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Governos: mestres em, no mínimo, aumentar problemas



Por Hélio Medeiros
autor convidado

Medelín, Cuba, famílias e corrupção? Mas o que isso tem a ver? Tem.

Sei muito bem que posso ser apontado como ‘insensível’, até ‘aproveitador’ (eu?). Mas ouso dizer que, nesta hora, tal pecha não me serve. É de conhecimento público a tragédia do avião na Colômbia da madrugada passada, motivo de minhas reflexões.

Incomodou-me particularmente a insana insensibilidade (sim! Apesar de o que possa parecer) do governo que, numa típica atitude de alegadas ‘boas intenções’, dispensa as aulas. Aquela recorrente forma de ‘fazer bonito’ pra gerar comentários insossos na mídia e parcela da população não afetada, ambos insensíveis às conseqüências concretas na vida das pessoas de ‘pequenas’ canetadas das autoridades ‘boazinhas’.

São incontáveis as inúmeras preocupações e transtornos que advém de uma medida assim que, de uma hora pra outra, afetam a vida de incontável número de pessoas, ainda mais sabendo que, por padrão, os estabelecimentos de ensino públicos atendem majoritariamente à parcela da população pobre, justamente aquela a quem a permanência de crianças sob um teto, abrigadas e cuidadas por período definido, é fundamental, senão crucial para melhorar a condição destas e de suas famílias, não só em função do aprendizado, mas da liberação de seus pais, cuidadores e demais integrantes da família para exercerem atividades econômicas cruciais para o sustento familiar.

Imaginando, quem sabe, diminuir transtornos às famílias envolvidas na tragédia com uma medida assim – boa farte das quais, muito possivelmente, tenham crianças e adolescentes inscritos na rede pública – as autoridades, do alto de seu altruísmo protocolar, de um lado criam MAIS um feriado, de outro e com este, inserem mais um problema à incontável quantidade de pessoas, seja em termos de logística, de acomodações, alimentação, perda de renda, em função da quebra de uma rotina pretensamente ‘inócua’ para quem tem recursos de sobra para garantir os cuidados a seus próprios eventuais pimpolhos.

E por que faço daí uma ligação inusitada com Cuba? Bueno, é noticiado, até agora, que ao menos DOIS ministros de estado do governo Temer estão com viagem agendada para irem prestarem homenagem em cerimônia ao falecido carrasco cubano, e pasme: um TERCEIRO Ministro já manifestou-se em acompanhá-los na multiplamente tétrica peregrinação. Qual o caráter intrínseco a isto? A contradição evidente? Que a perda de diversas vidas de pessoas verdadeiramente TRABALHADORAS e com méritos reais para projeção ante o público, vale menos, para os titulares da cúpula do poder público, do quem um verdugo que, sabidamente, produziu morte, roubo, opressão, estagnação, miséria, censura e imensurável quantidade de crimes ao longo de mais de meio século!

A exposição dessas situações que, além de aproximarem-se no aspecto temporal, decorrem da mesma mentalidade viciada alastrada no poder público e seus esbirros, ou seja, a do compadrio, do descaso, da ignorância escolhida e proposital das mazelas geradas, seja por uma medida simplória com ares de magnanimidade, seja por uma medida discricionária e intencional, tanto nos casos das ‘simples’ escolhas dos ministros, como nos inúmeros e sabidos casos de corrupção, peculato, advocacia administrativa, concussão ou meras ‘vistas grossas’, como é acontece nos inúmeros ‘casos Geddel’ que se vê lá, acolá e cá em cada paróquia que sequer precisamos imaginar: sabemos.

Em suma: seguimos com o resquício de uma forma de agir aristocrática, palaciana, do poder público, autoridades, asseclas e um sem-número de candidatos à corte, que encaram o poder em si como algo fundamentalmente certo, que releva os problemas reais das pessoas, seja o transtorno da quebra de rotina escolar, sejam mortes trágicas, por fatalidade ou criminais, mas não furta-se em não só não punir, como chancelar, até mesmo homenagear, os integrantes da própria nomenclatura ou coirmãs, demonstrando bem o quão umbiguistas são seus valores e visão megalômana de mundo.

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