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Slogans, burocracia, pesquisa, mentiras e... o SEU bolso!



Por Hélio Medeiros

Estava ouvindo um programa radiofônico (pela internet: e menciono isso até para dificultar o mimimi dos ‘ofendidos’: essa praga que hoje é padrão no mundo) e, lá pelas tantas, eis que surge um clichê, daqueles cunhados sabe-se lá por quem, que é repetido a rodo como se fosse uma ‘verdade’ incontestável, óbvia, cristalina, blá³: que “as pessoas vivem no município” e seu corolário, “e não no estado, nem na federação” – uma balela geralmente brandida pelos ditos municipalistas, ou algum encarregado da gestão em tal nível, enquanto lá encastelado.

O dito slogan é comum de parte de tal entrevistado que, na ocasião, proferiu também outros absurdos, como que o mundo fosse acabar pós aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da contenção do gasto público total do governo federal. Sim, é só isto: um slogan, uma peça publicitária, uma frase de efeito, algo que é brandido segundo os interesses de ‘vender o peixe’. Neste caso, de prefeitos, secretários da fazenda, e demais representantes que querem fazer, a qualquer custo, a busca de verbas junto a quaisquer cofres, sejam eles públicos ou não, e que munido disto, justifica fazer qualquer grita mimizenta como esta de que tal coisa vai fazer uma hecatombe nas finanças municipais país afora.

Como sou favorável à máxima descentralização administrativa, pode parecer que contestar o mote em questão fosse uma contradição minha, mas não posso me furtar de fazê-lo justamente por que a tal frase é um absurdo em si, destes que são difundidos em prol de uma visão burocrática baseada no mundo limitado de quem a concebeu e de quem a adota. Se, na visão destes, ninguém vive ‘na federação’, ou ‘no estado’, também podemos avançar e dizer que ninguém vive ‘no município’.

As pessoas têm suas vidas de acordo com sua própria realidade e, de acordo com elas, ora vivem em uma ou mais casas, apartamentos, escritórios, empresas, depósitos, ruas, carros, ônibus, barcos, tratores, e por aí afora. Seus locais são, na maioria das vezes, definidos com base nestes espaços físicos.

Só quem define sua própria área de atuação geográfica, seja abrangida, seja limitada a um município, são geralmente aqueles funcionários públicos que têm funções específicas a levarem isso em consideração. E, ainda assim, só no que diz respeito a suas responsabilidades funcionais, por que, de resto, estes também têm suas vidas pessoais nas quais vão ao balneário próximo, fazem visitas em outra cidade, compras, vão a um show, cinema, consultas, teatro, estudar, e toda uma série de coisas que as fazem ultrapassar a fronteira municipal.

Além destes, uma plêiade de outras pessoas vivem, muitos diariamente, deslocando-se entre uma ou mais cidades (ou municípios, vá lá), estados, e até países, todo o tempo, até por obrigação funcional: representantes comerciais, motoristas e fiscais de ônibus, policiais, advogados, juízes, médicos, enfermeiros, programadores, professores, estudantes, instrutores, caminhoneiros, músicos, agricultores, pecuaristas etc. afora outras que deslocam-se sem qualquer dever profissional, como na busca de lazer ou motivados pela busca de algum produto ou serviço, como pacientes em busca de tratamento ou simples exames.

Mas enfim, que importância tem enfatizar algo tão óbvio? Bueno, é que geralmente, alicerçado neste tipo de slogan, não é incomum desdobrar-se toda uma série de afirmativas que, partindo do pressuposto falso (como justifiquei antes) inicial, só pode ter resultado igual: isto mesmo, falso, quando não prejudiciais.

É como o caso daquelas pesquisas, sejam eleitorais, sejam outras quaisquer, em que alguém divulga uma barbaridade qualquer e ancora-se numa pesquisa x, não raro ‘de encomenda’, ou seja, formulada para satisfazer a intenção de quem a criou e, a partir daí, ‘cria o mundo’ que, burocraticamente, visa ‘reconstruir’: interferindo na vida alheia.

Seja um slogan “que pega bem”, fácil de repetir, e que poucos estão dispostos a destrinchar e contestar, seja uma das tantas pesquisas que, ardilosamente, são usadas igualmente para vender falsas idéias, é salutar sermos críticos ante estas manobras que cotidianamente são lançadas à nossa volta pois, quanto mais precavidos contra essas ‘pequenas’ picaretagens, mais blindados podemos ficar contra coisas maiores. Não raro destas derivam algum absurdo que se queira proferir, na defesa ou no ataque de alguma medida, ou a pretensa condição de ‘superioridade’ moral de algo como sendo ‘melhor’.

Parece pouco, não é? Deixe-me ajudar: “isso é muito teórico”... então pense nisto: IPTU. O quê? Sim, o famigerado imposto, é municipal. Se não for pago, a prefeitura pode tomar seu imóvel. O ‘município’ não está nem aí que você viva na sua casa, apartamento: pra prefeitura as pessoas vivem no território dela, e daí, ‘justifica’ ela lhe expropriar: com base naquela mentira inicial lá de cima!

Então, perceba isso: se por acaso, algum dia, ouvir ou ler esse clichê tosco de que você não vive aqui ou ali, lembre-se de que o burocrata em questão está só forçando a barra para dizer que ele é suficientemente sábio para dizer onde você vive, ao ponto de até expulsá-lo. Errado? Claro! ‘É, mas...’ não tem ‘mas’: imposto sobre moradia não deveria existir, e as pessoas vivem aonde e como elas podem e querem.

Se é para manter-nos no feudalismo, que ao menos tragam de volta os dragões e aquelas lutas de espadas maneiras!

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