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A semelhança dos massacres nos presídios com o impeachment de Dilma


Por Wilson Oliveira

Quando pessoas adultas resolvem se divertir coletivamente numa prática sexual conhecida como 'suruba', não há ali qualquer motivo lógico para eu ou você escolhermos alguém naquele bacanal e passarmos a torcer para que esse alguém obtenha melhor resultado que os demais, a menos que estejamos assistindo a um filme pornô com alguma paranoia sexualmente obsessiva. O mesmo vale para o mundo do crime organizado. Nenhuma pessoa que tenha o mínimo de caráter irá torcer contra ou a favor do PCC (ou de qualquer outra facção envolvida ou não-envolvida) nesses terríveis massacres que se sucedem numa escalada impressionante no nosso país.

O objeto de comparação, como fica evidente no título deste artigo, é a crise nos presídios brasileiros e o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, chamado por seus militantes de "golpe". O começo do texto, no entanto, com a citação de uma suruba, é uma espécie de leitura que se utiliza de uma figura de linguagem para aquilo que podemos enxergar como processo desencadeador da situação atual na política na segurança pública. As sacanagens praticadas há tanto tempo pelos burocratas transformaram o Brasil num verdadeiro puteiro.

Da mesma forma que esses massacres contarão, por si só, a história presente lá no futuro com muito mais força que qualquer linha argumentativa acerca da questão da segurança pública, poderemos ter nas salas de aula dos nossos filhos e netos a história política do momento também sendo contada (ou deturpada) por simples forças de expressão que simplesmente objetivam tomar partido a favor ou contra alguma legenda - e isso também com muito mais força que qualquer linha argumentativa. É o caso da pessoa que escolhe chamar a queda da petista Dilma de golpe, passando, automaticamente, a fazer parte da estratégia lançada pelo PT. E essa pessoa pode ser um(a) professor(a) ou um(a) historiador(a).

Agora, imagine se, após essa onda de massacres chegar ao fim e o PCC, hipoteticamente, estiver ficado tão mais forte a ponto de virar o grande monopolista do mercado de drogas no Brasil (assim como o PMDB atualmente se tornou o monopolista da República comandando Presidência, Senado e escolhendo quem vai comandar a Câmara). Como essa história será contada? Alguém terá coragem de dizer que as facções do Norte e do Nordeste, que são aliadas da carioca Comando Vermelho (que não é a toa que carrega 'vermelho' no seu nome) terão sofrido uma espécie de 'golpe mercadológico', dando a entender que o PCC era o "mal" enquanto as outras foram apenas "vítimas"?

Sim, porque é fato que se o PCC se sair vitorioso dessa série de assassinatos brutais passaremos a ter no país uma facção muito mais forte que todas as outras, a ponto de comandar o seu comércio em escala nacional. E sim, essa é a melhor comparação possível a ser feita com a política brasileira neste momento, principalmente com a queda do PT. É claro que nossos políticos não estão organizando rebeliões para esquartejar seus pares, evidente que não. No entanto, eles se relacionam, se aliam e se desaliam dia e noite, tal qual essas facções, e os benefícios dessas articulações dizem respeito somente - e tão somente - a eles, restritamente, nunca ao povo, que além de não ser beneficiado por essas tramoias ainda é prejudicado, implacável e radicalmente. Também dia e noite, na saúde e na doença, na juventude e na velhice.

Foi muito triste, portanto, ao assistir a participação do historiador Marco Antônio Villa no Roda Viva que foi ao ar nesta segunda-feira, 16 de janeiro, ver outro historiador, que se chama José Leonardo do Nascimento, quase chamar o processo de impeachment de "golpe" na hora de formular sua pergunta no último bloco do programa. Ele até tem o direito de escolher um partido para torcer, embora isso seja lamentável. Mas é assombroso saber que profissionais responsáveis por estudar a história do passado e ajudar a formular a história que será contada no futuro tenham uma atitude tão influenciada como essa (para não dizer mesquinha).

E o pior: assim como ele, existem vários outros dando aula nas escolas e nas universidades. Como mostra o especial "Dossiê Doutrinação", aqui em O Congressista, não há como negar o nível de influência que essas pessoas exercem sobre os jovens, sejam crianças ou adolescentes. Ao longo do programa, em outro bloco, por exemplo, o referido perguntador - a quem Marco Antônio Villa chamou gentilmente de Zé Leonardo - deixou claro que via com bons olhos as invasões acontecidas nas escolas brasileiras em 2016, chegando a classificar tal crime contra o patrimônio e contra o serviço público de "movimento social".

Quando falamos de um suposto rompimento entre PT e PMDB, estamos falando de dois partidos inundados até a alma com a lama da corrupção investigada pela Operação Lava Jato e que nos deixou nessa crise incalculável. Portanto, são facções que abrigam praticantes de crimes, assim como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.

Portanto, tomar lado nesse mundo é como tomar lado na questão das facções de outro tipo de crime organizado. Ou escolher algum dos pervertidos sexuais que transformaram o nosso país numa verdadeira suruba interminável onde nós, o povo, fazemos papel de... É melhor terminar o texto por aqui.

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