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Independente de resultados, que haja vigilância


Por Victor Oliveira

Eleições americanas prestes a definir quem será o mais novo presidente de uma das nações mais poderosas do mundo. Obviamente não é necessário se aprofundar no fato do quanto tal eleição afeta não apenas o país em específico, mas todo o globo, incluindo o Brasil.

De um lado, uma criminosa cheia de mistérios e segredos sombrios, do outro, um fanfarrão populista que exala ameaça. Sim, essa é uma daquelas eleições peculiares que faz o mundo respirar fundo. Muitos dizem, inclusive, que há tempos não víamos uma disputa tão complexa e atípica, por assim dizer.

Definir quem é o melhor, ou, no caso, o menos pior, tem sido uma tarefa difícil para qualquer um que procure fazer uma análise. Mas, acredito, é mais difícil ainda para os responsáveis direto pelo resultado.

Hillary Clinton é  — repito —  uma criminosa. Diversos escândalos que, curiosamente, são escondidos pela mídia mainstream, caracterizam o quanto a candidata possui um caráter corrupto e o quanto sua vitória representa a vitória de interesses particulares de uma elite política perniciosa. De e-mails a crimes sexuais, Hillary com certeza não representa esse progresso e virtude que muitos acreditam que ela representa. Sua imagem não deveria ser vista como uma inspiração para as mulheres, mas como uma vergonha.

Com tal candidata fraca e manchada e uma era Obama que veio desagradando a população, o Partido Democrata já estaria certo de sua derrota se não fosse uma incógnita que mudou todas as regras do Jogo: Donald J. Trump. Arrogante, prepotente e mestre em falar besteiras de forma banal, Trump se apresenta como a salvação do povo em oposição a uma elite opressora. Ironicamente, esse discurso muito usado pelos candidatos socialistas dessa vez abraça o outro lado da moeda.

Fruto de um establishment poderoso que vem pisando no calo da população americana, Donald Trump consegue levar seu apelo populista de “salvador da pátria” para uma plateia mais “conservadora”, que ao menos em tese deveria desconfiar de salvadores e messias políticos. Esse fenômeno que vem bagunçando toda a política internacional demonstra o quanto a situação é delicada, afinal, o que esperar de um cenário onde a maior justificava que um pró Hillary apresenta é Trump, e a maior justificava que um pró Trump apresenta é Hillary?

Fazer o papel de isentão em uma situação dessas nunca foi tão fácil, e talvez este seja o papel mais certo mesmo. O problema é que isento ou não, alguém terá de vencer  — são os paradigmas da democracia — , e decidir entre uma criminosa e um babaca não é tão simples assim. É óbvio que elevado ao máximo, um babaca que é uma ameaça em potencial é a escolha mais lógica diante uma criminosa, não em potencial, mas consumada. O problema é que o babaca não deixa de ser um babaca por isso, e o mesmo não deixa de ser uma ameaça para os valores que tanto exaltamos e dos quais a América tanto regozija.

By the way, se Trump é a escolha mais correta ou não, o foco deve ser algo além. Independente de quem ganhe, a derrota é o destino mais evidente. E independente de qual candidato você ache menos nocivo, o mínimo que espero de uma análise sensata é entender que a nocividade está presente em ambos.

“Who watches the watchmen?”

Se pudesse me dirigir aos americanos, diria apenas para serem pessimistas: mantenham-se vigilantes, vigiem aqueles que te vigiam. Não caiam em promessas vazias de homens que pregam a salvação do mundo e se apresentam como salvadores contra um establishment, ou em nome do empoderamento feminino.

Em meio a uma eleição trágica que só demonstra a ironia dos paradigmas democráticos, que aqueles que aos seus resultados se submetem venham se posicionar com prudência. E se preciso, venham tomar as rédeas da situação, afinal, esse é um dos motivos da existência da segunda emenda da constituição americana.

No fim, o posicionamento mais sensato é, antes de tudo, o de se manter cético; é o de temer o que possa estar por vir. O pior que pode acontecer é estarmos certos, e se caso não der em nada, o mais trágico é estarmos errados - e sinceramente, torço bastante para errarmos.

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