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Fronteiras nacionais são as únicas guardiãs da democracia; Por Roger Scruton



Por Sir Roger Scruton
tradução: Luiz Fernando S. M. Correia

A civilização européia trilha, constante e firmemente, o caminho da substituição da religião pelo território como fonte de unidade política. O processo se iniciou no século XVII, à medida que a reivindicação por soberania popular e unidade nacional começou a ser mais audível que o ruído do conflito religioso. Seguindo a Revolução Francesa e a tentativa fracassada de Napoleão num Império Paneuropeu, a Europa emergiu como uma coleção de estados-nação.

“Nacionalismo”, que vê a lealdade nacional como o princípio obrigatório do qual a ordem política, em última análise, depende, é freqüentemente culpado pelos tumultos do século XX. Todavia, conquanto o nacionalismo Alemão tivesse ameaçado o futuro da Europa, ele o fez da mesma forma e pela mesma razão do internacionalismo da União Soviética – ou seja, criando um partido único estatal terrorista, devotado a objetivos contra os quais não se podia opor ou alterar.

A vitória, na Segunda Guerra Mundial, dependeu da lealdade nacional e do sentimento patriótico dos povos Britânico e Americano. No mundo que daí emerge, a identidade nacional é quem oferece a melhor garantia de paz, assim como a única fundação possível para políticas democráticas. Pois somente quando os povos definem sua lealdade em termos territoriais e nacional é que as diferenças de religião, classes e ideologias podem ser postas de lado e um governo eleito pode ser aceito por todos, aí incluídos aqueles que nele não votaram.

Esses pensamentos devem ser levados em conta para se considerar o futuro de nosso país e dos países da aliança Ocidental. É profundamente significativo que, quando nos referimos ao futuro, é o nosso futuro que temos em mente e que nosso futuro é o futuro de nosso país. Pois, o que é um país? É, primeiramente e acima de tudo, um território, uma terra na qual estamos estabelecidos e que reivindicamos como nossa. É um grotão com fronteiras – algumas porosos, como aqueles que dividem os vários componentes das nações do Reino Unido, outras tornadas impermeáveis pela lei, como as fronteiras naturais das Ilhas Britânicas.



Nossa lei é uma lei territorial, eficaz para dentro das fronteiras, as quais definem a natureza e a extensão de sua jurisdição. Essa lei territorial é uma herança preciosa visto que é a garantia de nossa liberdade na terra que partilhamos. Acima de tudo, é por vivermos sob uma jurisdição territorial que a democracia é possível: um governo democrático é exercida sobre um certo território, pelas pessoas que nele residem.

A União Européia se recusou a reconhecer a importância das fronteiras e dos territórios por elas definidos. Ela estabeleceu uma espécie de ordem legal transnacional e burocrática na qual as leis não foram mudadas ou adotadas por meio da soberania popular, senão impostas por decreto oficial.

Ela o fez seguindo a visão mal orientada de que fronteiras e nações são uma ameaça à paz. E, partindo do mesmo conceito mal orientado, ela insistiu no livre deslocamento de povos pelo continente – desaguando em duas enormes crises demográficas, especificamente o êxodo de jovens da Europa Oriental e a sobrecarga populacional na Grã Bretanha, que é o país onde a língua internacional é falada.

A primeira crise tornou a Europa Oriental e os estados Bálticos indefesos, enquanto a segunda torna a Grã Bretanha um lugar cada vez mais difícil de se viver, à medida que habitação, planejamento, infra-estrutura e identidade social foram, todas elas, postas sob uma incontrolável tensão

O que isso nos diz sobre o caminho a seguir? A resposta é simples: nossos líderes políticos devem reafirmar aos eleitores Britânicos que o país deles é deles e que o governo por eles eleito negociará em seu (deles) nome os acordos internacionais que respeitem a soberania nacional e as fronteiras das quais depende a mencionada soberania.

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Publicado no jornal "The Telegraph”, em 16 de novembro de 2016: link original em inglês

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