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Porque não celebro a Proclamação da República


Por Luis Cláudio

Não celebrei o 15 de novembro. Motivo? Não curto rememorar tragédias. A data marca o início da funesta república brasileira, como todos sabem. Nem é preciso argumentar aqui o quão ridículo é chamar de “proclamação” um ato golpista de altíssima felonia.

Em uma madrugada, trocamos um Estado de Direito estável, respeitado e com resguardo constitucional das liberdades por uma ditadura militar chefiada por psicopatas que desconheciam escrúpulos aos seus atos. “Acham que sou um escravo fugitivo?”, teria exclamado o Imperador ao ser escorraçado do palácio àquela hora da manhã. Frase mais que irônica, visto que, por eficácia mesma da Família Real, milhares de negros já não amanheciam com os velhos grilhões atados aos seus pulsos.

O retrato político daquele momento ainda é objeto de debates no meio acadêmico. Muitas injúrias, ainda com o passar do tempo, permaneceram. Como a de que Pedro II fosse profundamente racista, ou que a Princesa Isabel – futuramente rainha – teria libertado os escravos por mera pressão política internacional, posto que todos os funcionários do palácio real fossem assalariados desde a década de 1860.

Célebres historiadores, entre os quais destaco Laurentino Gomes, José Murilo de Carvalho e João Camilo Torres, atestam o indubitável: o golpe republicano foi a irrupção da desgraça brasileira. Antes, uma economia equilibrada, com inflação em torno de 2% ao ano, salário real médio por volta de 22,5 quilogramas de ouro. Não se conheciam as favelas.

Com a República, os “geniais” engenheiros da falcatrua política resolveram estimular a produção industrial, emitindo despudoradamente moeda no mercado interno, o que, além de provocar severa recessão, gerou o primeiro surto inflacionário de nossa história, com o índice avaliado próximo a 45% apenas nos dois primeiros meses do novo regime.

Quer mais? Calma, porque teve mais. Em poucos anos, a maior parte dos idealistas e radicais que corroboraram o golpe foi presa. Um dos mentores intelectuais da tramoia, Ruy Barbosa, impetrou junto ao Supremo Tribunal Federal o famoso habeas corpus nº 300, buscando a libertação dos dissidentes. O crime? A desfaçatez de questionarem Floriano Peixoto na imprensa, outrora livre. O marechal de ferro não deixou por menos: “Se os juízes do Tribunal concedessem habeas-corpus aos políticos, eu não sei quem amanhã lhes dará o habeas-corpus de que, por sua vez, necessitarão.”

Fazendo uma retrospectiva de todos os governos da República, período no qual o País teve de confiar em partidos e presidentes sucessivamente renovados – por eleições fraudulentas, golpes de Estado ou processo democrático – sempre com programas de gestão vazios de veracidade e de inovação, pode-se tirar apenas uma conclusão. Sobrepujada a ditadura dos marechais, alça ao poder a cúpula dos derrotados em 13 de maio de 1888, ressentidos com o ultraje de ter de remunerar seus antigos escravos, somado ao temor de uma mulher, aquela mesma responsável por esse “prejuízo”, tornar-se monarca.

Mais uma vez apostando no golpismo, a República assiste “bestializada” a uma Revolução! Ora viva! Quem diria que teríamos finalmente uma revolução! Que nada: apenas o caudilho gaúcho populista que se entronizava na presidência após ser “democraticamente” vencido em pleito. E aqueles que tanto cismavam com o Poder Moderador dos “Pedros”, mal poderiam suster sua cisma diante da implantação, no Brasil, da experiência fascista tupiniquim sob o singelo nome de “trabalhismo”. E o Estado de Direito, é claro, jogado na lata do lixo mais uma vez.


Superada mais uma fase autoritária, que tal trazer logo essa democracia, faz favor? Pois bem: façamos eleições. E eis que temos mais um presidente, democraticamente eleito, que era um...militar! Pior: um dos apoiadores do coronel dos pampas, papai da CLT. Obviamente, refiro-me a Eurico Dutra. Cito seu nome e o de Juscelino por mérito: dos cinco presidentes que sucederam o Estado fascista Novo, apenas esses dois mencionados terminaram seus mandatos devidamente. Salva de palmas! O velhinho (como ficou conhecido o caudilho falado acima) não suportou a pressão e meteu bala no próprio peito, o “vassourinha” se mandou em menos de oito meses e o herdeiro político do velho gaúcho, tão aclamado pelas esquerdas, ficou de conchavo com duas grandes “democracias” – Cuba e URSS – para instalar em nossas terras uma “República Sindical”, isto é, nome bonito para ditadura socialista (perdoe-me a redundância).

Para o azar deste último, os generais, novamente, cortaram seu “barato” e depuseram-no a força. Muito bem: estamos livres da ditadura comunista (perdoe-me de novo). E agora?

Os militares prometem eleições em seis meses, mas, Castello Branco provou outra vez que o golpista diz não se escreve. Que se danem as eleições: era hora de ficar no poder e pôr ordem na casa. Daí, inicia-se o período pelo qual as esquerdas choramingam até hoje: a famosa ditadura militar de 1964, que começou “pra valer” em 1969. De Castello a Figueiredo, passam-se 21 anos de autoritarismo, milagres econômicos, guerrilhas terroristas (tenho que parar com esses pleonasmos), censura, torturas e espiral inflacionária.

Com a redemocratização, os militares saem envergonhados do poder e entregam-no novamente aos civis. Viva! Agora podemos escolher nosso presidente! Not so fast, Junior! Indireta primeiro, diretas depois. E assim se fez.

O nobre cavaleiro das terras maranhenses, Sir Ney, resolve enfrentar o dragão inflacionário. Não obtém sucesso: ordena o congelamento dos preços visando a derrubada da inflação, mas o plano fracassa e o dragão retorna ainda mais violento. “A inflação se alimenta dos preços. Vamos matá-la de fome!”, teria pensado.

Após ele, tivemos o presidente collorido. A inflação deixa de ser um “dragão” e transmuta-se numa onça. O presidente é um caçador cuja a arma só possui uma única bala, destinada à testa da onça. Mais um fracasso. Pior: acompanhado de um impeachment.

Ascendem ao poder, nessa ordem, Itamar, FHC, Lula, Dilma e Temer. Não me delongo nesses pela completa irrelevância de uma descrição, visto que acompanhamos essa realidade ao vivo e à cores. Ademais, pelo andamento dos fatos, aparenta-se que a “Nova República” já esteja atingindo seu prazo de validade.

Em suma, não se pode dizer, com precisão, se teremos estabilidade ou não nos próximos anos; o que nos restou, certamente, é a insegurança. O povo brasileiro está farto dos sucessivos governos das promessas maravilhosas. Nesses 127 anos de República, ninguém sabe o que foi prometido, pois ninguém prometeu. A única certeza que temos é esta: foi tempo perdido.

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