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[ENTREVISTA] Especialista afirma que governo Trump pode ser bom para latino-americanos


Por Wilson Oliveira

O jornalista Leonardo Fernandes é apaixonado por história e, mais ainda, por estudar a política da América Latina. Com familiares de origem venezuelana, ele esteve naquele país no início deste ano e viu de perto como se encontra a situação crítica da Venezuela. Por outro lado, entusiasmado com a vitória do republicano Donald Trump nos Estados Unidos, Leo demonstrou esperança em ver ações mais concretas do novo governo americano nas relações com os países vizinhos da América Central e América do Sul. Confira a entrevista cedida ao O Congressista!

Um dos principais pontos da campanha de Trump foi a questão de controlar a emigração. Você acha que agora vai ficar mais difícil um latino-americano se mudar para os EUA?

Não creio que haverão dificuldades para os latinos emigrarem para os Estados Unidos. A questão do Trump é mais voltada aos imigrantes ilegais que atravessam a fronteira sem qualquer tipo de documentação, arriscando suas vidas, e quando chegam lá nos EUA não têm oportunidades.

Na campanha, Donald Trump disse que iria construir um muro na fronteira com o México, mas que o pagamento ficaria a cargo do governo mexicano. Após a vitória de Trump, o presidente mexicano Enrique Peña Nieto afirmou que não pagaria muro algum. Como você acha que vai ficar a relação entre os dois países a partir de agora?

O muro já está de pé desde os anos noventa, no governo Clinton. Acho que não haverá tensões entre os governos mexicano e norte-americano. O presidente do México já foi aos Estados Unidos conhecer Trump. Creio que será uma relação respeitosa entre ambos países, já que são parceiros comerciais também.

Recentemente, o povo colombiano foi às urnas num plebiscito e votou contra o acordo de paz que transformaria as FARC em partido político. Você acredita que os EUA, sob o governo Trump, irão se meter em questões como essa nos países latino-americanos?

Acho que os Estados Unidos como país membro da OEA (Organização dos Estados Americanos) deveria também mediar as tensões entre países latino-americanos. A Colômbia há alguns anos vem sendo aliada dos Estados Unidos, lembrando que o tráfico de drogas colombiano reduziu bastante com a ajuda do governo americano.

No início deste ano, você esteve na Venezuela e viu pessoalmente a situação que aquele país se encontra. Como você acha que Trump vai se comportar diante do governo venezuelano de Nicolás Maduro?

Realmente é uma situação complicada a da Venezuela. No momento, o próprio povo venezuelano está fazendo a sua parte para tentar tirar Maduro do poder. Porém, caso as coisas se compliquem, seria interessante que Trump pudesse intervir e buscar uma maneira mais tranquila de resolver o problema.

Obviamente, vejo Trump como um típico republicano, lembrando um pouco a história de Ronald Reagan. Acredito que ele não irá querer relações como o governo socialista de Maduro, mas com certeza estará de olho na situação venezuelana, já que é um país que tem potencial para ser parceiro dos Estados Unidos em condições melhores.

Trump também disse que vai anular o Acordo Transpacífico, feito sob a liderança dos Estados Unidos com outros 11 países, entre eles México, Peru e Chile. Você acredita que ele vá mesmo anular esse acordo comercial ou acha que isso foi mais retórica de campanha?

Tem que esperar para ver. Acho que muitas coisas que Trump disse foram estratégias de campanha para garantir votos, lógico. Tanto é assim que quando se confirmou a sua vitória, ele apresentou um tom mais ameno em seu discurso. Lógico que todos os contratos feitos pelo presidente anterior (Obama) têm que ser revistos e analisados.

A vitória de Trump pode fortalecer o ressurgimento nos países da América Latina de grupos liberais na economia e conservadores na política como são os republicanos?

Sim, acredito que abre um espaço de esperança aos países latino-americanos, que há dez anos vem sendo ameaçados pelo Foro de São Paulo. Acredito que ele terá boas relações com a Argentina de Macri e até mesmo conosco, já que o Temer apresenta uma postura muito diferente da Dilma, sendo um pouco mais liberal na economia.

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No geral, você classifica a vitória de Trump como positiva ou como negativa para os Estados Unidos? Por quê?

A vitória de Trump é uma esperança ao povo americano. Desde a crise mundial de 2008 o país vem sofrendo bastante com desemprego. Um dos fatores determinantes de sua vitória foi o voto do setor operário, que normalmente vota nos Democratas, porém, com a crise durante o governo de Obama, se decepcionou e passou a votar no republicano Trump.

Outra questão importante apontada por Donald em sua campanha foi o endurecimento com os imigrantes muçulmanos. Apesar de muita gente dizer que essa medida é preconceituosa, eu acho válida para prevenção contra ataques terroristas. Não se pode cometer o mesmo erro que a Europa vem cometendo.

A relação dele com a Rússia de Putin também deverá ser melhor que no governo de Obama. Trump tem negócios no país eurasiano e tudo que ele não gostaria de fazer é causar um confronto entre duas grandes potências militares, que poderia ocasionar em um grande conflito mundial.

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