 
[Edward Alsworth Ross, o velho mundo no Novo: a importância do passado e da imigração apresentada ao povo americano (New York: The Century, 1914)].

Para não ser presunçoso, mostre-me quando Warren Harding ou Calvin Coolidge desceriam tanto o nível. Nunca, é claro. Mas os progressistas, por outro lado, brincavam alegremente com as ideias do racismo, do cientificismo e da eugenia.

Segundo, o progressismo como uma teoria de política e de sociedade exige uma visão dualista e orientada para o conflito do universo. Todo o progresso vem - em qualquer forma - do choque da tese (antiga) e da antítese (oposição) para formar uma terceira coisa, a síntese. Essa síntese, então, se torna velha e se debate com uma nova oposição. É daí que deriva o termo "progressista", o choque incessante de forças impessoais em direção a alguma utopia localizada em um futuro distante ou não tão distante assim.

Talvez o mais conhecido historiador progressista americano, Frederick Jackson Turner (foto), tenha explicado o melhor em sua tese de fronteira, em 1893. A história americana, segundo ele, encontrou suas origens na luta contínua da civilização e da selvageria que resultou não em uma vitória, mas em uma síntese dos dois, na "americanização". Turner foi realmente bastante conservador, e seu caso nos permite perceber claramente que o progressismo pode ser tão direitista quanto ele pode ser esquerdista em sua orientação política...

Deve-se notar, no entanto, que mesmo na visão gentil e patriótica de Turner, há vencedores e há perdedores. O índio americano, longe de ser uma pessoa independente dotada de dignidade e livre-arbítrio, torna-se nada mais que um membro de uma força impessoal, condenada a morrer.

A própria existência do índio americano, portanto, serve apenas como um catalisador para a civilização americana branca prosperar. É como o velho desenho animado do Far Side - os índios esperando impacientemente em Plymouth Rock enquanto os peregrinos lentamente se dirigem pelo Atlântico. Oh, ter um propósito na vida!

Finalmente, mas inerentemente relacionado com a ideia anterior, o progressista não buscou o bem comum tradicional de uma república, mas o bem geral de uma democracia. Ou seja, eles se importavam pouco com o que as minorias pensavam. Na verdade, eles se ressentiam das minorias e do poder que podiam exercer.

Os progressistas queriam que o homem se conformasse em todos os sentidos. Eles foram os precursores do "homem de massa", pensamento tão poderoso principalmente no século XX: o bem comum é a investida humana para todos, enquanto o grande bem se preocupa apenas com a utilidade e o poder.

Portanto, quando uma pessoa bem-intencionada reivindicar para si a definição de "progressista", fuja enquanto for tempo. Pois foi a partir dessa mesma boa intenção que nasceram as ditaduras, o fascismo, o nacionalismo, o socialismo e o comunismo. É coisa de louco!

Bradley J. Birzer é co-fundador da "The Imaginative Conservative and Russell Amos Kirk"; presidente em História da Hillsdale College; é membro da Biblioteca Presidencial Ronald Reagan; é autor de "Russell Kirk: American Conservative" (2015, University Press of Kentucky), "American Cicero: The Life of Charles Carroll", "Sanctifying the World: The Augustinian Life and Mind of Christopher Dawson", "JRR Tolkien's Sanctifying Myth: Understanding Middle-Earth", co-editor de "The American Democrat" e de outras obras políticas da autoria de James Fenimore Cooper, e co-autor de "The American West".

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.

http://www.ocongressista.com.br/