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"Fronteiras abertas" é eufemismo para ausência de segurança


Por Rafael Andreazza Daros
autor convidado

Comecemos com um pequeno exercício de lógica. Estamos de volta à Roma Antiga. Do lado de fora das fronteiras, povos bárbaros e sem nenhum senso de decência, prontos a saquearem nossas cidades, roubarem nossa comida, estuprarem nossas mulheres e escravizarem todos os sobreviventes. Você agora é o imperador de Roma. Que medida tomaria? Colocaria mais exércitos nas fronteiras ou abriria os portões para que eles pudessem entrar sem nenhuma resistência?

Se os antigos romanos tivessem a mesma mentalidade que nós, temo que muitos optariam pela segunda opção, tal o nível de leviandade e falência intelectual com a qual muitas questões substantivas são tratadas hoje. O erro? Tratar imigrantes de forma abstrata, como se fossem pessoas abstratas vivendo em um mundo abstrato. Isso significa agrupar, como se fossem um único grupo homogêneo, povos potencialmente hostis de povos que querem apenas fugir de governos e culturas opressoras para que possam trabalhar e viver uma vida honesta sem serem incomodados.

Importar imigrantes não é apenas importar números. Significa também importar valores, costumes e modos de vida. Até mesmo imigrantes com pouca educação e habilidades conseguem prosperar em poucas gerações quando eles trazem consigo uma bagagem cultural que favoreça a prosperidade. Na Grã-Bretanha, não é incomum que filhos de indianos sejam mais letrados que filhos de outras minorias que estudam nas mesmas escolas. Imigrantes judeus e asiáticos também têm prosperado praticamente em qualquer lugar onde se assentam.

Enquanto é verdade que muitos imigrantes engrandeceram e contribuíram para a prosperidade de muitos lugares onde se assentaram, isto não é uma regra universal. Em muitos casos, apenas contribuíram para a desordem social. O fato mais óbvio, e completamente ignorado, é que mudar as pessoas de localização não muda seu comportamento. Quando o furacão Katrina devastou Nova Orleans, centenas de milhares de americanos foram realocados para Houston. Acontece que o índice de criminalidade em Nova Orleans era quase o quádruplo do índice de Houston. O resultado foi uma explosão da criminalidade nesta última.

Já na Suécia, imigrantes do Oriente Médio apenas elevaram os gastos com programas de bem-estar social. De 1976 a 1999, o porcentual de pessoas que usaram esses serviços aumentou de 6% para 41%, sendo que apenas 7% da população nativa e de imigrantes europeus utilizava esse serviço, contra 44% dos imigrantes do Oriente Médio o usam. O índice desproporcional de crimes cometidos por imigrantes também fez com que a proporção de imigrantes nas prisões chegasse a ser 5 vezes maior que sua proporção na população geral.

Após começar a receber refugiados recentemente, a Suécia se tornou o país com a maior taxa de estupros na Europa, embora possa haver controvérsias devido à forma com que esses crimes são relatados e computados (mais sobre esse assunto neste link). A histeria e o sentimentalismo parecem ter contaminado o debate público a tal ponto que, em alguns casos, até mesmo relações consensuais são tratadas como estupro. Em outras, denúncias graves não são sequer apuradas por medo do escracho da opinião pública.

Hoje, não é politicamente correto sequer falar sobre esses assuntos. Se temos uma certeza, é a de que qualquer um que tentar alertar dos perigos será facilmente acusado de racismo ou xenofobia por palpiteiros irresponsáveis que não sofrem as consequências das políticas que defendem.

Fronteiras não existem sem motivo. Elas existem para garantir a segurança dos cidadãos que nela residem e para garantir a continuidade das instituições e da cultura deste povo. Aqueles que defendem um mundo “sem fronteiras” frequentemente imaginam um mundo que permita o livre trânsito de pessoas pacíficas e decentes, mas esquecem de seu corolário, que é o livre trânsito de terroristas, criminosos e de pessoas que buscam apenas uma forma de parasitar sobre a riqueza de lugares mais prósperos. Imigrantes, estes, que podem até mesmo subverter as instituições políticas e culturais para benefício próprio se lhes for dada uma oportunidade.

Por exemplo, circula na internet um vídeo de uma política alemã dizendo que em poucos anos os alemães serão uma minoria em seu próprio país e deixando claro aos "direitistas" que isso é uma coisa boa... deixando implícito que aqueles que querem apenas preservar a cultura de sua terra natal só são contra imigrantes por serem intolerantes ou devido a alguma tara política.

Claro, isso não significa que devamos fechar as fronteiras para todos os imigrantes. Mas a solução frequentemente proposta – de abrir completamente as fronteiras – não é uma alternativa viável, exceto pelo ponto de vista da pura retórica e de políticos oportunistas, pois significa passagem livre para qualquer grupo de desordeiros que vise apenas causar o caos nos lugares que os acolhem. O primeiro dever de um governo é zelar pela segurança de seus cidadãos, não apostar suas vidas pelo benefício de forasteiros desconhecidos.

*Agradecimentos especiais a Thomas Sowell e Theodore Dalrymple pelos dados e análises, sem os quais este artigo não seria possível. Este artigo é uma pequena compilação das análises de Sowell acrescidas de algumas conclusões e comentários pessoais. Leia mais sobre as controvérsias sobre imigração nestes links:

http://jewishworldreview.com/cols/sowell083116.php3

http://jewishworldreview.com/cols/sowell102716.php3

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Rafael Andreazza Daros é colunista do blog Shogunidades

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