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E o deus rei sangra







Por Victor Oliveira

Lançado no ano de 2007, o filme “300”, do diretor Zack Snyder, baseado na obra de Frank Miller, traz Gerard Butler no papel principal do Rei Leônidas em uma jornada suicida, porém honrosa, na busca de se manter firme diante da tirania de um imperador, proclamado como um deus. Trezentos contra milhares, quiçá milhões se não me falha a memória. Alguns mortais contra um ser divino? Seria delírio a ideia de vencer tal batalha? Seria! Se este fosse o objetivo...

Ao longo da trama, Leônidas deixa claro que seu objetivo não é vencer a batalha, não é trazer a vitória, mas provar que o deus rei sangra. É se posicionar contra a mentalidade tirana de um homem que se assume como um deus e que ameaça tomar suas mulheres, filhos e propriedade caso os espartanos não se curvem, é claro, em nome de um bem maior.

Entrando na moda de personificar abstrações, podemos pensar em culpar o Bem maior pelas maiores atrocidades que esta terra já viu. É característica fiel de todo tirano o domínio do tal do Bem maior. E tem que ser, é claro. Sem o dito cujo não se tem desculpa. Sem ele não há advogado. Na mente dos revolucionários, reacionários, e todos os que enxergam o mundo através de um determinismo histórico pelo qual a política é responsável, o bem maior é o ápice da humanidade, a resposta para todos os males e o fim de todos os problemas. Se tal estado é a resposta para a perfeição humana, e se é possível chegar a ele por nossas mãos, nele justifica-se qualquer imperfeição realizada em seu nome.

Para sermos justos com o Bem maior, que acredito, nunca pediu por nada disso, podemos apontar os dedos para os grandes ícones que mataram e escravizaram em nome do coitado. Lula, um grande entusiasta da causa, apontou seus dedos em homenagem a Fidel Castro  —  homenagem incompleta, se é que me entende.

Fidel, o tal. Um ilustre revolucionário do bem maior. Um ícone representativo do trágico século XX, que foi dominado por tais figuras. Em nome do bem maior matou, aprisionou, usou e abusou de seu povo e até à morte. Contemplou as consequências do seu reinado na ditadura cubana. Por causa do bem maior, o grande advogado, milhares o saúdam e choram por sua partida. A maioria, é claro, não é cubana, mas adota a causa com um fervor religioso.

Em 300, Leônidas, antes de morrer, acerta uma lança no rosto do tirano e prova que o deus rei sangra. Na vida real, ninguém acertou nada em Fidel, não por falta de tentativa, é claro. Mas no fim, o deus rei sangrou. Sangrou, pois não é deus. Sangrou porque assim como cada um de nós, está sujeito as nuances da imperfectibilidade humana. Sangrou, pois diante da morte não existe bem maior.

Se o Criador permite não há bem que justifique. Sangrou, pois querendo ou não, em vida ou na morte, a realidade bate à porta. Que pena que Fidel não reconheceu isso antes, pois foi mais um que em nome do bem maior, da luta por um novo mundo e uma nova realidade, manchou a - já imaculada - história da humanidade.

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