Expresso News

[expresso-news] [twocolumns]

Colunistas

[colunistas][bleft]

Entrevistas

[entrevistas] [twocolumns]

Economia

[economia] [bsummary]

Carta aberta ao ministro da educação Mendonça Filho por sua resposta a um estudante na FGV


Ao excelentíssimo senhor ministro da educação Mendonça Filho,

Senhor Mendonça, acredito que o melhor apoio que uma pessoa pode receber é o apoio que traz críticas construtivas em seu pacote, pois é o apoio que tenta apontar um caminho para melhorar. E é dessa forma que me dirijo ao senhor por conta da sua resposta a um estudante aparentemente crítico ao governo do presidente Michel Temer e simpático aos movimentos ditos sociais que estão promovendo invasões em universidades públicas e até em algumas privadas, como na PUC-RJ.

Na sua resposta, que foi muito bem fundamentada e certeira, por sinal, durante evento na Fundação Getúlio Vargas, o senhor tratou de culpar os governos do PT pela maior recessão econômica que o Brasil já enfrentou nos dois últimos séculos. O senhor disse também que foi essa recessão que, de fato, retirou verbas da saúde e da educação. Correto! Entretanto, jamais poderemos cometer o erro de nos esquecermos de algo tão importante quanto lembrar dessa crise econômica: o PMDB, do presidente Michel Temer, fez parte do governo petista desde meados do primeiro mandato do presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Mais especificamente falando, senhor Mendonça, o PMDB não só fez parte do governo Dilma como ocupou vários ministérios, além da vice-presidência da República. Portanto, muito embora o senhor pertença a um dos poucos partidos deste País que permaneceu o tempo todo como oposição à gestão petista, o senhor pertence a um governo cuja boa parte das digitais também se encontrava na pacote de situações proporcionadas pelas duas gestões anteriores.

Acredito, senhor Mendonça, que embora aquele estudante que lhe interpelou na FGV não demonstrasse ter conhecimento de causa para tratar do assunto que tentou tratar, sem obter sucesso, não podemos esconder os erros que o governo Temer vem cometendo. Um deles é na comunicação. A PEC, que agora está com o número de 55 no Senado Federal, foi pessimamente explicada para a população brasileira. Os cidadãos com os quais converso diariamente realmente estão acreditando (e o verbo acreditar transmite algo que vai além do verbo achar) que esta PEC vai retirar dinheiro da saúde e da educação.

O senhor fez o certo, a meu ver, ao explicar a questão durante o evento na FGV. Entretanto, essa mesma ênfase, clarividência e objetividade tem andado em falta na comunicação que o governo federal tem estabelecido com a população - comunicação esta que em muitos momentos sequer pode ser notada. E eu tento entender os motivos para tal realidade, uma vez que o próprio presidente Michel Temer afirma vislumbrar que o seu governo de transição seja lembrado no futuro como um governo que "colocou o Brasil nos trilhos".

O primeiro motivo que me vem à cabeça é o fato da presidência da República ser gerida por um membro de um partido que está rendido pela Justiça deste país, entre outros motivos, por conta da Operação Lava Jato. O que quero dizer, para ser tão enfático como o senhor foi na sua resposta supracitada na FGV, é que o governo do presidente Temer está com medo e, exatamente por isso, não consegue ter a tranquilidade e a segurança tão necessárias para se dirigir à população brasileira e tratar dos assuntos tão importantes como o desta PEC.

E isso, senhor Mendonça, a mim causa extrema preocupação e aflição, porque uma vez que o governo esteja rendido e inseguro, sem saber como defender suas próprias medidas, os militantes e toda a retórica do partido que há pouco foi rejeitado pelo Congresso Nacional no início do ano e pela própria população brasileira conforme demonstrou as eleições municipais de outubro, ainda assim, vai conseguindo obter mais sucesso que o próprio Governo Federal na batalha da comunicação social.

Acredito que para o Brasil entrar nos trilhos, antes, é preciso que o próprio governo do qual o senhor faz parte entre nos trilhos. E, infelizmente, o que tenho visto atualmente vai na direção contrária. Espero, sinceramente, que a sua resposta na FGV sirva para iluminar a gestão do presidente Michel Temer, que nesses primeiros seis meses demonstrou muita insegurança, muita falta de firmeza, uma total ausência de respostas à altura para as crises que estamos enfrentando e uma assustadora falta de força para apontar um horizonte de recuperação e, sobretudo, de esperança aos brasileiros.

Wilson Oliveira
editor-chefe de O Congressista

* Se você não viu o vídeo com a resposta que o ministro Mendonça Filho deu a um militante na Fundação Getúlio Vargas, clique aqui e confira!

Nenhum comentário:

Os comentários ofensivos e anônimos serão apagados. Daremos espaço à livre manifestação para qualquer pessoa desde que não falte com o respeito aos que pensam diferente.